Homilias – Pe. Emmanuel Yenimi Azure

Aqui serão postadas as Homilias do Vigário da Matriz São João Batista,

Pe. Emmanuel Yenimi Azure. Os textos serão postados em inglês (língua

nativa do Pe. Emmanuel) e em português.

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DOMINGO DE RAMOS
O sexto domingo da quaresma em que celebramos o Domingo de Ramos, nos encaminha para a Semana Santa, a Semana em que as Celebrações Pascais são elaboradas e intensificadas, culminando na ressurreição de Jesus. Como criança, eu crescia adorando estes momentos da quaresma especialmente a liturgia do Domingo de ramos e a de Sexta-feira Santa por causa do Evangelho destas liturgias que é lido de uma maneira dialogada. Estes são os dois momentos que temos para ouvir, no discurso de uma assembléia litúrgica, esta parte do Evangelho. Com a semana Santa, estamos no meio do ápice, do altíssimo ponto do tempo da quaresma; o tempo no qual Jesus realmente começa a sua viagem de sofrimento, morte e ressurreição. Mesmo assim esta celebração se caracteriza por um clima de festa e triunfo. A celebração começa com o povo aclamando Jesus, Hosana, mas vai terminar com crucifica-o, que também não é um contrassenso, mas o coração do mistério, que Jesus entregou a sua vida voluntariamente e não por causa das forças maiores que ele. Que era a vontade do Pai que o Filho entregasse a sua vida pelo amor dos homens e quando chegou a hora, Jesus simplesmente obedeceu à vontade de Deus e não a vontade dos homens.
A celebração deste domingo recorda da humildade de Jesus, um tema que é muito claro nas leituras de hoje. Antes de ser enviado, ele já existia e tinha condição divina com Deus. O profeta fala sobre uma pessoa misteriosa que se chama “o servo de Javé” e esta pessoa tem a missão de salvar o seu povo da escravidão. Isaías se atuou no dia da escravidão na Babilônia, ele viu que os exilados estavam desanimados, frustrados e decepcionados, que ele precisava animar, encorajar e consolar. Com esta missão do profeta, ele conta a historia do “Servo de Javé” que vem para salvar o seu povo. A missão do “servo de Javé” não é nada fácil, então Deus lhe prepara, dando-lhe as qualidades que podem ajudá-lo a cumprir a sua missão. Ele é um bom orador, determinado, não tem medo de dificuldades. Ele vai encontrar resistência, hostilidades e violência, mas no meio destes sofrimentos permanecerá firme na fé e cumprirá a sua missão, porque é a vontade de Deus.
A pergunta que escolares bíblicos de ontem e hoje fazem é a personalidade deste “Servo de Javé”. Quem é esta pessoa que deve salvar o seu povo da escravidão, e que tipo de escravidão? Escravidão simplesmente não significa ser deportado de seu país para outro país politicamente para ser um servo, mas também qualquer coisa que domina nossas vidas como nossos vícios e qualquer pecado. Até hoje o povo de Israel está esperando a chegada do “Servo de Javé”, mas para os cristãos o “servo de Javé” já veio e já cumpriu a sua missão e nós estamos desfrutando já os frutos da sua missão.
O evangelho deste domingo nos fala que os discípulos de Jesus e os primeiros cristãos estavam e ainda estão convencidos que “o Servo de Javé” no discurso de Isaías no Antigo Testamento se manifesta na pessoa de Jesus Cristo que foi fiel a Deus e entregou a sua vida para a salvação não somente do povo de Israel, mas para o mundo inteiro.
Os quatro evangelhos que nós temos hoje nas Sagradas Escrituras com seus evangelistas não têm a meta de narrar a biografia ou a história da vida de Jesus, e por isso não começaram com o nascimento de Jesus. Toda esta história do Evangelho começou com a morte de Jesus; esta parte que nós escutaremos nestes dias. Isso é muito importante porque faz os evangelhos uma catequese que tem o motivo de incentivar e aumentar a nossa fé na história da salvação. Por isso que a concordância entre os quatro evangelistas é, nessas narrativas, muito maior do que o resto do Evangelho.
Uma pergunta que dentro da nossa ignorância como crianças fazíamos cada vez que nos assistíamos um filme ou a dramatização da paixão de Cristo que ainda devemos continuar refletindo é a pergunta de quem matou Jesus, quais são os responsáveis pela morte de Jesus, porque eles mataram um homem que não fez mal algum? Quem é responsável pela morte de Jesus; os judeus ou os romanos? Por qual motivo que Jesus morreu: motivo religioso, porque seus ensinamentos situavam-se fora do esquema religioso dos mestres da lei e da ideologia do Templo ou por motivo político, porque estava sendo um agitador social, incitando o povo contra os líderes e contra Roma. Nós podemos dizer que Jesus morreu por motivos religiosos e políticos porque o fato é que estes motivos coincidiram na sua morte e nós podemos continuar culpando os chefes, os fariseus, os mestres da lei que já morreram, mas o fato é que este assunto ainda continua hoje e nós precisamos explicar por qual motivo era necessário que o Filho do homem morresse. Se depois de quantos anos depois da sua morte e nós ainda estamos em busca do responsável pela sua morte, quer dizer que o acusado ainda existe hoje. Por causa disso que precisamos continuar com a nossa curiosidade de infância como adultos para descobrirmos o responsável pela morte de Jesus. Há muitas histórias dentro da narrativa que parecem desnecessárias, mas nos ajudam muito a realizar o nosso sonho de infância, como a história da traição de Judas a negação de Pedro, o lavar as mãos de Pilatos, a preferência por Barrabás e os dois ladrões. Mesmo que estas histórias parecem não ter muito importância, é aqui que nós achamos a explicação de tudo, a realidade que levou Jesus à Cruz. O nosso pecado levou Jesus à Cruz e Jesus levou o nosso pecado à Cruz.
Por que nós estamos procurando os responsáveis pela morte de Jesus; para matá-los, condená-los? Como Davi, furioso procurando o responsável pelo crime na história que o profeta lhe contou, dizendo que o acusador deve morrer e o profeta simplesmente responde: “Tu és esse homem”. Muitas vezes somos bem rápidos em acusar os outros, enquanto que o problema é nosso. Se Judas não traísse Jesus. Se Pedro não negasse Jesus. Se Pilatos não lavasse as mãos, Jesus não morreria, e assim nós vamos. O problema sempre é do outro.
Hoje há muitas pessoas que estão sofrendo e perseguidas como Jesus por causa da justiça. Estes casos só recordam a trajetória de Jesus que coloca o processo de Jesus ainda em andamento. Precisamos humildemente aceitar o fato que ainda há muitos inocentes que sofrem pelos crimes e pecados que eles não cometeram e estas pessoas que nós acusamos na história de Jesus não estão vivos hoje para nós acusarmos novamente.
A segunda leitura fala sobre esta humildade que levou Jesus a ceder a sua posição no lado do Pai e assumir uma condição humana aqui na terra. Paulo teve dificuldade com os Filipenses, uma comunidade que inicialmente era muito fiel e deixava Paulo orgulhoso. Mas, eles tinham um problema de autoridade, com cada um pensando que era mais importante que o outro. Queriam praticar alguns ministérios dentro da comunidade que davam respeito e honra. Ninguém era humilde para assumir qualquer tipo de ministério. Então Paulo fala aos Filipenses, “Não façam nada por competição e por desejo de receber elogios, mas por humildade cada um procure não o próprio interesse, mas a interesse dos outros. Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus”. (Fl. 2,3-5). Este é o exemplo que devemos seguir como cristãos; a humildade e o amor de Jesus para conosco, que ainda, quando éramos pecadores, ele desceu e morreu pelos nossos pecados, ele deu a sua vida por nós e nós precisamos dar as nossas vidas pelos outros.

MISSA DO QUINTO DOMINGO DA QUARESMA
O quinto domingo da quaresma é uma indicação que estamos chegando o momento mais alto da vida de Jesus, o momento que ele vai entregar a sua vida para que a Salvação de Deus possa atingir os confins da terra. Um dos temas principais de João que nos preparam para este momento é o tema da “Hora”, que começa já no início do Evangelho com o casamento em Caná onde Jesus fala sobre a sua hora que não chegou ainda. Jesus fala que sua hora não chegou, pois só acontecerá na sua paixão, morte e ressurreição, quando ele vai nos reconciliar com Deus.
A primeira leitura que vem do livro do profeta Jeremias é bem conhecida como uma das passagens mais profundas das Escrituras que mexe com a pessoa. Ela fala sobre a Nova Aliança. Nestes dias do tempo da quaresma, falamos bastante sobre a Aliança de Deus com o ser humano começando com a aliança entre de Deus e Noé até a aliança entre Deus e o povo de Israel que aconteceu no monte de Sanai, cujo resultado é os dez mandamentos. No tempo do profeta Jeremias, o reino do Norte já foi derrubado pelos Assírios. Por que o reino de Israel foi derrubado, será que Deus não se lembrou do seu povo, por que Deus deixou esta Catástrofe atingir o seu povo? A primeira leitura vai tentar explicar o porquê esta calamidade atingir o Reino de Israel. O Reino de Israel foi destruído porque ele não guardou a aliança de Deus com Israel que aconteceu no monte de Sinai. Israel desobedeceu aos preceitos de Deus e por causa disso que ele está passando por tantos sofrimentos e calamidades. Este fato eventualmente acontecerá com o reino de Judá também. Nesse momento difícil, o profeta só vê um futuro cheio de esperança. Deus realizará uma aliança nova com seu povo. Já que a aliança antiga não deu os resultados necessários, o povo merece uma nova oportunidade, uma aliança nova que promoverá fraternidade entre os seres humanos, fidelidade na parte do povo a Deus.
Esta aliança nova só aparece aqui no Antigo Testamento e vai mostrar qual é a diferença entre ela e a aliança antiga. Jeremias mostra o tipo de ruptura que acontecerá na história do povo de Israel com esta aliança nova através da intervenção de Deus. A aliança antiga foi escrita nas pedras e por causa disso não conseguiu penetrar o interior do povo, a lei foi uma coisa externa, mas a aliança nova não será como a antiga. Desta vez, a aliança será escrita nos corações do povo. O coração se torna um caderno, material para escrever, deste jeito a lei ou o pacto se torna parte do ser humano. Agora que a aliança está escrita em todos os corações, não terá a necessidade de Moisés, dos Sacerdotes, dos Profetas e dos mestres da lei. O povo não precisará mais de mediações nem da lei externa, porque Deus intervirá direitamente com seu povo.
Mas, qual é exatamente a relação entre as duas alianças? Já falamos sobre a mudança radical que vai ter entre as duas alianças, mas basicamente são iguais. O autor e iniciador tanto da aliança antiga como a aliança nova é o próprio Deus. O povo é o mesmo nas duas alianças em que Ele exige as mesmas atitudes e comportamentos na parte do povo; obediência e fidelidade. Então, que novidade tem nesta aliança nova? A novidade da aliança nova não se encontra nas essências da aliança, mas o como realizar e os meios para realizar a aliança. Esta aliança não será quebrada como a antiga, porque todo mundo será fiel. Como que isso pode acontecer? Porque seremos novas criaturas de Deus, através da transformação do nosso interior, nós não teremos mais um coração de pedra, mas um coração de carne e isso explica o porquê a nossa obediência e fidelidade total à aliança de Deus dentro da nova época. O que Jeremias está vendo é uma realização plena do projeto de Deus. A humanidade nova em que as estruturas do poder são superadas pela fraternidade, as estruturas econômicas derrubadas pela partilha dos bens de Deus entre todos. Numa sociedade, onde todo mundo se sente bem, onde não tem descriminação, egoísmo, rancor, mas paz e sossego. Isso acontecerá quando nós nos reconciliamos com Deus e com os nossos irmãos através da ressurreição de Jesus.
Já chegando perto do fim do tempo quaresmal, o anúncio da paixão, morte e ressurreição de Jesus, fica cada vez mais forte e isso é bem salientado no Evangelho deste Domingo. Poucos dias antes da festa da Páscoa dos judeus com todo mundo subindo para Jerusalém, uns gregos que se converteram para o judaísmo se aproximam de Filipe pedindo ajuda para ver Jesus. Filipe junto com André avisa Jesus sobre a intenção dos gregos. Um acontecimento banal, mas o evangelista, dá muito valor. Para João, ver Jesus não é simplesmente conhecer a fisionomia de Jesus. Imagina quando os discípulos de João foram até Jesus e lhe perguntaram onde ele morava, a resposta de Jesus era “venham e vocês verão”. Estes gregos já ouviram falar de Jesus, agora eles queriam ter uma experiência com Jesus, queriam aprender de Jesus e serem também seus discípulos. Filipe e André conheceram Jesus através da pessoa de João Batista, foram atrás de Jesus e viram onde morava, e levaram Pedro também para conhecer Jesus e nunca pararam de levar ainda mais outros, para conhecer Jesus. Este é o significado de ser discípulo missionário. Hoje, há muitas pessoas que ainda querem conhecer Jesus, o que nós estamos fazendo para levar estas pessoas até Jesus?
Já falamos sobre o assunto do horário que é muito importante para João. O Evangelho de João é dividido em duas partes; a primeira parte fala sobre o horário e a segunda fala sobre a chegada da hora. Por isso que no casamento em Caná, ele fala sobre a hora dele que não chegou ainda. Em Capítulo sete (7) a mesma idéia será repetida que queriam prendê-lo, mas ninguém pôs a mão nele, porque ainda não tinha chegado a sua hora (Jo. 7,30). Agora, o evangelho deste domingo nos fala sobre a chegada da hora, em que o Filho do Homem será glorificado. Então o foco do evangelho com este tema do horário está na glorificação do Filho do Homem, o retorno ao Pai na crucificação. Jesus foi enviado pelo Pai para realizar esta missão. A significância do ministério de Jesus é revelar o Pai ao mundo e trazer as bênçãos da aliança, que aliança antiga não conseguiu. A hora vem e já chegou segundo o evangelista para Jesus realizar a sua missão, para Jesus alcançar a sua meta de reconciliar a humanidade com si mesma e com Deus.
Jesus na sua resposta aos discípulos faz uma comparação entre a sua vida e a semente. Do jeito que a semente precisa entrar no solo, morrer para produzir frutos, do mesmo jeito que ele precisa morrer para produzir frutos. Pessoas que querem trazer uma mudança, uma nova vida, precisam ter a coragem para morrer, quer dizer, entregar suas vidas pelo amor de seus irmãos. Jesus não somente fala, mas, coloca suas palavras em ação. Então estas palavras de Jesus serão realizadas com a sua vida pendurada na cruz. Estas palavras de Jesus nos mostram a importância de sacrificar algumas coisas para alcançar nossas metas na vida. Para passar num concurso, precisamos sacrificar muitas coisas, quer dizer, precisamos morrer; deixar algumas coisas de lado como saindo com amigos, se divertindo, sacrificar televisão especialmente as novelas e o nosso sono para chegar onde sonhamos chegar. Jesus está pronto para entregar a sua vida por causa de mim, e será que estou pronto para morrer com ele, o que vou entregar da minha vida para salvar a vida do meu irmão?

MISSA DO QUARTO DOMINGO DA QUARESMA
Como podemos explicar a ideia, de que Deus ama aqueles que lhe amam, andam no caminho certo, seguem seus preceitos e amaldiçoam aqueles que lhe rejeitam e recusam de seguir seus mandamentos?
Será que esta ideia, ainda ocupa um espaço dentro dos nossos pensamentos ou não?
É necessário que reflitamos um pouco, sobre esta ideia para saber o quanto nós alimentamos, ideias antigas, que não tem importância nenhuma, para nós. Falo assim, porque esta ideia da retribuição de Deus, para com seus filhos, foi encontrado na primeira leitura do domingo passado, onde ela deixou bem claro que Deus é severo para com as pessoas que lhe odeiam e o rejeitam, mas ama aqueles que obedecem os seus mandamentos. Agora a mesma ideia se encontra na primeira leitura deste domingo. Esta ideia é tão forte no antigo testamento, mas como já falei no domingo passado, Jesus ensina que Deus não está interessado na condenação de seus filhos, mas sim que os filhos se arrependam de seus pecados, se converta e viva. Esta é a nossa esperança, por isso que na primeira leitura, conta a historia da destruição de Jerusalém, acaba com o anuncio de uma esperança.
A história do segundo livro de crônicas, cita a historia do povo de Israel, especialmente a destruição do templo e a cidade de Jerusalém e como o povo foi deportado para Babilônia, como escravos. Porque todas essas calamidades e problemas para o povo de Israel?
A leitura faz uma explicação para os problemas do povo de Israel. Por que Israel está sofrendo? Por causa dos seus pecados. Os muros de Jerusalém estão no chão porque Israel não escuta as palavras de Deus através dos seus mensageiros. O negligencia e desprezo do profeta de Deus provocou a irá de Deus contra o povo de Israel. O povo de Israel não respeitou a palavra de Deus que nós escutamos semana passada, os seus mandamentos, os seus preceitos e princípios, porque Israel não observou o dia de sábado e continuou trabalhando, Deus iria descontar tudo aquilo por meio da deportação do povo. Deste jeito a terra iria repousar durante todos os dias da deportação de Israel. Claro que esta parte, da leitura, nos provoca a refletir sobre o jeito que nós tratamos os profetas de Deus hoje e principalmente a sua palavra. De que jeito nós tratamos o homem de Deus em nossa comunidade? Vamos lembrar que a palavra de Deus sempre é independente do homem de Deus. A eficácia da palavra não depende da santidade do profeta ou do homem de Deus, senão a palavra do profeta Jonas não iria ter efeito nos Ninivitas. Enfim, não precisamos tratar o profeta mal dentro da comunidade senão nos vamos sempre provocando a irá de Deus sobre nós e nossos filhos.
Esta missão de ser um profeta de Deus, de ser um homem de Deus não é uma brincadeira e por causa disso que a historia de vocação e chamado de todos os profetas no antigo testamento, sempre tem um relatório de rejeição na parte do profeta para assumir esta responsabilidade do profeta. Hoje, quantos filhos, da nossa família e da comunidade querem assumir esta responsabilidade. É por causa disso que nós, precisamos respeitar os homens de Deus, tratar eles bem e rezar por eles, para que eles sejam realmente verdadeiros homens de Deus.
Quanto à palavra de Deus, é a única coisa que nós mais precisamos hoje. Precisamos desta palavra mais do que nunca, porque estamos cansados com as outras palavras que não nos levam para nada. É preciso saber como viver e conviver com os outros, como amar. É só a palavra de Deus que pode nos ensinar isso. A palavra de Deus é a nossa inspiração que nos ajuda a alcançar a vida eterna e justiça. Como o profeta Amós falou, hoje, todo mundo tem fome, mas não é de comida, mas sim fome para ouvir a palavra de Deus.
Imagina que a história de Israel não termina em uma desgraça, mas sim com o anuncio de uma esperança, a reconstrução do tempo, que permitiu ao povo reconstruir a identidade, apesar de seus pecados, fraquezas e limitações. Este é o encorajamento para mim, você e a família.
Apesar de a nossa história ser uma historia precária, de pecados e de mau gosto, sempre vai terminar bem, vai terminar dando certo.
O evangelho vai seguindo a mesma linha da nossa reflexão. Deus não quer que os homens se percam, ele não tem o prazer de condenar os homens, ele manifesta todo o seu amor através do seu filho único para salvar e dar a vida a todos.
João interrompe o discurso de Deus mandando seu filho para trazer a vida ao mundo e coloca o aspecto escatológico dele no meio da narrativa, deste jeito, ele faz a conexão entre acreditar, alias a nossa fé em seu filho e não sendo julgados, mas tendo a vida eterna.
Parece que há um tipo de tipologia do antigo testamento dentro desta narrativa. Mesmo que João não olhe para a morte de Jesus como um sacrifício, ainda podemos fazer uma comparação, entre Jesus e Isaac, que era o único filho de Abraão, e que ele amava tanto, mas estava pronto para sacrificá-lo.
A expressão “Pois Deus amou tanto o mundo, que deu seu filho unigênito”, tem o sentido de sacrifício. O que não foi possível em Isaac se cumprir em Jesus. Mas como será este sacrifício de Jesus? Ele nos recorda no Evangelho sobre aquele evento que aconteceu no deserto com o povo de Israel quando Moisés ergueu uma cruz com uma serpente e quem olhava para esta serpente erguida na cruz sobreviviam às mordidas das serpentes. Jesus fala que a sua vida será entregue do mesmo jeito, e quem olha para ele será salvo. Agora olhar para Jesus na cruz não significa literalmente um olhar, mas como o Evangelho fala; acreditar em Jesus. Olhar para Jesus significa muita coisa, não é apenas admirar ele, mas acreditar nele, agir como ele, entregar nossas vidas pelos nossos irmãos como ele fez na cruz. Este é o ato de amor total que ele deixa como exemplo para cada um de nós. Para ganhar a vida eterna, a nossa vida tem que ser em conformidade com a vida de Jesus, colocando a nossa vida em serviço dos nossos irmãos.
A presença de Jesus neste mundo deve trazer a vida ao mundo com o Evangelho deste Domingo fala, mas será que isso é o caso? Parece a presença de Jesus no mundo incomoda, pois ele coloca o mundo em julgamento, como ele mesmo fala no Evangelho de Mateus, “Não penseis que eu vim trazer paz à terra; eu não vim trazer a paz e sim a espada”. Então entendemos o porquê a presença de Jesus está provocando conflitos e divisão no mundo? Do jeito que existe conflito entre a luz e escuridão, do mesmo jeito que vai existir conflito entre quem acredita nele e quem não acredita nele porque as atitudes dos dois serão sempre opostas. Quem olha para Jesus sempre vive no amor, está em favor da vida e participa sempre na luz divina e no Reino de Deus já aqui na terra. Por isso que nós precisamos sair da escuridão dos nossos pecados, precisamos sair das algemas dos nossos interesses próprios e do nosso egoísmo e participar com Jesus nos seus sofrimentos, erguer a nossas cabeças olhar para ele na cruz e participar na sua glória.

MISSA DO 3º. DOMINGO DA QUARESMA
A primeira leitura deste domingo falando sobre os dez mandamentos de Deus que encontramos do livro de Êxodo e também Deuteronômio me faz lembrar os meus votos de castidade, pobreza e obediência. Estes três votos não são muitos como os dez mandamentos, mas também ainda podem ser resumidos. Tentei resumir estes votos e cheguei o ponto de dizer que estes votos podem ser resumidos para o voto de obediência que me parece à essência de todos os votos. Se eu conseguir cumprir o voto de obediência, claro que vou obedecendo também os votos de pobreza e castidade. Por que falamos sobre isso? Porque olhando para os mandamentos que são dez e depois os mestres da Lei e os fariseus formulando regrinhas de cada Lei que vão aumentando os mandamentos; podem nos decepcionar e nos desencorajar a seguir os preceitos de Deus. Exatamente por causa disso que Jesus tentou resumir toda a Lei. Primeiramente ele resumiu a Lei em dois mandamentos; Amar a Deus e ao próximo. Depois ele vai resumir ainda estes dois mandamentos em um só mandamento; Amar o próximo como a si mesmo. Com isso, São Paulo dirá; amar uma pessoa é cumprir toda Lei. A primeira carta de João fala; se alguém afirmar: “eu amo Deus”, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão. (I João 4, 20-21). Com isso, percebemos que toda a Lei é resumida no amor. Amor exige mais de mim que os mandamentos porque os mandamentos não pedem para eu amar os meus inimigos, amar incondicionalmente, entregar a minha vida pelos outros, ser generoso com os pobres, partilhar os meus bens para com os outros. Isso mostra as limitações dos mandamentos que nós temos no Antigo Testamento. Mesmo assim, sabemos a importância destes mandamentos e por causa disso que tínhamos e ainda temos que aprender e assimilá-los em nossos corações.
Em primeiro lugar vamos dizer que estes mandamentos não são originais do povo de Israel. Antes que Moisés desceu da montanha com os mandamentos, as nações pagãs em volta de Israel já tinham suas leis próprias, mas os mandamentos destas nações eram mais pessoais ou próprios do povo. Mas, olhando bem o código de Israel, o autor é o próprio Deus que os tirou da escravidão. O código é de Deus, as instruções vêm de Deus. Então, quem aceita os mandamentos está simplesmente dizendo sim para Deus e não para um governador, ditador que não sabe o que é o sofrimento e a dificuldade do povo. Este Deus é o libertador do povo, que sempre está junto do povo, que não aceita escravidão e por causa disso o tirou da escravidão, daquele mestre que só oprimia a vida do povo. Quem segue os mandamentos está fazendo isso não porque ele tem medo, não porque ele está ameaçado, não porque quer evitar o castigo de Deus ou porque ele está obrigado, mas porque ele confia em Deus, ele ama Deus através do seu amor pelo próximo.
Para mostrar a importância dos mandamentos, Deus lhes apresentou dentro de uma Celebração e momento solene. O povo já sofreu bastante e estes mandamentos vão possibilitar o povo formar uma relação social, cultural, religiosa e política. Deste jeito todo mundo pode viver promovendo a dignidade e liberdade da vida e construindo uma sociedade onde há espaço para todo mundo. Então dentro dos mandamentos temos princípios que orientam para uma nova compreensão e prática de vida. Assim podemos entender melhor e que Jesus falou; “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”. Os mandamentos foram feitos para ajudar o ser humano para conviver com o outro em tranqüilidade e paz.
Interessante para nós hoje e especialmente durante este tempo de quaresma é o aspecto da severidade e misericórdia de Deus. Que ele é severo para com as pessoas que lhe odeiam, para com as pessoas que lhe rejeitam. Ele castiga até a terceira e quarta geração destas pessoas. Durante este tempo da quaresma, nós somos chamados à conversão, no qual caminha, estamos andando no momento, então porque nós precisamos nos preocupar com a severidade de Deus? E mais importante é que o Novo Testamento nos ensina que o nosso Deus não está interessado na condenação de um filho, mas que o filho se arrepende de seus pecados, se converte e vive. Mas, ainda este trecho nos mostra que o pecado não é somente o ato de desobediência dos mandamentos de Deus, mas também as conseqüências do ato. Por causa disso, que o castigo pode atingir até a terceira e quarta geração. Agora, mais importante para nós, é a misericórdia de Deus para com as pessoas que guardam seus mandamentos. Durante este tempo, o que nós precisamos mais é a sua misericórdia e já sabemos o que nós precisamos fazer para conseguir a sua misericórdia. Seguir os mandamentos especialmente o nosso amor pelo próximo.
O Evangelho de hoje nos apresenta o homem que se coloca como modelo, exemplo para aqueles que querem realmente seguir os mandamentos de Deus, que não aceitará aquele sistema ou instituição que explora o outro. É tempo da Páscoa e todo judeu fiel está subindo para Jerusalém. Este é um tempo muito propício para fazer dinheiro porque durante a Páscoa a população de Jerusalém aumenta radicalmente e os comerciantes tiram vantagem da situação para fazer muito dinheiro. Os comerciantes fazem mais dinheiro durante este período que o resto do ano. Já três semanas antes da Páscoa, o pátio do templo se torna um lugar de negócios porque todas as pessoas que sobem para Jerusalém vão ao templo para agradecer a Deus pelas suas vidas e também fazer sacrifícios. Pessoas que vêm de longe não conseguirão carregar seus animais para fazer os sacrifícios, então preferem comprar os animais em Jerusalém. É dentro desta situação que Jesus se encontra. A casa de oração se torna lugar do comércio e poder. Imediatamente Jesus entra no templo e vê o que está acontecendo, ele faz um chicote com cordas, claro com raiva, começa a expulsar todo mundo dentro do templo, jogando tudo que ele encontra no seu caminho para chão. Jesus tem muita coragem para fazer isso, causando confusão dentro do templo. Este Jesus é bem diferente daquele Jesus que os evangelhos normalmente nos apresentam e tenho certeza que ninguém gostaria de se relacionar com este tipo de Jesus. Mas, Jesus pode ter razão de agir assim.
O evangelho fala que ele está agindo assim porque o templo é um lugar de oração e não um lugar de comércio. Este ato do povo é tão sério que Jesus é obligado a expulsar o povo com chicote na mão. A ação de Jesus vai também cumprindo as palavras do Profeta Zacarias que nos dias do Messias, não haverá mais comerciantes dentro do templo de Javé dos exércitos. Essas são as últimas palavras de Zacarias. Então, Jesus quer dizer que o tempo messiânico já chegou e está na hora de parar de fazer a casa de Deus o centro comercial de Cidade Leste do Paraguai. Religião não tem nada a ver com economia e não podemos usar a casa de Deus para fazer lucro, usando o evangelho ou a palavra de Deus para ganhar em cima dos outros, matando outros em nome de Deus. Deste jeito, Jesus denuncia opressão e exploração dos pobres pelas autoridades religiosas. As nossas comunidades têm que ser conscientes sobre isso.
Os judeus pedem sinal de Jesus para mostrar o porquê ele está agindo assim. Os judeus querem saber qual é a autoridade de Jesus. Diferente do evangelho de Mateus onde Jesus dá o sinal de Jonas, aqui Jesus pede para eles destruírem o templo e ele o levantará em três dias. Literalmente, este pedido de Jesus é absurdo, mas claro que Jesus não está falando sobre a estrutura do templo, mas o templo espiritual onde Deus será adorado em espírito e verdade como ele falou à mulher samaritana que recusou dar lhe água. Este templo para João é o corpo de Jesus que resuscitou dos mortos. Para outros, é a comunidade cristã reunida em nome de Jesus. Para mim e você, qual é este templo? Ou é o corpo de Jesus ou a comunidade cristã, o fato é que Jesus parece sinônimo com o templo. O templo jamais existiria sem Jesus e a vise versa. Então, o mais importante para mim é como adorar o meu Deus durante este tempo da quaresma em espírito e verdade que pode acontecer dentro da comunidade cristã onde a comunidade representa o corpo de Cristo.

MISSA DO 2º. DOMINGO DA QUARESMA

Refletimos bastante sobre o assunto da aliança no Domingo passado com a primeira leitura falando sobre a aliança entre Deus e a humanidade representada pela família de Noé e os animais que se salvarem dentro da Arca que Noé construiu. Lembrando que deixemos bem claro que esta aliança não é a primeira e última vez de Deus está entrando numa aliança com o ser humano, onde nós citamos uns exemplos como a aliança entre Deus e Abraão e seus descendentes. Justamente aquela aliança é a da primeira leitura deste domingo. O centro da história não é da aliança e nem o sacrifício do filho, mas da fidelidade de um homem que foi chamado a ser o fundador e o pai de um povo e de uma nação.

Abraão na sua vida tinha que passar por muitas provas e esta prova do sacrifício do seu filho é o maior entre as provas da sua vida. Esta história apresenta Deus como o Senhor Cujas exigências são absolutas, a sua vontade e inescrutável e a sua palavra final é graça. Na parte de Abraão, ele se mostra aquele homem de moral, o fundador de Israel que precisa encarar Deus, pronto para obedecer a palavra de Deus em todas as suas formas e exigências.

A primeira coisa estranha desta história é como Deus pode pedir uma coisa dessas de um ser humano sacrificar o seu filho. Mas também vamos deixar bem claro que este é o único momento que isso está acontecendo no livro do Gênesis e no Pentateuco. Apesar disso, o sacrifício humano era comum na época de Abraão, não querendo dizer que esta barbaridade ainda existe em uns lugares no mundo hoje. Na época de Abraão, pessoas sacrificavam coisas mais importantes das suas vidas para acalmar ira dos deuses ou para desviar uma calamidade que os deuses ameaçaram ou também em agradecimento pelos favores que vieram dos deuses. Então Abraão sacrificando o seu filho não é estranho, mas a pergunta é de onde veio o pedido, será que foi da intuição e imaginação de Abraão, foi um sonho que ele teve ou Deus lhe chamou realmente como nós ouvimos na primeira leitura e qual foi a conversa que levou os dois até este ponto de planejar a morte de um filho?

É aqui nós entendemos o porquê a fidelidade de Abraão é o centro da história. Abraão está simplesmente convencido que Deus está pedindo o sacrifício do seu filho único em holocausto. A leitura fala que o filho único, mas isso pode ser um exagero porque nós sabemos muito bem que Abraão teve filho antes que Isaac nasceu; então ele não é o filho único, mas o filho de sua mulher legítima, o filho que Abraão amava tanto, portanto o filho predileto. Já falamos que as pessoas só sacrificavam coisas muitos importantes das suas vidas e a coisa muito importante na vida de Abraão no momento e este filho Isaac. Pode ser que Abraão tinha pensado em fazer um sacrifício muito importante para Deus e o objeto do sacrifício caiu do seu filho que era a coisa mais valiosa da sua vida.

A outra coisa que explica a fidelidade de Abraão é a sua entrega total nas mãos de Deus. Imagina as palavras de Abraão quando Deus lhe chama: “Aqui estou”. Esta é uma frase de uma disponibilidade completa. Ele sabe muito bem que como fundador de um povo, ele precisa confiar em Deus, ele precisa se colocar nas mãos de Deus. A sua vida tem continuação na vida do seu filho, o futuro da família de Abraão depende da vida de Isaac, mas ele está pronto para sacrificá-lo porque ele acredita em Deus.

Abraão nos ensina muita coisa porque muitas vezes falamos também que acreditamos em Deus, mas quando chega o momento de provar isso, nós enfraquecemos. Enquanto que a nossa fé não exige nada de nós, tudo está tranqüilo, mas imediatamente, que alguma coisa é exigida, nós percebemos o quanto fraco nós somos, o quanto infiéis que nós somos.

A fé de Abraão é como um homem cego que se coloca nas mãos do outro acreditando totalmente no outro. Ele deixou a sua casa, seus familiares, ele cortou todos os laços do seu passado para viver uma vida nova totalmente dependente de Deus, porque ele acreditou na promessa de Deus. Ele sempre tinha esperança em Deus. Até que o filho questiona sobre o animal para o holocausto e a resposta simples de Abraão é que Deus vai providenciar. A promessa de Deus não quer dizer que não passaremos por dificuldades e problemas. Estes momentos difíceis só vão fortalecendo a nossa fé como fez com Abraão e que precisamos agir como Abraão durante este tempo da quaresma colocando nossas vidas nas mãos de Deus, o deixando fazer de nós o que Ele quiser e repetindo as palavras de Abraão, quando Deus nos chama: “Aqui estou” ou simplesmente dizer que Deus vai providenciar.

Semana passada eu estava tentando explicar a relação entre o Antigo Testamento e o Novo Testamento, que tudo o que ocorreu no Antigo Testamento, era em preparação para o Novo Testamento. O Novo Testamento não tem sentido sem o Antigo Testamento e vice versa. É justamente isso que o Evangelho esta tentando explicar com a transfiguração de Jesus na montanha com Moisés e Elias ao lado dele. Moisés representando a Lei e Elias os Profetas. Moisés e Elias são grandes personalidades do Antigo Testamento e a presença deles na transfiguração é para testemunhar que Jesus é o Messias. O Antigo Testamento fala que Elias não morreu, mas foi levado ao céu e o povo de Israel acreditava que ele voltará para apresentar o Messias ao mundo. Moisés fez uma promessa para o povo de Israel que Deus mandará um profeta igual ele que o povo deve escutar. Então os dois estão presentes para dizer que o Messias, aquele profeta sobre quem eles falavam, na verdade é Jesus. Por isso que no Evangelho de Mateus, Jesus fala: “Não pensem que eu vim abolir a Lei e os profetas. Não vim abolir, mas dar-lhes pleno cumprimento”. Mt 5,17

O evangelho fala que quando Pedro viu os dois com Jesus, ficou assustado, claro com o que ele viu e não saber o que dizer falou para Jesus; “Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”. Será que o Pedro não sabia mesmo o que estava falando? Estas palavras de Pedro são simbólicas, pois são palavras que nos recorda do passado de Israel, dos dias que Israel vivia a vida de nômade, andando de um lugar para o outro em busca de pastagem para seus animais. Israel naquela época dormia qualquer lugar onde ele montava sua tenda. Quando Israel saiu daquela vida, ela comemorava cada ano depois da colheita uma semana inteira e esta festa era conhecida como festa das tendas, uma festa que recordava o passado, mas também olhava para o futuro. Era um momento de alegria, que todo mundo estava parado para festejar. Pedro está pensando sobre isso. Para ele, está na hora de parar e festejar porque ele já viu a glória de Deus. O que Mais que ele precisa, além disso? Mas Jesus não aceita a proposta de Pedro e fala para os discípulos: vamos descer para baixo da montanha porque tem muito trabalho ainda para realizar, tem melhores coisas ainda para ver. O que aconteceu na montanha é pouca coisa têm melhores coisas ainda para frente. Então vamos para frente!

Pedro é um bom exemplo para nós deste Domingo e neste tempo da quaresma. Ele sempre mostra a sua humanidade, a sua fraqueza e os seus limites. Ele está pronto para aprender e não tem vergonha de dizer que ele não sabe de tudo. Estas palavras de Pedro só mostram como limitado ele é, e nos não somos diferentes de Pedro porque muitas vezes ficamos parados como ele está querendo.

Mesmo que Pedro está sendo sincero aqui, não faz sentido seguir as suas palavras. As palavras mais certas são as de Jesus. Ele está indo para Jerusalém onde ele vai manifestar a maior glória de Deus. Vamos com ele, passando por as mesmas dificuldades dele, sofrendo com ele e morrendo com ele, para que nós possamos participar com ele na sua glória quando ele ressuscitar.

MISSA DO 1º. DOMINGO DA QUARESMA
Já estamos no primeiro domingo da quaresma, o tempo de preparação intensiva, a caminhada, a participação com Jesus em seu sofrimento e a morte a fim de participar com ele da sua glória após da ressurreição. O tema principal que vai aderindo às leituras deste domingo é a destruição do mundo governado pelo mal e a construção de um mundo novo cheio da paz, alegria e principalmente saúde, desde a Campanha da Fraternidade deste ano encoraja os fiéis a refletirem sobre saúde e fraternidade com o lema: “Que a Saúde se difunda sobre a terra”.

A primeira leitura via contando a história antigo sobre o dilúvio que lavou o mundo do pecado, de onde surgiu um mundo novo através da família de Noé e os animais que se salvaram dentro da arca. A segunda leitura pega o tema da primeira leitura sobre o dilúvio e faz uma comparação entre o dilúvio e o nosso batismo que também nos purifica dos nossos pecados, assim dando-nos uma nova personalidade e nova vida. O Evangelho vai completar a nossa reflexão deste domingo contando como que o pecado foi finalmente derrotado através de Jesus que se mostrou como o novo Adão.

A primeira leitura do livro de Gênesis fala sobre as conseqüências do dilúvio que supostamente destruiu o mundo. Supostamente, porque a história é mais uma fábula que tem uma lição muito importante para humanidade. Estes tipos de histórias existem em cada cultura, histórias que os pais vão contando para os filhos que vão também passando por seus filhos e assim as histórias vão tomando raízes dentro das várias culturas. Esta história do dilúvio não passa a ser mais uma destas histórias, mas isso não importa, o importante são as lições que nós podemos aprender da história.

A leitura fala sobre o pacto entre Deus e o povo do mundo e nós sempre escutamos sobre um pacto, uma aliança especialmente durante casamentos. O que é uma aliança? Os anéis que trocas durante casamento? O que é um pacto, convênio? Este fenômeno existia muito no antigo testamento e ainda existe hoje. Aliança é um contrato entre duas ou mais pessoas, celebrado solenemente perante dos deuses; contrato que é para a vida inteira. Antigamente as nações pequenas entravam nestes tipos de pactos ou alianças com as nações maiores, a fim de serem protegidas contra os inimigos. Dentro de um pacto, os partidos sempre têm responsabilidades e deveres e quem não cumpre o seu dever é punido. O pacto também sempre tem algo que simboliza a relação entre os partidos, isso pode ser uma troca de sangue que normalmente é conhecido como aliança de sangue, pode ser também do casamento onde os filhos dos partidos se casam para selar a união entre os pais ou as nações, ou outra coisa como o arco-íris na primeira leitura. Se este for o sentido que nós temos de uma aliança, então entendemos o que Deus está querendo fazer com os seres humanos. Deus está entrando numa aliança para não destruir o mundo mais. Esta aliança originalmente era somente entre Deus e Noé, mas agora é estendida para toda a humanidade. Isso não vai ser a primeira ou última vez, que Deus está entrando numa aliança com o ser humano. Recordamos que Ele entrará numa aliança com Abraão e seus descendentes.

Porque Deus está se preocupando tanto com o ser humano, porque aliança com ser humano? E porque justamente no primeiro Domingo da quaresma, primeira leitura nos recorda sobre esta aliança entre o Ser Humano e Deus? Para nos dizer que Deus nunca se esqueça de seus filhos, que Ele também não agüenta mais de ser acusado, culpado todos os dias, de abandonar os seus filhos? Esta leitura mostra que Deus não está longe de seus filhos. Ele se interessa com as atividades, a vida de seus filhos. Ele é como a mãe que chora por seus filhos, que quer o bem estar de seus filhos e vai fazer tudo para livrar o seu filho que está desviando do caminho certo. Deus mostra que Ele não está interessado em destruir, mas construir para dar a vida. O que destrói a vida vem do próprio ser humano e não mais de Deus.

Olhando bem para este pacto, parece uma coisa está faltando porque Deus não pediu nada em troca de entrar no pacto com o ser humano. Isso nunca acontece dentro de um pacto. Deus faz isso porque Ele não precisa nada de mim e de você, nem o nosso conselho. Ele faz isso por um amor puro e isso nos faz sócios de Deus, sócios para manter o mundo em paz e tranqüilidade, nós não somos, somente criaturas de Deus, mas também co-criadores que têm que continuar com a criação de Deus. Mesmo que Deus não está pedindo nada de nós, precisamos tomar consciência que nós temos um contrato com Deus e nós precisamos realizar nossa parte do pacto. Se este contrato fosse com outra pessoa ou com outro deus, nós iríamos pagar muito pela nossa desobediência, nosso revolto, a nossa negligencia e desrespeito dos termos da aliança. Imagina que nós fazemos contratos com pessoas que nós amamos, com pessoas que confiamos, com pessoas que respeitamos, mas Deus fez um contrato conosco quando nós ainda éramos pecadores. Este mostra a generosidade de Deus. Ele não espera para nós sejamos bons para nos amar. Ele nos ama como nós somos, porque sabe que seu amor vai transformando-nos em novas criaturas. Justamente isso que a segunda leitura está tentando ilustrar com a comparação entre a aliança e o batismo. A aliança nos faz novas criaturas assim como o batismo dá novo sentido para nossas vidas.

O Evangelho fala sobre as tentações de Jesus no deserto e claro que nós preferíamos escutar os relatos que vêm dos outros evangelistas sinóticos e não Marcos porque não conta bem detalhado este relato. Este Evangelho pode ser dividido em duas partes: o relato sobre a tentação de Jesus no deserto imediatamente após o seu batismo e o resumo de todo o ensinamento de Jesus. Este resumo não é estranho porque já escutamos estas palavras na quarta-feira de Cinzas quando o Sacerdote ou o ministro estava passando as cinzas nas nossas testas.

A idéia do Evangelho deste Domingo é que antes de começar com o seu ministério público. Jesus tinha que derrubar o diabo, a mesma idéia que os outros evangelistas também tentam passar com as histórias elaboradas deles sobre o diálogo ou debate entre Jesus e o Diabo.

O Evangelho fala que logo após do batismo, Jesus foi levado ao deserto pelo Espírito para ser tentado pelo diabo. Estranho que o mesmo Espírito que desceu sobre Jesus como pomba leva Jesus ao deserto a fim de ser tentado. Apesar disso, não é a primeira vez que uma pessoa com uma missão muito importante é tentada pelo diabo ou pelo próprio Deus. Abraão foi tentado pelo Deus e ele provou vencedor e se tornou Pai da Fé. Jó foi tentando pelo diabo com a permissão de Deus e conseguiu passar a sua prova. Jesus na sua vez é tentado pelo diabo, mas também com a licença de Deus desde foi o Espírito que lhe conduziu ao deserto. Jesus foi tentado porque ele tinha uma missão tão maior para purificar o mundo, para construir um novo mundo livre do mal. Esta missão libertadora de Jesus significa que Jesus tem que encarar e vencer o próprio mal. Como Jesus pode fazer isso se ele não luta contra o mal? É preciso que Jesus experimente o que a humanidade passa neste mundo para conseguir nos livrar das mãos do mal. Quando a gente compra um novo carro, a gente faz um “test drive”. Para fazer uma viagem longa com seu carro, você leva o carro para revisão não porque não acredita no seu carro, mas para assegurar que o carro está na boa condição para te levar aonde vai. Se o diabo não tem vergonha de tentar o filho do Homem que foi fortificado e aprovado através do batismo, quanto menos você e eu? Nós precisamos passar por estas tentações cada dia em nossas vidas e precisamos ficar atentos e expertos como Jesus. A luta de Jesus contra o mal não terminou ainda e como discípulos de Jesus precisamos continuar com esta luta.

O anúncio de Jesus; (as suas primeiras palavras no evangelho de Marcos) nos fala que este momento não é o momento de espera, mas o momento de agir porque o mal não está querendo se entregar e nós precisamos lutar até o fim. O único jeito que a nossa fé é provada é através das tentações como o ouro é provado no fogo. Quando conseguimos passar por tudo isto, tudo que nós podemos dizer é repetir as palavras de São Paulo: “Mas em todas essas coisas, somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou”. “Quem nos poderá separar do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada?… nem as forças das alturas ou das profundidades… nada pode nos separar do amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, nosso Senhor”. Rm. 8, 31-37.

Mais uma vez refletimos sobre as palavras de Paulo para seu discípulo e colaborador Timóteo. “Combati o bom combate, terminei a minha corrida, conservei a fé. Agora só me resta a coroa da justiça que o Senhor, justo Juiz me entregará naquele Dia” 2Tm. 4,7. Isso só é possível quando provamos que merecemos o Reino de Deus através do nosso arrependimento e conversão, quando nós fielmente viajamos com Jesus durante este tempo da quaresma sofrendo e morrendo com ele, para que possamos ressuscitar com ele na sua ressurreição.

MISSA DO 7º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Refletindo sobre as leituras deste domingo, o último domingo antes da quaresma, percebemos que o tema que aparece mais é o perdão e a misericórdia de Deus. Interessante que este tema também é um dos temas principais da quaresma, então porque este tema de repente, já que nós estamos bem perto da quaresma? No momento, quase todas as notícias falam sobre Carnaval enquanto que o Carnaval não chegou ainda. Como que isso pode acontecer? Acontece porque existe Pré-carnaval, um momento de preparação, de saborear um pouco o grande momento de Carnaval. Desde falaremos bastante sobre este tema de perdão e Misericórdia de Deus durante a quaresma, a Igreja e sua liturgia acham oportuno para refletir um pouco deste tema antes de entrar no tempo da quaresma.

A primeira leitura do livro do profeta Isaías vai refletindo sobre a situação de Israel que está na escravidão. Israel vai pensando sobre esta situação e fazendo uma comparação entre a situação atual e o passado. Deus lhe protegia, ajudava até lhe tirou da escravidão Egípcia. Deus era o protetor dos seus antepassados como Abraão, Isaac e Jacó. Então se Deus fazia tudo isto para eles, porque Ele não está fazendo o mesmo agora que eles precisam mais Dele? A culpa é de quem, de Deus ou deles? Será que Deus se enjoou deles? Quem está sendo infiel aqui, Deus ou eles? Esta leitura vai tocando outros assuntos como a identidade de Deus. Quem é este Deus que nós adoramos, que tipo de Deus que Ele é? Será que nós podemos dizer que Ele aja do mesmo jeito como os outros deuses, que sempre castiga seus filhos que desviam do seu caminho, um Deus que está bem longe e distante e tomando conta do mundo de onde Ele estiver? A leitura mostra que não tem nada misterioso e distante sobre este Deus e por isso que Ele é conhecido como o Santo. Quem está no trabalho é Ele, pois não se cansa em seu trabalho para redimir o mundo decaído. Ele é o único que salva.
Agora vamos aplicar esta identidade de Deus para a nossa primeira leitura deste Domingo. Se Deus conseguiu ser este tipo de Deus para os antepassados de Israel por que Ele não pode ser o mesmo para o povo de Israel e o mundo de hoje? Vamos refletir bem sobre o tema do Êxodo, a história do povo de Israel, o jeito que Deus desempenhou para tirar o seu povo da escravidão, lembrando que o êxodo se repete cada dia em nossas vidas apesar da nossa desobediência, nossos pecados, desrespeito e corações duros.

Por que Israel está na escravidão? Por causa de seus pecados, de seu coração endurecido. Israel está abalado pela sua situação, chorando que ele foi abandonado por Deus. Israel então quer lembrar, ou seja, estão lembrando-se do passado as coisas que Deus fez em seu favor. Deste jeito Israel vai fugindo da realidade, vai vivendo no passado ao em vez de viver da realidade de hoje. Mas, a resposta de Deus é para Israel abrir os olhos porque Ele está pronto para realizar prodígios, milagres bem melhores que o que aconteceu no passado. Que prodígio vai ser este? Deus abrirá uma estrada no deserto para conduzir o povo de volta a sua terra própria e fará correr rios na terra seca. Imagina que Deus sempre se mostrou; se manifestou como o Salvador, o Deus fiel de Israel, mas Israel sempre se manifestou o servo infiel, o filho infiel, a esposa infiel, uma preocupação de Deus. Mesmo assim, ele sempre foi o escolhido, o perdoado, o redimido para a alegria do mundo. Por que Deus está fazendo tudo isto para Israel e para cada um de nós? Para que nós sejamos as testemunhas vivas do amor incondicional de Deus. Que Ele nos ama do jeito que nós somos com todas as nossas fraquezas.

O que escraviza o ser humano não é somente um sistema político, mas, mais importante o pecado, e quem vive em pecado é escravo para pecado. Quem sempre quer seguir suas paixões, desviar do caminho de Deus vai sempre sentindo como o povo de Israel. Por isso que precisamos nos livrar dos nossos pecados, viver o presente e abrir nossos olhos para enxergar os prodígios que Deus está realizando em nossas vidas. Esta primeira leitura nos encoraja a lembrar que não tem pecado que é maior que o amor de Deus para com seus filhos, não tem uma situação tão desesperada que Deus não pode resolver. Combinamos todos os nossos pecados juntos e nem chegam perto do amor e misericórdia de Deus.

A história do Evangelho deste Domingo é a primeira e introdução das cinco histórias dos conflitos entre Jesus e as lideranças políticas e religiosas. No Evangelho de Marcos, estes conflitos começam de admiração para hostilidade como a cura do homem paralítico mostra. Admiração porque eles ficam espantados com as obras, os prodígios de Jesus, e hostilidade porque Jesus ensina uma doutrina diferente deles e se apresenta igual a Deus.

A polêmica ou o conflito neste Evangelho não é sobre a cura do homem paralítico, mas sobre o poder de perdoar pecados. Marcos na verdade combinam os dois assuntos de cura e perdão para mostrar que Jesus tem poder não somente na palavra, mas também no ato. Então, o poder de perdoar os pecados é confirmado no poder de curar o homem paralítico.

A leitura nos fala que Jesus estava em casa ensinando o povo e o lugar estava tão cheio que não tinha mais espaço. Que casa é essa? Muitos Escolares Bíblicos querem acreditar que Jesus usou a casa de Pedro como sede dele porque eles estavam em Cafarnaum, a Cidade de Pedro e André. Deste jeito nós podemos também entender quais eram estes quatros homens que abriram o teto da casa. Estes quatro homens poderiam ser o próprio Pedro e seu irmão André, João e Tiago. Se a casa não for para você, como que você abrir o teto de uma casa sem licença do dono da casa? Apesar de que estes quatro homens podem representar o Universo.

A cena mostra a dificuldade de quatro homens em deixar o paralítico chegar perto de Jesus. Mas por que essa dificuldade; será que a multidão não está percebendo a intenção destes homens? O problema é que um homem paralítico, claro com um defeito no corpo não é permitido na sociedade, em público, e pior ainda onde se encontram os mestres da Lei e os Fariseus, como nós vimos semana passada com o leproso. Mas estes homens não desistem também, eles procuram alternativos e o pior é abrir o teto da casa. Como que eles abrem o teto sem ninguém perceber nada é um milagre em si, mas as dificuldades deles também mostram a sua fé em Jesus. Por isso que Jesus olha para a fé deles e fala ao paralítico, “Filho os teus pecados estão perdoados.”

Vamos pensar um pouco sobre a multidão porque ela sempre é um problema para aqueles que realmente precisam chegar perto de Jesus. Vamos lembrar que Zaqueu passa o mesmo problema antes de conseguir chegar perto de Jesus. Ele teve que subir uma árvore para enxergar Jesus já que a sua altura também não lhe ajudava. O homem cego na beira da estrada em Jericó também passa o mesmo problema com a multidão que tenta lhe calar. Mas enquanto que a multidão tentava lhe calar, ele gritava mais. “Jesus, filho de Davi tem piedade de mim”. Como vimos Semana passada, esta multidão representa os santos, os supostos filhos de Deus, os puros. Eles não precisam de Jesus e eles não vão deixar aqueles que precisam dele chegar perto também, sempre atrapalhando os outros. Como estes quatro homens do Evangelho deste Domingo, como Zaqueu e o homem cego que é filho de Batimeu, nós precisamos sempre ter um jeito que ultrapassa a multidão se realmente queremos chegar perto de Jesus.

Na parte central do Evangelho, Jesus proclama um novo jeito de conseguir perdão pelos nossos pecados. Ele proclama o perdão gratuito e incondicional de Deus. Nem os Fariseus conheciam este tipo de perdão. Eles pensavam que a pessoa pode conseguir perdão através dos ritos de purificação, reparar o mal causado ou esperar a intervenção de Deus, mas receber perdão gratuitamente para eles nunca era possível. Os fariseus estão certos quando eles falam que somente Deus que pode perdoar pecados, mas não reparam que o homem que está perdoando os pecados não é simplesmente um homem. De fato, ele é o filho do homem, o verdadeiro filho de Deus. É exatamente isso que deixa os fariseus escandalizados. O paralítico não pediu perdão pelos seus pecados, foi Jesus que deu o perdão. Deus que toma a iniciativa para perdoar e nós precisamos este tipo de perdão que é gratuito, incondicional e iniciativa de Deus porque se for para pagar, nunca conseguiremos pagar pelos nossos pecados, se for condicional nós nunca conseguiremos cumprir as condições e se não for do iniciativo de Deus, nós nunca teremos a coragem de chegar perto de Deus para pedir perdão pelos nossos pecados.

MISSA DO 6º. DOMINGO COMUM
Hoje, quando nós olhamos bem para as organizações não governamentais que trabalham mais na área da Saúde, que cuidam das pessoas com doenças como AIDS, lepra entre outras, a maioria destas organizações são Cristãs, de fato Católicas onde você encontrará um religioso ou uma religiosa se empenhando, e melhor ainda que muitos leigos se ofereçam como voluntários para tirar e livrar o preconceito que sempre vem da sociedade e da tradição. Deste jeito, dar a vida digna para os doentes.
De maneira geral, esta atitude em relação à doença e às suas vítimas vem da atitude e o exemplo de Jesus que de fato, no evangelho deste domingo teve compaixão, estendeu a mão e tocou no leproso. Uma coisa que era proibida fazer na época. Jesus depois deu autoridade para seus discípulos a curar todo tipo de doença inclusive lepra. Esta atitude de Jesus e seus discípulos em relação à doença e o doente é totalmente diferente da atitude dos outros tanto no Antigo como no Novo Testamento.
Lepra não era simplesmente uma doença como as outras, pois, esta doença carregava um estigma e tinha uma preocupação especial, religiosa, social, cultural e legal para com as vítimas. Esta doença era uma das pragas que o mundo acreditava que foi infligida por Deus contra humanidade em retribuição pelos nossos pecados. Então esta doença era considerada como uma punição divina. O acometido da doença, porém era literalmente banido da sociedade até da própria família para viver uma vida de alienação. A vida de leproso não era nada de bom, ele era condenado para um sofrimento eterno, para uma descriminação eterna, considerado impuro e pecador e não poderia se misturar com os puros, os santos, os supostos filhos de Deus. Ele era nojento que poderia contaminar a Comunidade com a sua doença. A sociedade tinha tanto nojo das vítimas de lepra que mesmo depois da morte de um leproso, não poderia se deitar no mesmo cemitério com os puros. Quem diagnosticava a doença não era um médico, mas um Sacerdote que também tinha a autoridade de ou expulsar ou aceitar a pessoa de volta a vida normal depois da sua cura. Então, entendemos o porquê Jesus depois de curar um leproso sempre lhe mandava a se apresentar ao Sacerdote e fazer o Sacrifício necessário para mostrar que ele estava completamente curado.
A primeira leitura deste domingo não mostra exatamente os problemas que um leproso sofria porque o Naamã não era um homem simples, era o chefe do exército e Aram; homem estimado e favorecido pelo seu Rei. Então, quem poderia condenar este homem? Naamã não é o protagonista da história. A história é para mostrar o fato que o único Deus que pode curar é Javé que está ligado a um povo e a um projeto. Quem é este povo? O povo de Israel, aquele mesmo povo com quem Naamã estava fazendo guerra. Imagina o papel dos servos desde o início da história até o final. Quem recomendou o profeta para Naamã? Era uma escrava que pegaram em uma das guerras contra Israel. Dentro de Israel ele quase desistiu se não fosse por causa dos servos que botaram juízo na cabeça dele. Ele se achou muito importante que o profeta deveria sair da casa para lhe acolher e pior ainda pediu para ele através dos mensageiros a se banhar dentro do Rio Jordão sete vezes. Para ele este é o maior desaforo porque Israel não chega perto de Aram em termos de guerra. Imagina o problema do homem e ainda não quer ser humilde um pouco. Se Aram poderia curá-lo, porque o rei mandou ele para Israel? Às vezes nós precisamos admitir o fato que nós não temos tudo na vida e que vai chegar um momento que nós vamos precisar do outro. O ser humano não é tão rico que ele não vai precisar ajuda do outro; ele também não é tão pobre que ele não pode ajudar o outro. Naamã vai perceber que tem alguma coisa em Israel que Aram não tem e isso é a lição da primeira leitura que pode nos ajudar na vida.
O Evangelho conta a história de um leproso que foi curado por Jesus. Como que isso aconteceu? Este leproso era marginalizado, expulsado do convívio social, e talvez ouvisse falar de Jesus. De um jeito dele, ele conseguiu chegar perto de Jesus e de joelhos para o chão suplicou com Jesus para curá-lo. A preocupação deste homem não era a sua doença, mas a sua marginalização. Na verdade, ele estava pedindo que Jesus o declarasse puro para que ele pudesse voltar para o convívio social. É isso que deixou Jesus com compaixão. Imagina que os sacerdotes com o sistema religioso deles só poderão declarar a pessoa pura, mas não sabiam como fazer a pessoa pura e agora há uma pessoa que tem o poder de fazer a pessoa pura. Jesus fica irritado com este sistema que só condena, julga, despreza e segue tradições que não promove a dignidade da vida do ser humano. E esse foi à briga sempre entre Jesus e os fariseus e mestres da Lei.
Isso que faz Jesus se comover com compaixão e toca o leproso. Ele não foge do leproso como os outros fazem por causa do medo de contaminação. Através do toque dele, o leproso vai ter uma vida nova e digna de um filho de Deus. O gesto de Jesus é muito importante que nós precisamos imitar porque têm muitas pessoas que precisam de um toque nosso, que precisam de um abraço nosso, mas infelizmente nós fugimos destas pessoas cada dia. Mesmo que não existem muitos leprosos na sociedade como existiam, nós tratamos muitas pessoas como leprosas; pensamos um pouquinho sobre o jeito que tratamos os moradores da rua, as prostitutas, pessoas com doenças como AIDS, divorciados, os maçons, os ateus, ex-presidiários, e assim vai. Jesus teve compaixão porque nós não podemos ter compaixão? Por que somos duros de coração e a situação do outro nem consegue mexer o nosso coração?
Uma atitude deste leproso que chama a nossa atenção é a suposta desobediência dele. Mesmo que Jesus o proibiu de não contar para ninguém o que aconteceu com ele, não conseguiu esconder a sua alegria e divulgar muito o fato. Nós viemos de longe ao longo desta caminhada com Jesus e de um jeito ou outro nós experimentamos Jesus do mesmo jeito que o leproso. O que Jesus fez em nossas vidas que nos deixaram com tanta alegria que não conseguimos esconder e queremos divulgar aos outros? O que ele fez na minha vida que eu divulguei, e por isso ele não pode entrar abertamente na Cidade?
Imagina a troca entre Jesus e o leproso de lugares. Quem está dentro da Cidade agora, é o leproso e Jesus no deserto. Jesus deu a sua vida para este homem que agora está vivo e para mostrar o seu agradecimento continua com a missão de Jesus e por causa disso o mundo vai lá ao deserto à procura de Jesus. Jesus está dizendo que o mundo precisa entrar no deserto para experimentar um pouco a vida e a situação de um leproso. Deste jeito ninguém vai desprezar o outro, e sempre terá amor, solidariedade e a paz entre nós. No deserto Deus e o homem se encontram, como Jesus e o leproso se encontram.

MISSA DO 5º. DOMINGO COMUM
O problema do sofrimento e tristeza tem a mesma idade da humanidade. Este problema vem acompanhando a humanidade de todos os tempos. Mas, o ser humano sempre tem várias reações diante deste problema. Hoje, como que nós olhamos para sofrimento e tristeza? Por que as pessoas sofrem, de onde vem sofrimento se Deus criou o mundo e viu que tudo o que Ele criou era bom? Então de onde vêm estas calamidades, desastres, injustiças, guerras, pobreza e principalmente doenças?
A história de Jó vai nos ajudar a entender melhor a realidade de sofrimento pois o motivo do autor era para explicar a presença desta realidade na humanidade. O livro de Jó é bem interessante e nós precisamos nos acostumar com este livro em qualquer momento para agirmos de uma maneira positiva quando nós passamos por problemas e dificuldades que parecem mais fortes que nós.
Jó era uma pessoa Religiosa que temia a Deus, uma pessoa abençoada com riquezas. Mesmo assim, ele chegou até o ponto de perder tudo, suas riquezas, seus filhos, seus amigos, sua esposa, até o próprio Deus que ele servia com tanto carinho.
Nesta situação de Jó, vieram os seus três amigos para lhe consolar, verdadeiros amigos, homens sábios que vieram de lugares diferentes por causa da situação deplorável de Jó. Homens que não tinha maldade alguma, mas com a intenção pura de ajudar um amigo que está com problemas. Estes amigos percebem que a situação de Jó é pior que eles imaginam e a conclusão deles é que Jó está sendo punido por Deus por causa de seus pecados, e para sair daquela situação, Jó precisa fazer penitência. Eles estão prontos para ajudar Jó a cantar os salmos de penitência, mas Jó não está pronto para isso. Ele quer cantar um salmo de inocência, enquanto eles querem ajudá-lo a cantar um Salmo de penitência. Já estava convencido que ele não fez nada contra Deus para merecer este castigo e precisava mostrar a sua inocência. Isso se torna um conflito entre Jó e seus amigos. Estes estão sendo mais um problema para Jó que vai considerando os seus amigos como inimigos. Pior que os amigos insistem que a sugestão deles vem de Deus. E Jó vai considerar este Deus apresentado pelos amigos também como inimigo.
Agora os amigos parecem estão desistindo do seu apelo, pois não adianta tentar convencer Jó e se afastam um pouco e Jó tem a oportunidade de rezar ou falar com Deus sobre a sua situação e esta oração e mais uma lamentação que acaba expressando a ira de Jó contra Deus. É esta lamentação que nós escutamos na primeira leitura deste Domingo. Nesta leitura ele mostra a situação precária do ser humano. Ele faz uma comparação da vida em geral com o serviço militar obrigatório, com o trabalho de diarista e finalmente com escravidão. Por que ele faz esta comparação, porque estes três cenários? Para ele, estes três momentos podem ser os momentos piores da vida de uma pessoa. Pessoas assim são obrigadas a fazer muitas coisas, às vezes contra a vontade delas e não são renumeradas como deveriam, pior ainda que nos outros momentos não recebem nada. Estas pessoas trabalham de manha até a noite, dentro do sol e tudo que eles precisam é o pôr-do-sol para que eles possam descansar. Estas pessoas ainda têm esperança que a noite vai chegar para eles descansarem, e ele, parece a sua vida é pior ainda porque nem um momento pode lhe trazer alívio. Ele está condenado para sofrimento eterno, abalado pelo sofrimento, tristeza e dor, ele nem consegue fechar os olhos durante a noite para dormir e isso faz da sua vida uma miséria. Qual é a conclusão dele, “… minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade.”
Infelizmente que ele faz esta conclusão, mas nos ensina muitas coisas. Não faço idéia se nós viveríamos se passássemos metade dos problemas de Jó. Ele não é uma pessoa que sofre em silêncio, ele mete a boca com Deus, quer saber o porquê tanto sofrimento. Ele briga mesmo com Deus e isso é um motivo para nós chegarmos perto de Deus para pedir explicações pelas coisas que às vezes acontecem em nossas vidas. Por que os inocentes e pessoas que querem andar no caminho certo às vezes têm que sofrer e aqueles que não se ligam por nada sempre têm a vida boa?
Será que depressão existia na época de Jó ou não? Uma boa pergunta! Jó deveria morrer de vez se ele existisse hoje no nosso mundo. Nós precisamos aprender muito deste homem da primeira leitura que lutou até o fim. Com depressão, sem depressão nós temos a força para lutar até o fim. Então, vamos lá! Porque depressão não pode colocar uma parada nas nossas vidas. Será que nós podemos explicar mesmo a existência de sofrimento? Será que é necessário mesmo tentar explicar sofrimento?
No Evangelho Jesus não está interessado em procurar respostas para nossas perguntas, mas como aliviar ou lidar com a situação do sofrimento. Ele percebe que não adianta culpar a Deus pela situação de sofrimento, pois muitas vezes quem causa está situação somos nós mesmos. Agora mais importante é a nossa solidariedade para com as pessoas que sofrem. É isso que o evangelho nos fala com a situação da sogra de Pedro.
Jesus não agüenta sofrimento então imediatamente que ele fica sabendo da doença da sogra de Pedro, ela entra lá onde a mulher está deitada e ajuda a mulher a se levantar. Este gesto de Jesus é muito importante. Que aqueles que sofrem precisam da nossa ajuda. A nossa presença já é muito importante e basta para estas pessoas porque elas sabem que não estão sofrendo sozinhas. Imagina Jesus dando a mão para a mulher a se levantar. É como Jesus dando uma nova vida à mulher. Ela estava no fim do poço no abismo, morta e agora com a mão de Jesus, ela consegue sair do poço, ela consegue voltar a viver de novo. É assim que nós precisamos agir como discípulos de Jesus especialmente para com aqueles que sofrem. É também depois disso que estas pessoas que sofrem possam voltar para a Comunidade com alegria e felicidade como a sogra de Pedro que voltou para servir Jesus e os outros irmãos.

MISSA DO 4º DOMINGO COMUM-B
A primeira leitura da semana passada falou bastante sobre a experiência do Profeta Jonas sobre Deus. Ele tinha que obedecer aos preceitos de Deus e levar a mensagem de Deus aos Ninivitas, pois não adiantava fugir de Deus. O Salmista da sua parte confirma a descoberta de Jonas quando ele fala; “Javé, tu me sondas e me conheces. Tu conheces o meu sentar e o meu levantar. De longe penetras o meu pensamento… Para onde irei longe do teu sopro? Para onde fugirei, longe da tua presença? Se subo ao céu, tu aí estás. Se me deito no abismo, aí te encontro”. Não tem nenhum lugar que pode servir como esconderijo para o ser humano, longe da presença de Deus, mas continuamos cometendo este mesmo erro, tentando nos esconder ou se afastar de Deus. Uma atitude que simplesmente vai deixando o ser humano para baixo. Este problema aconteceu com o profeta Jonas semana passada e neste Domingo, o povo de Israel sob a liderança do grande profeta (Moisés) está repetindo o mesmo erro. No caso deste domingo, o povo não está direitamente fugindo de Deus, mas pedindo um jeito diferente de comunicar com Deus. Por que isso? O povo de Israel não quer ter um contato direito com Deus porque sempre ficava assustado com a presença de Deus e por isso pediu que a palavra de Deus chegasse ao povo através dos intermediários. Como nós, o povo de Israel também queria descobrir os mistérios de Deus, mas não direitamente com o próprio Deus. Então Moisés, levou o pedido do povo para Deus em cima do monte e Deus aceitou o pedido do povo. O único jeito que Deus transmitirá sua palavra ao povo é através do seu profeta. Então Israel vai ter uma mediação profética e nada mais. Isso faz o lugar da profecia na sociedade judaica muito importante.

Quem é o profeta e qual é a autoridade do profeta? Moisés na primeira leitura descreve o profeta como uma pessoa ordinária que faz parte da sociedade, ele não é um estrangeiro que caiu do céu, mas um de nós, escolhido por Deus e não pelo povo. Ele é chamado por nome pelo próprio Deus para ser o porta-voz e transmitir a palavra de Deus ao seu povo. A palavra é de Deus e não do profeta e por isso ele precisa transmitir a palavra como ela é sem adicionar ou tirar nada. A leitura deixa bem clara que o profeta será criado quando a ocasião necessita. O verdadeiro profeta é chamado por Deus, um verdadeiro filho de Israel e continuador da missão profética de Moisés.

O que nós podemos aprender desta primeira leitura deste domingo? Através do mistério do nosso batismo, somos chamados a sermos profetas também, esta leitura é muito importante porque nos mostra como exercer a nossa função como profeta e também o privilégio que às vezes nem percebemos que vem de Deus para seus filhos. Mas que tipo de profetas que nós somos? Verdadeiros profetas ou profetas falsos? Profetas que transmitem a palavra de Deus ou nossas palavras próprias? Acho que já percebemos quanto que não é fácil para transmitir somente as palavras de Deus sem colocar nossas palavras. Por isso que muitas vezes os profetas brigavam com Deus. No início, eles recusavam os convites de Deus para serem profetas, mas por causa da insistência de Deus, aceitavam. Dentro do ministério chegavam até um ponto de desistir porque nada dava certo e parece Deus nem estava aí para ajudar as coisas e tudo estava em cima dos profetas. Eles sofriam muito nas mãos do povo, até suas próprias famílias. Quem quer ser um verdadeiro profeta tem que se preparar para passar por tudo isto.

A outra coisa é que tipo de mediação que nós procuramos para descobrir os mistérios de Deus ou para escutar a palavra de Deus? Há muitas pessoas hoje que falam que são cristãs ou católicas, mas quando chega o momento de crise ou uma dificuldade, elas têm outros lugares que elas vão procurar ajuda. Eles não têm confiança nos profetas de Deus, nem no único Filho de Deus. Quando chegam os problemas eles procuram os macumbeiros, as cartomantes, espiritismo, vale do amanhecer onde eles encontram Tia Neiva. Ainda há pessoas que vão saindo de uma Igreja para outra, elas não têm um lugar fixo, porque todos os lugares são lugares delas. O que está acontecendo, será que não há profetas nas nossas comunidades hoje ou somos nós que estamos querendo satisfazer nossas emoções? Para os jovens pior ainda, porque eles acreditam em Deus, mas nunca busca Deus na religião. Para eles, é alegria e felicidade. Quando tiver a vida com felicidade e alegria, basta, acabou. Então eles fazem de tudo para conseguir esta alegria e felicidade. Mas que tipo de alegria é esse que você consegue fora da Igreja? Alegria falsificada! Eles vão atrás de bebidas, de drogas, sexo, bens materiais para conseguir esta alegria, que nem vai durar para sempre. E pior ainda é o esporte que o mundo mais gosta. Infelizmente, futebol está se tornando uma religião hoje. Pessoas se matam por causa de futebol, adoram futebol e buscam Deus através de futebol.

Apesar de tudo isto os verdadeiros cristão sabem onde buscar a palavra de Deus. Os profetas ainda existem no meio de Deus. Mesmo que são seres humanos como nós, com os mesmos problemas, dificuldades, fraquezas e pecados como nós, eles ainda conseguem transmitir a palavra de Deus para a Comunidade.

O Evangelho deste Domingo mostra que um novo profeta surgiu, um profeta que não é como os outros profetas, pois ele ensina com autoridade e até os espíritos maus obedecem a suas palavras. As palavras dele vêm de Deus e são efetivas, livram as pessoas das forças do mal que dominam suas vidas.

Com este primeiro milagre de Jesus que acontece na sinagoga no Evangelho de Marcos, o Evangelista já mostra o seu motivo bem no início do seu evangelho. Marcos tem o motivo de apresentar Jesus como novo Moisés, o verdadeiro profeta de Deus, o Filho de Deus que vem continuar e completou o projeto divino de salvação para o mundo.

Por causa de seu motivo, o evangelista juntou muitas coisas nesta passagem. A parte central do texto é a cura do homem possuído pelo espírito mau, mas o ambiente é dentro da sinagoga onde Jesus é convidado a fazer a pregação. Na época de Jesus cada pessoa adulta (homens), poderia fazer a pregação. Então não era estranho que Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar. É daqui que começa as surpresas, o jeito dele de ensinar. Os mestres da Lei que tinham autoridade de interpretar a Lei tinham um jeito de ensinar, simplesmente repetiam as palavras dos outros e faziam citações das Escrituras. Jesus no seu caso não repetiu as palavras dos outros, ele usava suas palavras próprias com confiança em si mesmo e deste jeito penetrava os corações dos povos.

Agora vem o outro acontecimento do dia; a cura do homem possuído do espírito mau. Este homem está sentado na sinagoga bem quieto porque ninguém está lhe perturbando, mas de repente se sente ameaçado porque percebe que tem uma força mais forte que ele. Então ele começou a gritar. Imagina que a força mais fraca começa a briga porque quer mostrar que ela é poderosa também. Mas Jesus não faz nenhum ritual de exorcismo, ele simplesmente da ordem e o espírito mal obedece.

Deste jeito Marcos quer mostrar que a autoridade de Jesus que deixa todo mundo de boca aberta não é somente de boca para fora, mas também de seus atos. Ele consegue colocar em prática suas palavras, porque sua palavra tem força.

Será que nós percebemos que como discípulos de Jesus, nós temos a mesma autoridade de Jesus que pode expulsar demônios como Jesus fazia? Como é a nossa atitude diante de forças que dominam as nossas vidas e querem nos destruir? As forças não são somente os espíritos maus, mas também os vícios que não conseguimos largar.

“Então Jesus chamou seus doze discípulos e deu-lhes poder para expulsar os espíritos impuros, e para curar qualquer tipo de doença e enfermidade (Mt. 10,1). Cada a autoridade o poder que Jesus nos deu, e o que estamos fazendo com este poder?

MISSA DO 3º. DOMINGO COMUM
Quando falamos sobre o livro do Profeta Jonas imediatamente recordamos a história do grande peixe que engoliu o Profeta durante a sua fuga de Deus. É esta história que faz este Livro tão famoso, mas o fato é que esta história do peixe não é a parte central do livro. O motivo do livro não parece profético mesmo que o autor é nomeado como um profeta e o 2Rs 14,25 vai afirmando isso com a atividade de um certo Jonas ben Amittai que escolares bíblicos pensam que pode ser o nosso Jonas, o Profeta do livro de Jonas. O livro tem elementos legendários, mas será que isso faz a história uma lenda? Ainda há pessoas que vão pensando sobre o aspecto alegórico do livro, que o livro está insinuando a escravidão de Israel, deste jeito o grande peixe representa Babilônia e os três dias e três noites representam o período da escravidão ou captividade. Os Evangelhos também usam a figura do peixe e a aventura de Jonas como sinal da morte e ressurreição de Jesus; assim como Jonas ficou três dias e três noites no ventre do peixe, Jesus vai ficar três dias no ventre da terra; depois ressuscitará como Jonas voltou à luz do dia.

Então qual é o motivo real deste livro? Parece este livro é uma parábola com uma história muito bonita que está em busca de ilustrar um assunto, mas dentro deste processo, o livro vai tocando outros assuntos. Portanto, nós podemos encaixar os motivos que já encontramos dentro do livro enquanto não esquecemos o motivo principal que é para mostrar a misericórdia e a justiça de Deus. O nosso Deus não conhece fronteiras. Ele não é um Deus de uma nação, mas um Deus para todo mundo, e a sua misericórdia se estende de um lado para o outro lado do mundo, de uma geração à outra. O livro também tira a nossa atenção dos profetas que são simplesmente instrumentos de Deus para o próprio Deus que ainda consegue realizar seus planos mesmo que tivessem profetas com corações duros como Jonas na primeira leitura de hoje.

A leitura de hoje é supostamente a segunda vez que Deus envia Jonas para a Cidade de Nínive devida a sua recusa da primeira vez. Porque Jonas recusou da primeira vez? Jonas, na realidade está representando o povo de Israel e seus sentimentos contra os Nínivitas. Nínive era a Capital da Assíria onde o povo de Israel enfrentou todo tipo de crueldade e opressão. Desde que eles saíram da escravidão, guardavam ainda ódio e rancor contra o povo de Nínive.

O povo de Israel rezava todos os dias e esperava pacientemente pela destruição de Nínive. De repente há uma mensagem para o povo de Nínive a converter para não ser destruída. Pior ainda um verdadeiro Judeu, um profeta de Israel tem que levar esta mensagem para Nínive. É por isso que Jonas recusou da primeira vez. O autor do Livro está simplesmente dizendo que os nossos pensamentos não são os pensamentos de Deus, o nosso jeito de agir não é o Seu jeito e nós não podemos controlar o nosso Deus.

Da segunda vez, Jonas percebe que não adianta fugir de Deus com a sua experiência da tempestade e o grande peixe. Agora, ele vai obedecer, mas com a esperança que o povo de Nínive não escutará a mensagem e ainda enfrentará a ira de Deus. A surpresa de Jonas foi a reação do povo de Nínive; que Nínive aceitou as advertências de Deus, se arrependeu e a se converteu, acreditando em Deus e Deus se arrependeu. Que palavras bonitas! Nínive realmente foi derrubada no mal, mas foi reconstruída no bem.

Eu acho que há muitas lições que nós podemos aprender da atitude do profeta e o povo de Israel na época. Em primeiro lugar o tipo de Deus que nós apresentamos para o mundo. Um Deus que só gosta das pessoas que fazem o bem e odeia os pecadores. Às vezes como que nós olhamos para as pessoas que fazem mal para nós. Será que conseguimos perdoar estas pessoas ou lhes matamos, julgamos, castigamos dentro dos nossos corações? Quantas pessoas que nós consideramos como inimigos e ao em vez de rezar e torcer pela conversão delas estamos torcendo pela destruição delas. A vida não é inimizade, mas sim fraternidade.

Imagina que pela primeira vez que o povo de Nínive escuta a palavra de Deus, se arrepende e se converte de seus pecados. Quantas vezes que nós escutamos a palavra de Deus e ainda estamos duros no coração, como o povo de Israel? Nínive era a modelo de crueldade, e opressão e injustiça e Jonas pensou que Nínive nunca vai escutar a palavra de Deus. Como Jonas, a maioria das vezes condenamos pessoas pensando que estas pessoas nunca vão se converter. Não sei quantas vezes que nós olhamos para um irmão e falamos que ele não tem mais jeito. Podemos dar chance para outros a se converterem se nós não queremos nos converter?

O Evangelho de hoje vai continuar com este assunto de arrependimento, pois isso é um dos elementos que precisamos para acolher a boa nova, o Evangelho. Precisamos se arrepender e acreditar. Arrependimento é uma mudança radical do nosso jeito de viver e agir.

As primeiras palavras de Jesus no Evangelho de Marcos são essas palavras que nós ouvimos hoje: “O tempo já se completou e o reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho.” O Evangelho vai sempre precisar da nossa conversão e da nossa fé. E os primeiros discípulos de Jesus vão mostrar isso. A missão de Jesus é para levar o Evangelho aos confins da terra e o Evangelho não é simplesmente um livro como nós pensamos hoje, mas a notícia que traz alegria e felicidade para o povo. Será que o Evangelho que nós pregamos hoje traz alegria e felicidade para o povo? Como que fica o povo depois das nossas Celebrações; tristes ou felizes, acordados ou dormindo?

A passagem do Evangelho nos apresenta a chamada dos primeiros quatro discípulos de Jesus em que percebemos a falta de preparação e a entrega gratuita tanto no lado de Jesus como no lado dos discípulos. Semana passada, falamos sobre o jeito que Jesus estava andando de um lugar para o outro e João simplesmente estava num só lugar. A mesma acontece hoje que Jesus estava andando na beira do mar. Jesus nunca para porque não é momento de esperar, é momento de trabalhar, por isso, que ele chama e não pára para ver se os discípulos estão seguindo ou não. Jesus está dizendo que o momento de descansar já passou, o momento de dormir passou, porque o reino de Deus está próximo.

Jesus não agia como os mestres da Lei e os fariseus que ficavam esperando seus discípulos a irem até eles; Jesus vai atrás de seus discípulos, ele busca seus discípulos. Está na hora que nós levantamos e vamos atrás dos outros. Muitas vezes, o nosso orgulho não nos permite a fazer isso, mas nós precisamos engolir o nosso orgulho, a sermos um poucochinho submisso para sermos verdadeiros discípulos de Jesus.

O discipulado de Jesus é muito caro porque exige o discípulo a ceder a sua família e qualquer tipo de segurança. Isso é bem claro com a atitude de Pedro, André, João e Tiago. Eles simplesmente deixam de tudo e vão atrás de Jesus. A resposta deles é imediato, sem queixar como o profeta Jonas fez, sem pedir licença a despedir da família ou pedir licença da família, dos parentes ou dos amigos antes de responder. E assim seja a nossa resposta também.

MISSA DO 2º. DOMINGO DO TEMPO COMUM
As leituras deste domingo me faz lembrar aquele canto de Ademar Campos que fala: “Antes eu te conhecia de ouvir fala, mas agora de contigo andar…” Para conhecer o Senhor , é uma viagem, uma caminhada espiritual que começa de um ponto até onde a disponibilidade, a vontade e principalmente a fé podem levar a pessoa. Este é um processo, uma catequese que leva a pessoa a crescer espiritualmente e este crescimento com certeza vai atingindo o jeito de agir e todos os aspectos da pessoa.

A primeira leitura nos fala sobre a história de Samuel servindo no templo de Deus, mas, não fala como o Samuel como menino acabou entrando lá no templo para ajudar o Sacerdote Eli que já estava avançando de idade. Samuel foi uma bênção de Deus, uma resposta de Deus para a sua Mãe porque ela chorou diante de Deus pedindo um filho, o qual iria dedicar ao mesmo Deus para servir no templo. Deus se lembrou dela na sua aflição e lhe abençoou com este filho que ela deu o nome Samuel e deixou o menino para servir no templo. É assim que Samuel acabou entrando no templo para servir. Aqui, que a primeira leitura começa.

A primeira leitura relata a vocação de Samuel e isso vai ser o início da grande lista dos profetas, cuja função é serem porta-vozes de Deus. Isso também vai ser o término do silêncio de Deus porque os profetas vão anunciando o que Deus está realizando na história do povo. Olhando para a chamada de Samuel mesmo que fosse o início da lista dos profetas, percebemos que a chamada ou a vocação dele era totalmente diferente dos outros profetas. Mesmo que ele tem uma função profética, a chamada dele é um desvio totalmente do padrão da chamada dos profetas que segue o processo de Deus chamando a pessoa, e a pessoa recusa, mas daí vem a insistência de Deus e finalmente a pessoa aceita a chamada.

A chamada de Samuel acontece no templo durante a noite quando o mundo está dormindo. Ele escuta uma voz lhe chamando no silêncio da noite. Isso nos mostra a importância do silêncio, que nós podemos escutar a voz do Senhor em silêncio, na nossa meditação. Por isso que os Padres do deserto falavam que em silêncio, Deus e o homem se encontram. Muitas pessoas têm medo de silêncio, principalmente por causa disso. Eles não querem escutar a voz de Deus, não querem entrar na profundeza de seus pensamentos para perceber os erros das suas vidas, porque estes erros são como fantasmas seguindo eles todos os dias. Pessoas que não querem mudar suas atitudes sempre fogem do silêncio para não serem provocadas pelo Deus e isso não faz bem para o ser humano porque sem Deus, a nossa vida não tem sentido.

Naquela noite o menino Samuel escutava a voz e corria para o Eli pensando que era o Eli que o chamava. Imaginava quantas vezes que ele tinha que correr para ter com Eli. Mesmo assim ele não percebeu que era Deus que o chamava sem a ajuda de Eli. De que jeito que nós viemos a conhecer o Senhor? Com certeza, não foi só um instante, foi um processo. Talvez nascemos dentro de uma Família Cristã onde os pais nos falavam sobre Deus, nos levavam para a Igreja, escutando as pregações, fazendo catequese, cheguemos a conhecer o nosso Deus.

Imagina que a leitura fala que mesmo que Samuel estava servindo no templo, ele não conhecia Deus e a sua palavra não se revelou ainda a ele. Quanto tempo que Samuel ficou dentro do templo servindo e não conhecia Deus? Será que isto não acontece hoje? Que nós podemos fazer de tudo dentro da Igreja ajudando nas Pastorais, Movimentos e ainda não conhece o nosso Deus? Ficamos muito preocupados com a obra do Senhor e esquecemos o Senhor da obra. Quantas vezes que nós lemos uma passagem da Bíblia e não entendia nada e de repente um dia aquela mesma passagem revela algo muito importante na sua vida? Isso acontece porque foi a primeira vez que a passagem realmente penetrou o seu coração.

Imagina que Samuel foi chamado por nome. Deus conhece a pessoa por nome e isso sempre faz o ser humano importante diante Dele. Sempre falo que como indivíduos somos importantes perante a comunidade e de Deus devido os dons que nós trazemos dentro da Igreja. Somos chamados por nome e antes que nós formarmos dentro dos ventres das nossas Mães, Deus nos conhecia. De um jeito ou o outro, temos deveres, tarefas especiais para cumprir e por isso que nós nascemos; o nosso nascimento não foi por chance, mas pela Graça do Senhor.

Na época de Samuel era só uma voz que Samuel escutou e ainda não foi fácil para ele descobrir a voz do Senhor. Hoje há muitas vozes chamando, cada voz precisando de nossa atenção. Como que nós podemos descobrir a voz do Senhor dentro dos milhares das vozes ressoando em nossos ouvidos? É como ovelhas despedidas dentro das outras ovelhas que ainda conseguem diferenciar a voz do seu Pastor dos outros Pastores, como que nós podemos fazer isso?

O Evangelho vai repetir o mesmo tema da primeira leitura e a nossa preocupação é como que viemos a conhecer Jesus Cristo em nossas vidas. Aconteceu que Jesus estava passando e imediatamente que João lhe viu, proclamou para seus discípulos: “Eis o Cordeiro de Deus”. Os discípulos sem palavra nenhuma guardou as palavras de João no coração. No dia seguinte, a mesma coisa aconteceu e os discípulos decidiram seguir Jesus. Imagina a atitude de João que sempre está no mesmo lugar batizando e Jesus andando de um lugar para o outro. João simplesmente deixa seus discípulos a seguirem Jesus porque foi por causa disso que ele veio. O testemunho dele era para levar os outros para Jesus e exatamente isso que está acontecendo. João chama Jesus o “Cordeiro de Deus”, um nome bem estranho, mas o que ele quer dizer com isso? De um jeito ou o outro nós aceitamos este título que João está dando para Jesus porque nas Celebrações Eucarísticas, o Sacerdote levanta o pão nas mãos e repete as mesmas palavras de João e nós concordamos com o Sacerdote através da nossa partilha no pão e sangue do Senhor. Então qual que é o significado da proclamação de João?João está dizendo que do jeito que o cordeiro imolado e o sangue usado para marcar as portas dos Judeus livrou o povo de Israel da escravidão, do mesmo jeito que o sangue de Jesus vai nos livrar dos nossos pecados.
Para João, Jesus é o Cordeiro de Deus. André olhou para Jesus como um mestre então lhe chamou de Rabi, mas depois de um dia com Jesus, ele percebeu que Jesus era mais que um Mestre e proclamou-o como o Messias. Depois Natanael vai o chamar como o Filho de Deus e Rei de Israel. Voltamos para o nosso dia, depois de quantos anos de discipulado, de participar nas Celebrações Eucarísticas cada dia, quem é Jesus para mim e para você. Depois da nossa experiência com Jesus, o que nós podemos dizer pessoalmente a respeito de Jesus? E quantas pessoas que nós conseguimos levar para Jesus?

A pergunta de Jesus para André e o outro discípulo que não têm nome é muito significativo. Que este outro discípulo seja eu, seja você. Isso faz a pergunta de Jesus uma pergunta para todo mundo. Então por que estamos seguindo Jesus, o que estamos procurando dele? Há pessoas que o procuram somente quando eles estão com problemas, dificuldades na família, quando eles estão doentes e precisam de um milagre. Mas também há pessoas que procuram Jesus porque eles querem aprender dele, de agir com Jesus e de levar outros até Jesus. Ainda há pessoas que são indiferentes, com Jesus, sem Jesus, nada importa. E você, por que procura Jesus?

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EPIFANIA
Hoje a Igreja celebra a festa da Epifania, uma festa que nos faz lembrar o quanto que a Igreja beneficiou muito das festas pagãs na sua história, pois esta festa é originalmente pagã que começou no Egito em honra do nascimento do deus-sol. Os cristãos pegaram esta festa que era Celebrada na noite de dia cinco a seis de Janeiro e cristianizaram a festa. Ao em vez de reverenciar o deus-sol dos pagãos, os cristãos reverenciam o nascimento do verdadeiro Sol, o nascimento de Jesus como Filho que traz a luz para iluminar as trevas, a escuridão do mundo. Por isso que até hoje a Igreja do Oriente ainda continua celebrando o nascimento de Jesus no dia 06 de Janeiro e não no dia 25 de Dezembro como a Igreja Católica do Ocidental.

A palavra “Epifania” significa manifestação ou aparecimento. Neste caso estamos falando sobre a manifestação de Deus na pessoa de Jesus Cristo que é a luz do mundo. Neste dia, a Igreja não se lembra apenas dos magos que adoraram a criança, mas ao mesmo tempo, do batismo de Jesus e das Bodas de Caná. Nestes três cenários, nós temos a manifestação da glória de Deus Pai. A Igreja então emprega o tema da Epifania e faz a proposta que nós refletimos sobre este tema nas leituras deste Domingo especialmente a primeira leitura e o Evangelho.

Para entendermos melhor a primeira leitura, precisamos olhar bem na geografia da Cidade de Jerusalém, onde a Cidade é constituída e também a história do povo de Israel especialmente o aspecto da escravidão. Esta passagem na verdade é um canto, um sonho do profeta sobre a glória de Sião, a restauração de Israel. O profeta olha para Jerusalém destruída, os muros da Cidade no chão, a Cidade e o templo em ruínas com todos os homens fortes deportados para uma terra estrangeira e faz uma comparação entre Jerusalém e uma mulher abandonada por seu marido. Uma mulher que todos os homens queriam se casar com ela por causa da sua beleza. Mulher tão bonita que enlouquecia todo mundo, e hoje, imagina a situação dela! Ninguém lhe quer mais. Por que ela foi abandonada? Por causa da sua infidelidade, ela não foi uma esposa boa e responsável, ela só corria atrás da sua beleza e esqueceu-se do seu papel como esposa e como mãe. Então ela perdeu seu marido e seus filhos. Esta é a situação de Jerusalém.

De repente, o Profeta em seu sonho olhando para Jerusalém de longe vê a luz do sol brilhando sobre a Cidade enquanto os vizinhos da Cidade ainda estão na escuridão. Por que isso? Porque a Cidade de Jerusalém é construída em cima da colina do monte de Sião. Na nascença do sol, a luz do sol atinge a Cidade de Jerusalém enquanto os vales em cerca da Cidade ainda estão na escuridão. Então o profeta olha para este cenário e vê Jerusalém retomando a sua gloria do passado, ela se torna uma moça de novo com aquela beleza do passado.

É dentro deste contexto que nós podemos entender a primeira leitura de hoje. O profeta simplesmente está convidando Jerusalém erguer a cabeça para enxergar quem está voltando. Seu marido está voltando para ela. Mesmo que ela aprontou muita coisa na vida, ela está perdoada. Não somente o marido que está voltando, todos seus filhos estão voltando, carregando as riquezas do mundo. Todas as nações estão voltando com os filhos não somente para aprender de Deus dentro do tempo, mas para ajudar reconstruir a Jerusalém. Agora aquela vergonha do passado já passou e Jerusalém se torna o centro do mundo, a luz de todas as nações. Esta Jerusalém hoje é a Igreja que está resplandecendo com a luz de Deus que brilha no mundo inteiro.

No Evangelho de hoje, tudo começa com uma estrela que foi vista no céu pelos três homens que seguiram a estrela até Jerusalém procurando o novo Rei de Israel que acabou de nascer. Por que o interesse de Mateus de apresentar o nascimento de Jesus com uma estrela que apareceu no céu? Será que é por causa da crença do povo na época que o nascimento de uma pessoa muito importante que realizará coisas extraordinárias sempre era acompanhado com a estrela? Será que tem outro motivo? Enfim, o que Mateus quer dizer com isso? Lembremo-nos da profecia da primeira leitura deste domingo. Quando a luz do Senhor brilhou sobre Jerusalém, todas as nações se dirigiram para Jerusalém carregando as riquezas do mundo em cima dos camelos e dromedários. Mateus coloca a estrela neste Evangelho porque a estrela está realizando o Plano de Deus e provoca várias reações do mundo inteiro. Provavelmente Mateus foi influenciado pela profecia de Balaam no Livro de Números, o quarto oráculo que identifica o Messias com a estrela. Mesmo assim olhamos para as provocações que esta estrela gera em nossas vidas. Os magos olharam para a estrela num jeito diferente do jeito de Herodes. Ainda tinham outras pessoas que não sentiram nada, com estrela, sem estrelas, para eles nada importava.

Os magos viram a estrela e foram atrás da estrela procurando o menino Jesus para adorá-lo. Quem eram os magos, de onde vieram os magos, quais eram os nomes dos magos. Quantos eram os magos, será que eles não eram mais que três? Os magos eram homens sábios geralmente associados com interpretação dos sonhos, das estrelas que aparecem no céu, então neste Evangelho, não é estranho que nós ouvimos que eles viram a estrela e perceberam que era a do novo Rei de Israel que acabou de nascer. Eles também eram conhecidos como pessoas que tinham o dom de enxergar o plano de Deus através da natureza, coisas ordinárias e extraordinárias que aconteciam. Tradição nos fala que eles eram reis ou se tornaram reis. Um era Asiático outro Europeu e o outro Africano. Os nomes deles eram Gaspar, Melchior e Balthazar. Deste jeito o número deles ficou três, mas provavelmente eles eram mais que três. Falam que eram três por causa dos presentes que eles ofereceram ao menino Jesus; ouro, incenso e mirra. Ouro que significa a realeza de Jesus; incenso representa a sua divindade e a mirra o seu sofrimento, virtude e oração.

Estes magos estão representando o mundo inteiro que vem para adorar o Messias, a estrela da casa de Davi. A estrela só é uma guia que nos leva até Jesus. Os magos representam o mundo que se deixa ser guiado pela mensagem de Jesus. Os magos hoje são a Igreja representada pelas várias raças da humanidade, povo das várias nações, tribos, línguas e grupos. Isso nos fala que é possível que o mundo se tornasse um e fraterno não pelo sangue, mas pela fé em Jesus Cristo. Não precisamos mudar a nossa identidade para fazer parte da Igreja. A Igreja só poderia ser rica com as várias culturas e as várias características que nós trazemos dentro dela. Por isso que precisamos respeitar um ao outro, enxergar a riqueza que um de nós traz para a Igreja e desista de pensar em nós mesmos.

A outra reação vem do nosso grande amigo, o Rei Herodes (o Grande). Pela primeira vez que ele ouve a notícia sobre o recém-nascido que será o Rei de Israel, ele se assusta. Ele vai reunindo pessoas que têm informações para se informar. Depois ele chama os magos em segredo para obter mais informações sobre a criança. Ele até pede que os magos voltarem e dar mais informações para que ele também possa ir para adorar a criança. Por que ele faz tudo isto? Realmente Herodes não era o Rei certo, ele não era Judeu, nem falar sobre ele fazendo parte da casa de Davi. Ele foi colocado no trono pelos Romanos que dominavam na época e ele queria consolidar a sua autoridade. Este era uma figura astuta e política e por causa disso que ele fica assustado com o anúncio do nascimento da criança. Herodes é uma pessoa que quer controlar tudo e manter sob controle os sentimentos, as relações, até as pessoas ao seu redor, para que somente ele possa exercer dominação. Ele quer tudo para si mesmo, o ponto de referência tem que ser ele e ninguém.

Pessoa que tem este espírito sempre abusa dos outros como Herodes está abusando a inteligência dos magos. A pessoa faz isso porque ela precisa sempre ficar em cima dos outros, tem que saber mais que os outros para conseguir dominá-los e isso muitas vezes acaba dando mal e gerando conflitos.

A outra coisa que Herodes nos ensina é que o ser humano sempre tem dois motivos pela sua ação, o motivo real e o motivo bom. Raramente que ele fala sobre o motivo real, mas sempre fala sobre o motivo bom. Isso é bem claro na ação de Herodes. Ele fala para os magos que ele também quer ir adorar o menino, mas será que este é o motivo real? Infelizmente não, o motivo real é para matar a criança; deste jeito ele se torna adversário não somente da criança divina, mas também dos Planos de Deus.

Será que tudo isso não às vezes acontece em nossas vidas, será que somos diferentes de Herodes? Os conflitos que acontecem em nossas vidas, das famílias, das comunidades, tudo isso tem raiz nesta atitude de quer dominar, de não falar a verdade, de quer ser o ponto de referência.

Agora aqueles que querem ser indiferentes para a estrela têm que lembrar que é uma opção também. Lembrando que muitas pessoas até hoje são indiferentes também. Mas recordamos as palavras do Senhor que nos aconselha de serem quentes ou frios, senão ele vai nos cuspir fora.

 

 

 

 

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SOLENIDADE DE MARIA, SANTA MÃE DE DEUS
Hoje celebramos a Solenidade de Maria, Santa Mãe de Deus. Hoje em dia, é muito fácil dizer que Maria é a mãe de Deus e às vezes nem percebemos a briga que o fato de Maria sendo a mãe de Deus tem na história da Igreja.
O dogma proclamado pela igreja no Concílio de Éfeso em 431 proclamou Maria como a mãe de Deus. O concílio fala: “se alguém não confessa que o Emmanuel é verdadeiramente Deus e que por isso a Santíssima Virgem é Mãe de Deus… seja anátema”. Quer dizer que quem não aceita Maria como a ‘Mãe de Deus’ não tem comunhão com a Igreja e precisa ser excomungado ou condenado. Por que esta linguagem dura? Porque tinha um homem chamado Nestório, Patriarca de Constantinopla que era contra este ensinamento da Igreja. Qual era o argumento dele? Desde que afirmaram que Jesus tinha duas naturezas; divina e humana, Maria não poderia ser apropriadamente chamada de mãe de Deus, mas mãe de Cristo. Nestório queria dizer que Maria, só é a mãe da natureza humana de Jesus e isso foi uma grande polêmica da história da igreja. Este é o motivo das palavras duras deste dogma proclamado pela igreja. É claro que as duas naturezas de Jesus são distintas e que não podem ser confundidas, mas também não podemos separar as duas, pois, são bem aderidas. Maria não pode ser só mãe de uma natureza e não mãe da outra. O fato básico é que Maria tem o privilégio, de fato a graça de ser a Mãe de Deus e ninguém pode tirar dela esta graça.
Podemos nos dizer que Maria foi abençoada, ela recebeu as bênçãos de Deus que nós refletimos na primeira leitura de hoje. O evangelho deste domingo é a continuação do evangelho do dia de Natal e aquele evangelho nos falou que Maria deu à luz seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e o deitou em uma manjedoura porque não havia lugar para eles na pousada. Vamos notando às atividades de Maria, no evangelho da semana passada e também o seu jeito de agir deste domingo. Os pastores seguindo as indicações do Anjo chegaram até onde o menino Jesus estava deitado e contaram tudo que foi dito a respeito da criança pelo Anjo. Qual foi a reação de Maria? “Quanto a Maria, ela guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração”. Imaginamos as atividades de Maria nestas leituras; ela dá a luz um filho, envolve-o com faixas, deita o filho, guarda e medita sobre as coisas que foram ditas a respeito do seu filho.
Maria se torna uma mãe, ela gera a vida, ela é promotora da vida. Criando uma vida ela se- torna o campo fértil sobre o qual cresce o fruto do Espírito. Maria gera e cria o filho que é ao mesmo tempo o Espírito e o Verbo do Pai. Dar à luz não é uma brincadeira, é arriscar a sua vida, entregar a sua vida para que o outro tenha a vida. O processo de dar a luz sempre é muito duro e penoso, mas também cheio de alegria, felicidade e gratidão.
Maria envolve a criança com faixas e faz a criança deitar. Ela não simplesmente gera uma criança, ela também protege, cuida e cria o filho, desta forma Maria se torna Mãe protetora. Maria sabe que a criança precisa do calor da mãe então ela não somente faz a criança deitar, mas deita junto com a criança que se sente protegida. Hoje em dia quantas crianças precisam da proteção dos pais e não a conseguem, há crianças jogadas fora da casa sem proteção nenhuma. Maria nos mostra que o problema não é como gerar um filho, mas como criar, proteger, educar e abrigar um filho. É isso que faz uma mulher, mãe. Você pode dar a luz para dez filhos, mas se não souber como criá-los, você não é uma mãe. Maria também nos aponta para o Deus maternal em quem podemos nos recostar por quem somos protegidos e carregados.
Os Pastores anunciam a mensagem do Anjo ao mundo inclusive Maria e José, os Pais do menino e Maria em primeiro lugar guarda as palavras dos Pastores. Por que Maria faz isso? Porque estas palavras dos Pastores estão confirmando e complementando a mensagem dirigida a ela pelo Anjo Gabriel, a mensagem dela para Isabel e a exclamação de Zacarias. Maria acolhe estas palavras no seu coração tal como acolheu o Salvador no seu seio. Maria mesmo que não entendia tudo aquilo que estava acontecendo, uma coisa que era tão clara para ela era a mão de Deus agindo na vida do seu filho. Maria era capaz de enxergar o Plano de Deus em tudo àquilo que estava ocorrendo. Ela não ficou perturbada ou angustiada pelas coisas que escutava sobre seu filho e nem foi para outros lugares para saber o que estava acontecendo, mas simplesmente guardou tudo no coração esperando o tempo certo de Deus.
Em segundo lugar Maria medita nas palavras dos Pastores. Ela mostra a sua humanidade neste sentido que ela não consegue entender tudo imediatamente. Ela precisa de tempo para capturar o significado da ação de Deus em Jesus; isso também mostra a caminhada da fé de Maria. Ela procura entender o que ela acredita e isso é a fé que busca entendimento. Deste jeito Maria se torna um modelo para todos os Cristãos de todos os tempos. Através da sua meditação, Maria vai entendendo o seu filho; os jeitos dele, as suas palavras ou ensinamentos, as suas ações e vai chegar até um ponto de dizer para o mundo: “Façam o que ele mandar”. Nós precisamos também trilhar nesta caminhada de Fé, de discipulado de Maria.
Maria apesar de ser a Santa Mãe de Deus é também conhecida como a Mãe do Príncipe da Paz. Dia primeiro de Janeiro é o dia Mundial da Paz, o mesmo dia dedicado a Maria mãe de Deus e mãe do príncipe da Paz. Será que isso é uma coincidência? Imagina as bênçãos da primeira leitura e principalmente a última bênção!
“O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!” Uma das preocupações de Maria nas suas aparições especialmente de Fátima era a Paz no mundo. Esta aparição aconteceu durante a primeira guerra mundial e Maria chorando por seus filhos porque seus filhos não se reconheceram que eram irmãos, deixaram fraternidade de lado e matavam um ao outro. Ela ainda está derramando lágrimas até hoje por causa da mesma paz. Não há outro dia mais adequado que este dia que Deus está derramando as suas bênçãos sobre nós, que Deus está nos guardando, fazendo o seu rosto brilhar sobre nós e principalmente está dando para nós a paz. Vamos deixar esta Paz reinar em nossos corações, nas nossas famílias, nas nossas comunidades e levar esta paz até os confins da terra.

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Fiquei impressionado com uma mulher já de idade que visitei. Na conversa ela falou: “Padre eu tenho oitenta e quatro anos e eu já aprontei muitas coisas na vida, só que eu não matei. Eu acho que já está na hora de mudar tudo isto, eu preciso agir direitinho agora”. A vida de Davi também foi assim. Davi aprontou muitas coisas na vida, coisas que não somos acostumados de ouvir. Faz uma pergunta sobre Davi e qualquer pessoa falará sobre como ele foi ungido por Deus quando ele era jovem ainda para conduzir o seu povo, como ele conseguiu matar aquele Filisteu gigante, e como Davi subiu a escada do nada até o grande Rei de Israel. Quantos os pecados de Davi; é aquele pecado famoso de cobiçar, usurpar a esposa de Urias e depois planejar a morte de Urias. Este homem que foi ungido por Deus e imagina coisas que ele apronta. Naturalmente ele era carismático e atraía multidões qualquer lugar que ele fosse e a mulherada gostava muito dele. Recordamos a fúria de Saul contra Davi, quando eles voltavam de uma guerra e as mulheres saíam pela rua cantando os elogios de Davi e deixaram o Rei atual de lado. Esta situação deixou Davi com muitas esposas na vida e naturalmente muitos filhos que ele não tinha tempo para cuidar. Então os filhos cada vez mais ficavam rebeldes que Davi imaginava. As coisas que aconteciam entre os filhos de Davi, os ciúmes entre eles sobre quem seria o sucessor de Davi, as violências, irmãos violentando irmãs como aconteceu entre Ammon, o primogênito de Davi e Tamar, filha de Davi. Absalão acabou matando Ammon por causa disso. Depois ele virá contra o pai querendo usurpar o trono de seu Pai. Tudo isso era preocupação para Davi, mas também era o reflexo da vida que Davi mesmo viveu.
A outra preocupação de Davi era a centralização do sistema político e religioso. Ele conseguiu fazer Jerusalém a capital de Israel e tudo está centralizado politicamente em Jerusalém e agora religiosamente como ele vai conseguir se a “Arca da Aliança” ainda estava no outro lugar? Davi finalmente conseguiu trazer a “Arca da Aliança” que representava a presença de Deus no meio do povo para Jerusalém, mas estava abrigada dentro de uma tenda.
Esta arca sempre ficou dentro de uma tenda e ainda está dentro da tenda, então porque de repente Davi quer construir um tempo para abrigar a arca? Claro que ele estava ficando com consciência pesada olhando para a situação em que ele estava vivendo a sua vida, o seu palácio, os seus servos, esposas, filhos e olhando onde estava a arca, ele não sentia bem. Como a mulher falou para mim que com a idade dela, ela precisa fazer coisas certas e agir direitinho. Davi também quer agir bem e fazer coisas certas. Davi está envelhecendo e recordando tudo aquilo que aconteceu na sua vida, as guerras, os defeitos, as brigas, as mulheradas na vida dele, os filhos que ele não conseguiu cuidar, o mal que ele fez até traindo seu próprio povo e desobedecendo os preceitos de Deus, ele precisa consertar tudo isto primeiramente com Deus. Então, entendemos porque Davi quer construir um templo para Deus.
Já que o Rei quer fazer as coisas certas, ele pede conselho do Profeta de Deus e o profeta fica fascinado com a intenção do rei e concorda com Davi, mas, depois, percebe que não era para o Rei construir o templo de Deus. Imagina que neste momento a preocupação do Rei é o templo de Deus, mas certamente ele tem outras preocupações principalmente com seus filhos, e qual deles seria capaz de suceder o trono depois da sua morte, e será que este filho teria a capacidade de conduzir a dinastia que ele trabalhou muito para estabelecer? Ele nem precisa pedir para Deus sobre isso, mas, Deus já responde e acalma Davi sobre suas preocupações. Deus sempre sabe o que nós precisamos e sempre está disposto para ajudar antes que nós pedimos. Ele faz isso do seu jeito e não do nosso jeito.
Deus fala ao Rei através do Profeta que ele não precisa se preocupar de construir uma casa ou um templo, pois quem vai construir a casa para o outro, é Deus e será uma casa que dura para sempre. Que casa é essa que dura para sempre? Deus está falando sobre a dinastia de Davi. Que esta dinastia vai ser diferente das outras dinastias que vêm e desaparecem, pois Deus mesmo vai ser o alicerce desta dinastia.
Como que ficou esta dinastia depois da morte de Davi? Durou por um tempo, mas foi destruída pelos Babilônicos, mas ainda o povo de Israel acreditava na profecia de Natan que uma pessoa da família de Davi surgirá um dia para restabelecer a Dinastia de Davi, esta pessoa será o Messias que vem com poder para restaurar Jerusalém para sua glória antiga.
Esta pessoa é o filho que foi anunciado pelo Anjo no Evangelho deste Domingo. Imagina o jeito que Deus respondeu a oração de Davi. Deus deu uma pessoa que vai continuar com a dinastia de Davi, mas, não do jeito que Davi e o povo de Israel esperavam. Eles esperavam um homem severo, mas eis um homem fraco, esperavam um Rei, mas, eis um servo, esperavam um homem que vinha queimar os pecadores e condenar os cobradores de impostos, mais eis um homem que veio para amar e salvar os cobradores de impostos, as prostitutas e todos os pecadores.
Isso é exatamente o que Lucas quer dizer no evangelho deste domingo. Ele não está interessado em descrever eventos ou fatos, mas, mostrar quem é este filho de Maria. Lucas através da sua narração do nascimento do Filho mostra que este Filho não é qualquer filho, mas o ungido de Deus, o filho primogênito de Deus, de fato o Messias que vem salvar o mundo. Ele faz uma comparação entre o nascimento de João Batista e Jesus. Se o nascimento de João foi extraordinário porque ele nasceu quando os pais já eram de idade, o nascimento de Jesus é mais ainda porque nasceu quando a mãe não conhecia homem algum, a mãe concebeu através da ação do Espírito Santo, e a mãe ainda era virgem.
Lucas no Evangelho enfatiza que isso aconteceu em Nazaré, porque este ênfase? Com este fato, Lucas está querendo dizer que Deus está agindo em favor dos pobres. Nazaré era uma pequena aldeia sem significância que ficava lá nas montanhas da Galiléia, um nome que não temos no Antigo Testamento. Claro que todo mundo estava esperando o Messias, mas pensava que ele iria surgir nas Cidades grandes como Jerusalém ou Belém que era a Cidade de Davi onde o povo ainda praticava Judaísmo puro. Que o Messias iria nascer de uma família nobre e rica. Mas tudo isto não aconteceu. Foi em Nazaré, a aldeia pagã que o anúncio do nascimento dele ocorreu. E pior ainda, para uma mulher que era virgem e anawin que quer dizer pobre. A palavra “virgem” para o povo de hoje é uma palavra que carrega em si respeito, mas antigamente não era. A palavra significava mulher que não presta, que não é capaz de atrair nenhum homem. Quer dizer que Maria não era ninguém, ela não era considerada, mas foi ela que recebeu a visita do anjo e este é o motivo do hino de louvor de Maria.
Nós já recebemos muitas Graças do Senhor, recordamos as bênçãos que Ele derrama sobre nós todos os dias, qual é o meu hino de louvor para Deus?

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3 DOMINGO DO TEMPO DO ADVENTO
Este Domingo é o terceiro Domingo do tempo do Advento que também é conhecido como o “Domingo de Alegria”. Porque este nome? Claro que além dos temas principais do Advento, cada Domingo nos apresenta outros temas para a nossa reflexão e as leituras deste Domingo falam sobre alegria. O profeta na primeira leitura anuncia o momento de alegria para os aflitos, momento de curar as feridas da alma, trazer boa nova aos humildes, redenção para os cativos, liberdade para os presos e proclamar o tempo da graça do Senhor. Paulo na sua carta aos Tessalonicenses nos convida a sermos alegres sempre, rezando sem cessar e dando graças a Deus em todas as circunstâncias que nós nos encontramos. O Evangelho por seu lado também enfatiza o tema de alegria quando João Batista nos alerta que o Messias já chegou e está no meio de nós. Então estas leituras já mostram o motivo por qual este Domingo é conhecido como “Domingo da Alegria”. Mas a outra razão é que a antífona da entrada começa com a frase: “Alegrai-vos sempre no Senhor”.
É interessante a história do povo de Israel dentro deste período do tempo do Advento. No primeiro Domingo do Advento, teve aquela oração belíssima de um salmista que suplicou a Deus e vir em socorro do seu povo de coração abatido e arrependido de seus pecados. Semana passada Deus respondeu proclamando libertação para seu povo com a condição que Israel preparasse e aplainasse o caminho do Senhor no deserto. Aconteceu que a profecia do profeta se realizou, pois o grande rei da Pérsia, depois um tempo conquistou Babilônia e decretou que todas as nações que foram escravizadas na Babilônia voltassem para seus países e Israel tinha que voltar para Jerusalém. Nem todos voltaram porque uns já ficavam acostumados com a situação na Babilônia, criaram suas famílias lá e não queriam começar tudo de novo. Mas aqueles que acreditaram nas palavras do profeta decidiram voltar para Jerusalém para experimentar aquele mundo novo, a profecia do profeta e para serem acolhidos com berros de alegria.
Infelizmente, eles não encontraram o que eles esperavam, era totalmente oposto de um mundo novo; hostilidade da parte daqueles que já estavam em Jerusalém antes da chegada dos deportados, eles passaram por cada dificuldade que nós podemos imaginar, mas ainda permaneceram firmes. Mas a situação ficava pior cada dia, com fome e sede eles conseguiram reconstruir o templo e a cidade, mas ainda com tantos problemas até que eles começaram se perder esperança nas palavras de Deus. O que está acontecendo, será que eles foram enganados pelo próprio Deus?
Quando estas perguntas começam de surgir, questionando a existência de Deus, a capacidade e o poder de Deus, quer dizer que está faltando algo na vida da pessoa e precisa de uma pessoa sábia ou que teme a Deus para reanimar esta pessoa ou o grupo. Então surge um profeta no meio do grupo mais uma vez que vem consolar e reanimar o povo. Qual é a mensagem dele? “Vós que estais desanimados, tende ânimo, coragem! Eis que vem o Senhor e nosso Deus”.
Estas palavras do profeta não são somente para o povo aflito de Israel, mas para cada um de nós que pensam que os sofrimentos e as dificuldades do mundo são muito pesados que nós. Ânimo e coragem! Pois a nossa salvação está perto que imaginamos. Jesus nos convida, “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e eu vos darei descanso”. Este é um momento de alegria, e não momento de reclamar, de chorar e de murmurar.
A missão do profeta é para trazer a esperança e coragem para o povo desanimado. Ele foi ungido para trazer a boa nova para os aflitos, para proclamar liberdade aos cativos e mais importante anunciar o tempo da Graça do Senhor. Cada cristão batizado também foi ungido e precisa realizar o papel do profeta trazendo a paz, e alegria, felicidade nas vidas dos outros especialmente os mais necessitados. Precisamos proclamar a liberdade e o tempo da Graça do Senhor. Encontramos cada dia pessoas que perdem esperança em Deus, pessoas que preferem a morte que viver esta vida cheia de problemas. De que jeito que nós ajudamos estas pessoas para ver o outro lado da vida? Quais são as nossas palavras para estas pessoas, palavras consoladoras ou desanimadoras? Muitas vezes nem precisamos falar, a nossa presença já basta, a tapa nas costas da pessoa, o sorriso no rosto, o Espírito de escutar já consola o outro.
A outra coisa que a primeira leitura nos ensina e que mesmo que o povo de Israel aceitou o convite de Deus voltar para Jerusalém, isso não era garantia que eles iam conseguir uma vida boa. As dificuldades sempre fazem parte da vida e o ser humano tem que aceitar este fato. Este problema do povo de Israel de pensar que tudo ia dar certo para eles em Jerusalém porque Deus ia lhes providenciar de tudo, ainda existe hoje. Muitas pessoas abraçam uma religião ou a outra, pensando que as dificuldades da vida serão resolvidas com a religião. Pessoas assim acabam ficando desanimadas, decepcionadas e finalmente se afastam das suas religiões, se não tiver uma pessoa para ajudá-los a entender melhor a vida. Religião não resolve problemas, mas nos ensina a conviver com os problemas e as dificuldades do melhor jeito possível.
João Batista no Evangelho de hoje não é diferente do profeta na primeira leitura desde os dois estão realizando o mesmo papel como homens enviados por Deus. João Batista não é uma figura messiânica, mas uma testemunha que veio dar testemunho do Salvador.
Ele fala que ele veio para dar testemunha à luz, que vem brilhar o mundo, aquela luz que o mundo está esperando, para resplandecer as trevas do pecado e do mal. João Batista é o primeiro a ver esta luz e nos encaminha para esta luz. Ele aponta Jesus como aquela luz que deve brilhar o mundo e Jesus depois dirá: “Eu sou o caminho, a verdade e a luz, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. Jesus é a luz que ilumina nossas vidas, que resplandece nossas vidas e nós precisamos ter os olhos de João Batista para enxergar isto, ler entre as linhas e interpretar os sinais do tempo para enxergar isto, senão seremos como os Judeus e seus enviados que não enxergam a luz de Jesus e ficam preocupados com a identidade de João Batista.
Falamos bastante sobre a humildade de João Batista semana passada, mas a humildade de João se repete no Evangelho deste Domingo também insistindo que ele não é aquele que há de vir. O papel dele é só testemunhar o Salvador do Mundo. Ele até manda seus discípulos a irem atrás de Jesus, pois ele é o Messias. João aceita a situação dele como o precursor e não o Messias. Ele não atrai atenção para si e não quer assumir o papel que não é dele.
Infelizmente hoje, temos guerras e brigas no mundo inteiro porque pessoas querem ser o que elas não são. Todo mundo quer de um jeito ou outro mandar, se aparecer e deixar os outros sabem que ele tem poder. Por isso, nós acabamos pisando em cima dos outros até matamos para conseguir poder ou autoridade.
João Batista é um exemplo, um modelo para humanidade, enquanto nós nos preparamos para vinda do Senhor. Que nós sejamos humildes na nossa caminhada para não atrapalharmos ninguém nesta caminhada, para que a vinda do Senhor seja realmente um momento de alegria para todos.

2 DOMINGO DO ADVENTO-B
Já estamos no segundo Domingo do Tempo do Advento ainda refletindo nos temas principais de esperança, vigilância e preparação para a vinda do Nosso Senhor e da Nova Era. Mesmo assim, este Domingo também traz em si outro tema muito importante para nós refletirmos durante esta caminhada do Advento. Estamos falando sobre libertação que vem do próprio Deus através de seus profetas Isaías e João Batista para o seu povo, Israel. No caso de Isaías, Israel deportada e escravizada na terra estrangeira é convidada a se preparar para acolher o Senhor que vem para salvá-la. O tempo de escravidão já passou e Israel estará numa nova fase da vida. Deus está pronto para salvar o seu povo, mas o povo também precisa aceitar o convite de Deus, acolher o convite de Deus, preparar o caminho para começar com esta nova vida. E no Evangelho João Batista convida Israel à conversão à “metanoia” para que o Messias e a Nova Era possam se manifestar.
Recordando a belíssima oração da primeira leitura da semana passada em que Israel pela primeira vez chamou Deus de Pai e Redentor, uma Oração que mostrou o arrependimento de Israel, que Israel aceitou suas culpas, uma oração que até provocou Deus para agir em favor do seu povo.
A primeira leitura deste Domingo então mostra a reação de Deus para com o seu povo. O ambiente desta leitura parece uma Assembléia Celestial onde Deus proclama a libertação iminente do seu povo.
É um momento de alegria, de consolar o povo de Jerusalém que o momento da escravidão passou, ela já pagou duplo pelos seus pecados. Aqui nós percebemos mais uma vez a aliança que existe entre Deus e Israel como pai e filho ou como marido e esposa, e isso leva a Deus a falar com o coração de Jerusalém. Deste jeito Ele vai convencer Israel sobre suas preocupações sobre o seu povo. O povo foi conduzido pelos pastores que corria atrás de seus interesses próprios. Agora Ele não vai deixar o seu povo nas mãos destes pastores humanos. Ele mesmo vai conduzir o povo de volta para sua terra própria. A que percebemos o tema do êxodo surgindo, pois, a mensagem de Deus é uma proclamação de um novo êxodo onde Deus vai conduzir o povo à libertação.
Por isso uma voz grita do céu “Preparai no deserto o caminho do Senhor, aplanai na solidão a estrada de nosso Deus”. É interessante o assunto do “caminho” nesta leitura, considerando o fato do papel de João Batista no Evangelho de Marcos. João Batista veio para anunciar o “caminho do Senhor” e Jesus proclama que ele é o caminho, que nos leva à libertação e a vida eterna. Então este caminho no deserto é o caminho rumo à libertação, é o caminho aderindo Babilônia à Jerusalém; da escravidão à libertação. Israel precisa preparar este caminho se ela quiser ser livre. Como o povo de Israel, nós temos os nossos problemas, os nossos momentos de escravidão de um jeito ou o outro somos escravos, porque há coisas em nossas vidas que nos dominam, como nossas paixões, sentimentos, até os pecados que nós precisamos nos livrar. O nosso Deus está pronto para nos ajudar, mas nós precisamos em primeiro lugar tomar uma atitude positiva e preparar o caminho para Deus entrar e nos livrar da nossa escravidão. Como o Senhor pode entrar na minha vida, na minha casa e realizar milagres em mim, se eu não abrir a porta para Ele?
O evangelho que é o início do Evangelho de Marcos apresenta a missão de São João batista. É interessante que Marcos que foi o primeiro Evangelista começa o Evangelho com a palavra “início”. Esta palavra é tão importante tanto como a palavra “evangelho”. Recordamos que a Bíblia começa com a palavra “início” para descrever a criação de Deus e o começo de um mundo novo. Marcos usa esta palavra para dizer que o evangelho de Jesus, a vinda de Jesus é começo de um mundo novo e quem aceita o evangelho de Jesus experimenta felicidade e alegria, pois, a palavra “evangelho” existia antes que os quatros evangelhos foram escritos e tinha um significado diferente. O evangelho era uma notícia boa como nascença de um filho, vitória na guerra que trazia alegria e felicidade para o povo. Então, Marcos usando a palavra “evangelho” está querendo dizer que a história de Jesus é uma notícia boa, de fato, é a boa nova que traz felicidade e alegria para quem a aceita.
Depois de lançar a história de Jesus, e para nos introduzir ao assunto de João Batista, ele cita uma frase do profeta Isaías. “Eis que envio o meu mensageiro à tua frente, para preparar o teu caminho”. Mas que parte do livro do profeta Isaías que nós temos esta citação de Marcos. Na verdade esta citação não está no livro de Isaías, mas uma combinação Ex 23,20 e Ml 3,1. No livro do Êxodo, Deus faz uma promessa de enviar um mensageiro na frente de Israel para guiá-la até a terra prometida e o profeta Malaquias coloca a promessa de Deus num contexto escatológico e ainda nos alerta que este mensageiro será o precursor do Profeta Elias. Marcos, o evangelista está simplesmente dizendo que este mensageiro anunciado no livro de Êxodo e Malaquias de fato, é o João Batista. Deste jeito ele apresenta a missão de João Batista.
Israel está esperando o tempo messiânico, a vinda do Messias que vai mudar a situação do seu povo, que conquistará os Romanos e reinará para sempre. Mas parece a vinda do Messias está demorando e os rabis falam que a demora do Messias é por causa dos pecados de Israel. Este é o motivo da pregação da conversão de João Batista. A pregação dele é grande advertência para o povo, porque ele fala que a vinda do Messias provocará uma grande transformação e o povo tem que mudar radicalmente e se preparar para este dia.
As pessoas que foram para serem batizadas eram as pessoas que realmente precisavam da vinda do Messias e a mudança de suas vidas. De um jeito ou outro, nós precisamos uma mudança radical em nossas vidas também, mas, o que nós estamos fazendo para realizar esta mudança em nossas vidas? Somos viciados de um jeito ou outro com uma atitude e queremos se livrar desta atitude, mas o que nós estamos fazendo para tirar esta atitude na vida? Se nós nos desistimos dos nossos pecados, como podemos esperar a vinda do Senhor? Aceitar o convite de João mostra o nosso desejo de se converter, de mudar e o desejo de Deus de perdoar antes da vinda do Senhor.
Imagina a importância de João como o precursor do Messias. Um homem que todo mundo respeitava por causa da sua maneira de viver. Vivia no deserto e convidava o povo para o deserto para fazer a experiência do novo êxodo e vivia uma vida modelada nos preceitos de Deus. Este homem que Herodes respeitava e gostava muito de escutar ele falar, um homem que Jesus elogiou como o mais importante no mundo. Humildemente, no evangelho de hoje, João confessa sua indignidade diante de Jesus. Muitas pessoas pensavam que João era o Messias. Ele poderia dizer que desde as pessoas se acham que ele é o Messias, ele usurpa o lugar do Messias. Mas João nunca fez isso e simplesmente falou que ela não é digno de desamarrar as sandálias do Messias. Hoje temos brigas, guerras no mundo porque queremos dominar outras pessoas, pisar em cima dos outros, pegar as coisas dos outros, usurpar a autoridade dos outros. Precisamos mudar a nossa vida, aprender de agir como João Batista se realmente queremos apressar a vinda do Messias.

1 DOMINDO DE ADVENTO-B
A primeira leitura deste domingo é uma oração que vem como uma lamentação de um psalmista sobre a situação de seu povo, Israel. A oração mostra que o autor é um verdadeiro judeu e filho de Javé. Israel já está na Babilônia na escravidão, Jerusalém junto com o templo estão destruídos e este psalmista junto com os seus irmãos lembra cada momento da destruição de Jerusalém, com as mulheres correndo na procura de abrigo para seus filhos, mulheres grávidas gritando pedindo ajuda e os homens não podem socorrê-las. Desamparadamente, os mais forte são deportados para Babilônia como escravos.
Israel pode dizer que a sua deportação para escravidão foi uma desgraça, uma vergonha, mas se ela fizesse uma boa reflexão sobre o acontecimento, perceberia o lado positivo desta desgraça. Israel agora tem esta oportunidade e amplo templo para refletir melhor sobre a sua vida e justamente isso que ela faz. Ela percebe suas falhas e o que provocou a desgraça. A atitude de Israel neste momento é como uma criança que está fazendo uma coisa errada e quando percebe a presença do seu pai e sabe que vai apanhar, ela já começa de chorar pedindo desculpas. Israel sabe muito bem que a culpa é dela, mas faz uma oração de uma forma que parece ela joga a culpa de Deus. Esta oração é uma das belas orações que nós temos nas Sagradas Escrituras, oração que brota de um coração angustiado e abatido que até provoca Deus a agir em favor do seu povo.
Israel nunca chamou Deus de Pai ou Redentor, mas nesta leitura, pela primeira vez, Israel chama Deus de Pai e Redentor. Por que isso? Porque ela queria diferenciar entre o Deus de Israel e os outros deuses que os pagãos se acostumavam de chamar de Pai porque se casavam e tinham filhos como seres humanos. Ela queria mostrar que seu Deus não era e ainda não é como estes deuses e por isso que Israel não se acostumou de chamar Deus de Pai. A outra razão é que ela já tinha um pai. Abraão era considerado como o pai de Israel, então chamar Deus também de Pai iria confundir o povo sobre quem realmente era o pai de Israel. Por isso que eles não chamavam Deus de Pai.
Israel está numa situação tão difícil que ela não vê nenhuma saída se Deus não vier em socorro dela. Ela não tem mais ninguém que pode lhe ajudar a não ser este mesmo Deus que ela desobedeceu e isso também é a razão de usar a palavra “Redentor” para descrever a Deus.
De angustia, ela faz uma pergunta bem profunda que na verdade mostra que ela está arrependida e aceita o fato que ela desviou do caminho de Deus e que Deus não deveria deixar ela desviar. Sim, Deus sempre tem bons planos para seus filhos, mas depende dos filhos também aceitar os preceitos de Deus ou não aceitar. Os filhos sempre têm a liberdade de escolher de fazer escolhas e Deus nunca vai tirar de nós este direito por que o ser humano não é um robô. Sempre vai ter opções ou dois caminhos e o ser humano precisará usar o seu raciocínio para fazer a escolha certa e se responsabilizar pelas suas escolhas. Pode imaginar se Deus tirar de nós a liberdade, quem seremos então?
O Psalmista, na sua oração reflete sobre os prodígios que realizou em favor do seu povo no passado a partir do evento do êxodo até a entrada na terra prometida e exclama que não há outro deus como o Deus de Israel. Então porque o sofrimento? Será que Deus esqueceu mesmo do seu povo, será que Ele não se interessa mais nos assuntos do seu povo, que mal eles fizeram para merecer este castigo? Este é o grito de Israel, os filhos estão chorando porque eles sabem que são seus pecados que lhes levaram para onde estão. Então reunidos em oração, eles pedem perdão de Deus e gritam em esperança, “Senhor, tu és nosso pai, nós somos barro; tu nosso oleiro, e nós todos, obra de tuas mãos”. E como Deus vai jogar fora as obras de tua mão?
O que está acontecendo com Israel vai sempre ser a nossa situação se nós não nos afastamos do pecado para seguir os preceitos de Deus. Falam que tudo que é proibido sempre é gostoso e as pessoas vão sempre querer experimentar o que é proibido, mas aonde isso vai nos levar? É como um filho que está querendo brincar com fogo e o pai que está perto chama atenção dele para não brincar com o fogo, mas ele não quer saber. Então, o pai bate nele, ele chora e se afasta do fogo, mas com os olhos no pai e quando o pai se distrai um pouco, o menino volta para o fogo e se queima. Agora, ele chora mesmo sem o pai bater nele por causa da dor da queimadura. Chorando, aonde ele vai? Para o pai, que vai pegar ele no colo para tratar as feridas e mostrar o amor paterno.
Com este domingo, começamos com o tempo de Advento e precisamos nos preparar para a vinda do Filho do Homem não somente no sentido da sua nascença, mas também a parousia, que é a sua nova vinda. O evangelho nos fala que ninguém sabe quando o momento vem, quando vai ser o dia, nem o Filho do Homem sabe. Quem tem este conhecimento sobre isto é somente a Deus. Mas que dia ou momento é este? Já escutamos muitas vezes este evangelho destes últimos domingos e já estamos acostumados com a leitura. Este momento é a hora em que o Filho do Homem chegará na sua gloria. A mensagem do evangelho é que desde nós não sabemos quando vai ser este dia e em que momento ele virá, portanto, os discípulos precisam ficar vigilantes.
O que quer dizer ficar vigilantes? Funcionar como guardas, ficar sentados sem fazer nada esperando quando ele vai chegar? Jesus elabora o seu ensinamento usando uma parábola de um homem que estava viajando para um estrangeiro deixando seus bens nas mãos de seus empregados distribuindo as tarefas a cada um de acordo com a sua capacidade. O evangelho então mostra que o homem deu trabalho para seus empregados e os empregados devem trabalhar na ausência do seu mestre e não ficam dormindo. Trazendo esta parábola na vida real, percebemos que nós somos os empregados e Jesus é o mestre. Antes da subida de Jesus ao céu, ele nós encarregou com muito trabalho e por isso que nós precisamos trabalhar em vigilância esperando quando ele virá.
Vamos imaginando o porquê às vezes entramos na Igreja e o sono imediatamente nos pega sabendo que este não é o momento de dormir, mas ficar vigilante para escutar a palavra de Deus. Por que não conseguimos ficar acordados por uma hora dentro da Igreja, mas conseguimos sentar diante do computador por vinte quatro horas sem sentir sono? A tentação é muito forte e nós precisamos a força do Espírito Santo para superar estes momentos da nossa vida. Mesmo que o sono é muito forte precisamos ficar vigilantes para participar na alegria do Senhor.

FESTA DO CRISTO REI

Chegamos ao final do ano litúrgico com a festa do Cristo Rei, com a nossa profissão de fé: Deus nos arrancou do poder das trevas e nos transferiu para o Reino de seu Filho amado. Nele temos redenção, o perdão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda criatura. Como membros da Igreja, celebramos na eucaristia a memória de sua vida entregue por nós. “Jesus lembra-te de mim quando entrares no teu reinado.”

Hoje, celebramos a festa do Cristo Rei, o ultimo domingo do Ano Litúrgico. Por que essa festa? Porque desde o começo do ano, a nossa preparação era justamente para o estabelecimento do Reino de Deus aqui na terra. Tudo o que aconteceu no Antigo Testamento até o Novo Testamento era uma preparação para este dia da festa do Cristo Rei. Se nós tentarmos viver a vida e as mensagens de Cristo, daí este dia merece ser celebrado. Então a Igreja achou oportuno coroar o Ano Litúrgico com esta festa, salientando o lugar de Cristo diante da Humanidade e do Universo.

Não é estranho que o Evangelho deste Domingo está usando a literatura apocalíptica de uma forma de diálogo. Este Evangelho parece uma parábola, não é mesmo assim, é uma passagem bem construída para terminar os discursos e ministério público de Jesus.

Analisando a passagem, percebemos que os outros Evangelistas não falam nada sobre esta passagem, então a pergunta sempre é de onde vem esta passagem. Será que é original de Mateus, um ensinamento da Igreja Antiga, ou de judaísmo que é a religião do povo judeu? A probabilidade do Evangelho sendo original de Mateus é muito forte porque contem alguns elementos como as características e vocabulário de Mateus. Por exemplo: a passagem fala “Afastai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno, preparado para o diabo e para seus anjos”. Estas são palavras duras e terríveis que Mateus se acostumava de usar e não é o único lugar que ele usa palavras como estes. Outros lugares ele declara: “Jamais conheci vocês, afastem-se de mim malfeitores.” Nem contaremos quantas vezes que a frase “Enquanto a este, jogai-o fora na escuridão, onde haverá choro e ranger de dentes”, é repetido no Evangelho de Mateus. É por causa disso que muitos até hoje pensam que esta passagem é original de Mateus.

Mesmo assim, esta passagem está refletindo as preocupações de Jesus sobre o jeito que nós nos preparamos para entrar no Reino de Deus. O Evangelho nos apresenta uma religião prática de atos de amor, principalmente pelo próximo. Jesus nos Evangelhos resume toda a Lei em dois mandamentos, amor por Deus e ao próximo e nós podemos mostrar o nosso amor por Deus através do nosso amor pelo próximo.

Muitas pessoas interpretam este Evangelho e falam que nem a nossa fé em Jesus, nem fazer parte da Igreja, pode nos garantir a vida eterna. São as nossas obras de caridade que é mais importante. Mas a pergunta é com quais motivos que nós realizamos obras da caridade? Os discípulos de Jesus são chamados a praticar caridade, pois isso faz parte dos elementos da nossa fé. Então o Evangelho está dizendo que os homens serão julgados pela fé que tiveram em Jesus. A nossa fé aqui significa o reconhecimento e compromisso com a pessoa concreta de Jesus. Mas onde que nós podemos encontrar Jesus? Nos famintos, aqueles que têm sede, não somente materialmente, mas também espiritualmente, nos estrangeiros, nos nus, nos doentes e nos prisioneiros. Jesus se identifica com estas pessoas porque são as mais necessitadas que nós temos. Mas Jesus pode ser encontrado em qualquer outra pessoa, então o discípulo de Jesus tem que ser bem aberto para o mundo sem nenhuma descriminação ou preconceito, porque nós não sabemos onde nós encontraremos Jesus sem saber que é ele. Isso também não deve ser a nossa preocupação se nós tratamos cada pessoa igual com o amor incondicional.

A pergunta ainda existe sobre os motivos das nossas obras de caridade, porque muitas vezes as nossas práticas de caridade têm várias intenções, mesmo que não percebemos. Quantos outros motivos podem estar por trás da nossa vontade de ajudar; ganhar poder sobre o outro, se sentir melhor que o outro, tentar comprar a Deus, desta forma ganhar a vida eterna, me compensar pelos meus próprios defeitos? Por isso que o evangelho nos encoraja de praticar um amor que não faz cálculos.

Caríssimos irmãos e irmãs, claramente o Evangelho fala sobre o fim do tempo e o juízo final, mas de um jeito que provoca medo em nós. Assim ficamos pensando que tipo de Evangelho é este que está cheio de ameaças ao invés de animar e confortar o povo? E também a tentação de olhar para Deus como um contabilista, o dia de julgamento como um dia de acertar contas é muito forte neste Evangelho. Precisamos entender o contexto em que o Evangelho é apresentado. A linguagem empregada pelo Evangelista, o período e para quem o Evangelho foi escrito, deste jeito evitaremos todo tipo de desentendimento.

Então o que Jesus quer dizer no Evangelho de hoje? Os rabis na época de Jesus ensinavam que o nosso tempo aqui na terra era muito importante e não poderíamos desperdiçá-lo. O presente é como a terra onde nós podemos conseguir a nossa comida e o futuro é como o mar ou o deserto onde não tem comida. Então o ser humano precisa ter a sua comida no presente, para que no futuro, ele não sofra. Mas Jesus quer mostrar que a vida do ser humano é mais importante e ainda mostra o jeito que nós podemos viver esta vida bem e plenamente, usando este cenário do Pastor separando as ovelhas dos cabritos como exemplo. Os Pastores se acostumavam de separar as ovelhas dos cabritos durante a noite porque as ovelhas que são mais fracas precisavam de muita atenção e proteção durante a noite que os cabritos não precisavam. Mesmo que Jesus usa este exemplo do pastor no seu tempo ele também emprega a profecia do profeta Ezequiel que é a primeira leitura para chegar até este ponto. Ezequiel olhando a situação de Israel com a invasão da Babilônia, o templo destruído, Jerusalém em ruínas, as pessoas fugindo para outros lugares para evitar escravidão, proclama as palavras da Salvação. Ele faz uma comparação entre o povo de Israel com o rebanho sem pastor. E a promessa de Deus é que Ele não vai entregar o seu rebanho aos pastores humanos, pois, Ele mesmo que cuida do seu rebanho, vai resgatar as ovelhas dispersas e trazê-las de volta ao rebanho. Assim Ezequiel nos mostra quem é este Deus que nós adoramos. Provedor e defensor da justiça, um protetor dos fracos. A última parte da primeira leitura parece uma ameaça pra aqueles dentro do rebanho que sempre aproveitam a situação dos outros para se enriquecer, pisando em cima dos outros, especialmente os fracos e indefesos. É uma promessa que Ele intervirá em favor dos oprimidos, pobres e explorados. Esta é a inspiração, o motivo e a inspiração de Jesus no Evangelho.

Que lição que nós aprendamos das leituras de hoje? Em primeiro lugar o Evangelho não é uma ameaça, é uma provocação para avaliar as nossas vidas como cristãos. Que maneira que eu estou vivendo a minha vida cristã? A minha maneira de viver será medida exclusivamente pelas coisas que eu faço pelos outros. Em segundo lugar, nós precisamos sair desta vida que gira em torno de nós mesmos, levando-nos a procurar os outros que estão em dificuldades. Que tudo não depende de nós, precisamos escutar os outros também e se for possível ajudar não somente materialmente, mas também espiritualmente. Em final que Deus não se interessa na condenação de seus filhos, mas o bem, a salvação de seus filhos. As ovelhas e os cabritos estão dentro de mim mesmo; às vezes eu ajo como ovelha, outras vezes como cabrito, mas, o meu Deus vai me ajudando para que eu possa tirar dentro de mim os elementos de cabrito para ganhar a vida eterna.

Evangelo 33 DOMINGO DO TEMPO COMUM-A
Este Domingo é o penúltimo Domingo do Ano Litúrgico. Nestes últimos domingos, o nosso olhar está no céu, onde celebraremos a vitória de Cristo sobre o céu e a terra; se nós permanecermos firmes na Fé em Deus, formemos parte desta Vitória de Cristo. Os nossos esforços não são inúteis, é permanecendo firmes que nos dará a vida eterna.
A primeira leitura normalmente é usada durante as Celebrações de matrimônio porque ela fala sobre a mulher digna, a mulher com quem cada homem gostaria de se casar. Esta leitura é um poema cantado em honra desta mulher, encorajando cada mulher e cada pessoa a imitar os exemplos desta mulher forte. Mais que elogio, o poema proclama a sabedoria personificada como esposa ideal, que leva o homem para a justiça, honra, prosperidade e vida.
Quem é esta esposa, onde poderemos achar esta esposa? A esposa é uma parceira cotidiana, prática e doméstica, que tem que ser exaltada. Ela também é conhecida como a figura pública de sabedoria, por isso que no livro de provérbios, ela representa sabedoria que finalmente mora dentro da casa para servir aqueles que aceitam o convite dela. A esposa, a mulher é muito importante e valorizada por causa das virtudes que ela carrega nos ombros. E deve ser respeitada. O valor da mulher para o marido é como o valor da sabedoria para seus discípulos.
A leitura fala em primeiro lugar às atividades extraordinárias e incessantes da esposa. Ela é uma boa esposa porque ela traz alegria para seu esposo e filhos, ela é a coluna da família porque a situação da família está nas mãos dela. Se estiver paz, serenidade, harmonia, alegria, felicidade dentro da casa, é por causa dela. Ela não perde tempo em conversas fiadas e fofocas, porque ela sempre está preocupada com o bem estar de seus filhos e marido e cada pessoa que bate na sua porta.
A leitura fala que ela é trabalhadora, batalhadora. Ela nunca tem tempo para si. Ela levanta de manhã cedo para cuidar da casa, arrumar os filhos e levar os filhos para escola e ainda cuida do marido, ajuda o marido no seu trabalho. O trabalho que a boa esposa faz o marido não faz metade.
A leitura também enfatiza os negócios comerciais da boa esposa, deste jeito mostrando a riqueza, a mobilidade que a esposa traz dentro da casa. Ela sempre é comovida pelas necessidades das outras especialmente os pobres e sempre está disponível para ajudar os outros. Ela não guarda coisas para si e a sua família, mas partilha com qualquer pessoa que precisa ajuda dela.
No final a leitura fala sobre este aspecto religioso da mulher; sempre coloca Deus no primeiro lugar e tenta passar isso pela sua família. Mesmo que ela fica ocupada com seus afazeres domésticos, ela nunca se esquece de Deus, pois, Deus é a prioridade dela. Antes de dormir, ela se reuni toda família para rezar junto, porque ela sabe muito bem que a família que reza junto vive junto para sempre.
A leitura está dizendo que assim deve ser cada mulher ou esposa, mas, será que isso é a verdade sobre cada mulher que nós encontramos? Se cada mulher fosse como descrevida na leitura, porque os homens sempre precisam procurar e fazer pesquisas sobre as atitudes da mulher antes de se casar com ela? Analisando bem a pergunta no início da leitura perceberemos que não todas as mulheres têm estas virtudes da mulher perfeita. A mulher perfeita na nossa situação de hoje é muito difícil achar. Nós precisamos ajudar uns aos outros para sermos parceiros adequados tanto as mulheres quanto os homens.
Hoje em dia têm mulheres que não sabem o que é trabalho, elas não fazem nada dentro da casa, são os maridos que fazem o papel da mulher. Tudo que elas fazem é só para cuidar da beleza delas. Elas não sabem o que é Deus, não têm dedicação. Assim, percebemos o quanto que as mulheres não estão colaborando com as Sagradas Escrituras sobre seus papéis como mulheres dentro e fora de casa.
Maioria das vezes, a primeira leitura sempre tem de uma maneira, relação com o Evangelho, mas hoje, as leituras parecem tão diferentes que não vemos nenhuma relação. Quem é o protagonista do Evangelho? Qual é a mensagem do Evangelho? Claramente o Evangelho fala sobre o intervalo ou período entre a Ressurreição de Jesus e a sua vinda, quer dizer que está falando sobre o período da Igreja e como os discípulos de Jesus têm que agir durante este tempo. O Senhor Jesus Cristo como o Mestre, o homem rico do Oriente nos deu muitos talentos antes de viajar e nós não sabemos quando ele volta, então precisamos trabalhar com os talentos que recebemos dele, não é um momento de folga. Então o terceiro servo que escondeu o seu talento é o protagonista do Evangelho. Com Jesus aconselhando seus discípulos de todo tempo que não podemos agir como este terceiro servo preguiçoso que não faz nada. Lembra as características da mulher na primeira leitura e o que geralmente acontece hoje? Mulheres que ficam paradas sem fazer nada, pessoas que não querem meter a mão nas coisas para trabalhar? Isso mostra a relação entre a primeira leitura e o Evangelho de hoje.
Caríssimos irmãos e irmãs nós como a Igreja já recebemos muitos talentos do Senhor de acordo com nossas atividades, e precisamos trabalhar, precisamos sair para desenvolver os nossos talentos. O Senhor nos deu o Evangelho e pediu que nós partilhamos a boa notícia e deixar a boa notícia chegar até os confins da terra. Nós temos muito trabalho e não podemos ficar parados. Precisamos transformar este mundo com as ações de Cristo. Estes talentos são os ministérios que nós temos dentro da Igreja. Estes ministérios nós dão a oportunidade de trabalhar dentro da Comunidade. Será que todos os ministérios estão funcionando bem dentro da Comunidade, por que uns ministérios funcionam bem e os outros não? Quem não pode trabalhar bem dentro de um ministério por causa de um problema ou o outro só precisa devolver aquele ministério para o banco que é a comunidade e a comunidade pode dar para a pessoa que vai trabalhar para ganhar mais lucro.
Hoje tem muitas pessoas que ficam dormindo dentro da Igreja, vinte e quatro horas por dia. Esta atitude é uma exageração porque é certo que ficamos dentro da Igreja, porque Deus é a nossa prioridade, mas no outro lado, onde nós vamos colocar em prática tendo aquilo que nós aprendemos dentro da Igreja? Que adianta aprender e não colocar em prática? As tentações do mundo não estão dentro das paredes da Igreja, mas fora, então vamos sair para encarar estas tentações, pois é assim que o discípulo de Jesus pode crescer. Jesus não gastou seu tempo inteiro com seus joelhos no chão, ele anunciava a palavra, curava, consolava, conversava, amava os pobres e marginalizados, e por fim tinha tempo para refeições. Ele fazia tudo isto em Oração e discípulo de Jesus também têm que agir desta maneira fazendo todos seus deveres em oração.

TODOS OS SANTOS
Nós não saímos de nada para retornar para nada, somos criaturas de Deus e o nosso Deus tem planos para cada um de nós, por isso que fomos criados por Ele. As leituras de hoje revelam os planos divinos de Deus para nós. Ele nos chama a partilhar com Ele sua santidade, a santidade que nos leva a vida eterna.
Hoje celebramos a missa de todos os santos, normalmente a Igreja celebra esta festa no dia primeiro de novembro, mas a Igreja no Brasil tem o costume de adiar a celebração ao domingo seguinte quando este dia cai no dia da semana. Caríssimos irmãos e irmãs, a nossa fé nos mostra que a única pessoa que é santa é o nosso Deus, pois é isso que nós proclamamos todos os dias na missa durante o canto da gloria. Santidade é um estado onde não há imperfeição ou fraqueza. Então somos certos de dizer que só Ele é santo, enquanto a nossa vida é cheia de pecado, problemas, dificuldades que não podemos imaginar.
A primeira leitura nos convida hoje a contemplar a santidade de Deus e a santidade que Ele está preparando para nós. È ainda tanta tristeza, dificuldades que nós passamos neste mundo? Tanto sofrimento que acontece, pessoas inocentes que sofrem todo tipo de violência, injustiça, traições e muitas vezes, não podemos entender o porquê tanto sofrimento. Será que estes sofrimentos realmente não têm sentidos? Às vezes, buscamos o sentido de nossos sofrimentos, mas não conseguimos nenhuma resposta. Como o ouro é provado no fogo, assim o ser humano é provado através das dificuldades que nós passamos na vida. Jó é um bom exemplo para nós. Ele, que tinha tudo na sua mão, perdeu tudo para provar a seu amor por Deus. Quando nós conseguimos de superar estes momentos de dificuldades, daí, nós faremos parte deste grupo dos santos que aparecem diante de Deus cantando a glória do Pai.
Caríssimos irmãos e irmãs, como filhos de Deus, somos chamados a ser santos; a chamada universal , a santidade nos ensina que todos são chamados a viver uma vida santa, a ser santos, por que o próprio Deus pediu para Moisés no livro de Levítico “Diga a toda a comunidade dos filhos de Israel; Sejam santos, porque eu, Javé, o Deus de vocês, sou santo”. Lv. 19,2. Esta chamada é para todo o mundo e não somente para a casa de Israel, pois a nova casa de Israel é a Igreja, e quem faz parte da Igreja, também é chamada a santidade.
Vivendo a vida santa tem nada ver com perfeição, mas é um processo da vida de buscar o próprio Deus através da pessoa de Jesus Cristo. O povo santo de Deus é simplesmente aqueles que amam Deus e vivem Nele.
A santidade é uma jornada que começa aqui na terra e por isso que Paulo sempre tem um jeito muito especial de começar suas cartas, saudando os membros das suas comunidades chamando os “santos de Deus” Estes povos, para qual Paulo escrevia suas cartas eram vivas e não mortas, então, porque ele lhes chamava santos? Porque ele sabia muito bem que a santidade começa aqui na terra, quando a pessoa ainda está viva e não quando ela está morta. A santidade começa com a nossa conversão, o nosso arrependimento do pecado, a nossa decisão de mudar nossas vidas para retomar o caminho certo, quando a metanoia, aquela mudança radical acontece em nossas vidas, daí, nós sabemos que santidade está acontecendo nelas.
Enquanto acontece conversão de coração e mente, começamos a nossa viagem para Deus que é santo. Como Cristão, a nossa meta é conseguir santidade e para conseguir santidade, significa imitar Jesus, de nos entregar pelos irmãos, de seguir os passos de Jesus, de amar uns aos outros. Jesus é o único caminho para santidade, de fato, não tem diferença entre Jesus e santidade
Então, este dia não é somente um dia em que nós recordamos todos os santos, mas também para examinar nossas vidas para ver se nós estamos no caminho à santidade ou não, se nós estamos seguindo os passos de Jesus ou não. Ele não somente nos mostra o caminho, ele também nos ensina como andar neste caminho. No evangelho, Jesus está nos dizendo que para ser santo é viver as bem-aventuranças.
O que é bem-aventurança? Bem-aventurança é uma exclamação de parabéns que reconhece um estado de felicidade e alegria que quase sempre começa com a palavra; “feliz” ou “bem-aventurado”. Com esta definição, as bem-aventuranças não são somente encontradas em Lucas e Mateus como muitos pensam, mas tanto no novo testamento como no antigo testamento.
As bem-aventuranças são o resumo de todos os ensinamentos de Jesus onde a pregação é o coração do seu ministério e nós podemos ainda resumir as bem-aventuranças na primeira bem-aventurança. “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus”. Mateus descreve o lugar das bem-aventuranças como no monte, mas Lucas prefere uma planície. Como pode ser que o mesmo evento ocorre em dois lugares totalmente diferentes e no mesmo tempo sabendo que os dois evangelistas estão contando a mesma historia. Será que é possível harmonizar as historias dos dois evangelistas e será que é necessário fazer istojá que os dois estão catequizando e mudam alguns elementos da história para encaixá-la nas situações dos seus ouvintes? Para Mateus, o monte sempre é importante nos momentos de ensinar, de passar ou transmitir a palavra de Deus aos discípulos. Assim, ele apresenta Jesus como o novo Moises, lembrando que o mesmo também recebeu a lei e passou ao povo lá no monte.
Lucas nos apresenta quatro bem-aventuranças no seu evangelho e Mateus nos apresenta oito. As primeiras três de Lucas são autenticas e Mateus poderia usar estas três de Lucas adicionando sua matéria própria de justiça que é um dos temas muito importantes no seu evangelho. Por exemplo, Lucas fala que bem-aventurados os pobres e Mateus aumenta dizendo que bem-aventurados os pobres em espírito. O que Mateus quer dizer com isso? Pelo menos nós sabemos que é os pobres em espírito que são bem aventurados, não qualquer pobre, mas os pobres em espírito. Parece que o evangelista está espiritualizando as bem-aventuranças, mas faz sentido e nós podemos dizer que santos são os pobres em espírito porque o reino de Deus é deles. Eles são pobres em espírito porque sabem que tudo o que possuem é de Deus e eles, administradores dos bens de Deus. Neste jeito, eles usam tudo o que têm para o bem das suas comunidades.
É esta vida que Jesus está nós convidando a viver e quando nós conseguimos a viver esta vida, com certeza, estaremos no caminho à santidade.

30 DOMINGO DO TEMPO COMUM- A
O livro do Êxodo faz parte dos cinco livros do Pentateuco. O nome do livro significa “saída” da escravidão egípcia, pois isso é um dos assuntos principais do livro. O livro é muito importante tanto no antigo testamento como no novo testamento, pois ele fala sobre a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito, o estabelecimento da Lei e a estadia do povo no monte Sinai, deste jeito, dando continuidade a historia da criação no livro de Gênesis e também preparando o caminho para os outros eventos da viagem do povo que só terminam com o discurso de Moisés ao povo antes da entrada na terra prometida no livro de Deuteronômio.
A importância do livro para o novo testamento está na pessoa de Moisés que é o protagonista do livro ligado com a pessoa de Jesus. No livro de Êxodo, Moisés se torna o maior servo de Deus com o seu papel como líder e o intermediário entre Deus e seu povo. Deste jeito, ele se torna um modelo não somente para Jesus, mas também para os profetas. Sem este livro, a Bíblia não faz sentido.
A primeira leitura então nos fala sobre o estabelecimento da Lei, aliás a parte da lei que o povo recebeu de Deus através o seu servo Moisés. Esta leitura fala sobre as normas que promovem as relações sociais entre o povo de Israel e os estrangeiros, e claramente condenam a exploração da miséria. O povo de Israel passou por um problema seríssimo que era escravidão. Agora, o povo se encontra no monte de Deus e fora da escravidão, ele recebe um líder, a lei e um lugar para morar e sabendo muito bem o significado destes elementos que Israel agora é uma nação, ela começa a refletir mais com as normas para não repetir a ninguém aquela desgraça que ela sofreu nas mãos dos egípcios.
Israel está sonhando uma sociedade nova e alternativa que seria totalmente diferente daquela sociedade que ela experimentou no Egito. Então, ela começa de olhar não somente a sua relação com Deus, mas também com os estrangeiros, as viúvas, os órfãos e os pobres. Estes quatro grupos de pessoas têm uma coisa em comum que é a falta de proteção e o outro fato é que maioria das vezes os estrangeiros, as viúvas e os órfãos são os pobres. Israel passou um tempo em Egito como estrangeiro e sofreu bastante com injustiças e não quer repetir a mesma coisa com os outros, portanto, faz uma legislação que proíbe seus cidadãos a maltratar os vulneráveis e pobres.
Esta recomendação também vale para o povo de hoje, pois de um jeito ou o outro, nos somos estrangeiros. O estrangeiro não é somente uma pessoa que vive numa terra que não é a sua terra própria, mas também vive nas situações onde ela não se sente bem ou não é bem acolhida. Às vezes, maltratamos pessoas com nossos olhares, descriminamos outras pessoas porque não fazem parte de nós, são da outra tribo, da outra nação ou da outra classe. Mesmo dentro da comunidade cristã, há descriminações porque não aceitamos uns aos outros simplesmente porque somos de diferentes pastorais e movimentos. Será que um irmão de um movimento pode participar nas celebrações do outro movimento sem problema? Quantas vezes nós mostramos que a presença do outro não é bem vinda?
O povo de Israel tinha dentro da comunidade o grupo de viúvas e órfãos como nós temos hoje e qual seria a relação da comunidade e este grupo? Este é um grupo desamparado, um grupo sem proteção nenhuma por causa da perda de um marido ou os pais. Em vez de dar toda atenção para as viúvas e órfãos, que na maioria das vezes são marginalizados, desprezados e explorados. Quem luta, maltrata, ou faz qualquer coisa contra este grupo está fazendo o mesmo contra Deus, pois o próprio Deus é o defensor das viúvas e pai dos órfãos. Precisamos tomar uma atitude positiva para com este povo porque a situação deles pode ser a nossa situação amanhã.
Dinheiro emprestado não era para fazer lucro, mas para ajudar, aliviar o outro que está passando dificuldades. Muitas pessoas tomavam vantagem das situações difíceis dos outros para fazer mais dinheiro com dinheiro emprestado, pegavam propriedades como penhor e não devolviam as propriedades porque devedores não conseguiam devolver o dinheiro. Esta situação era muito forte no tempo do profeta Amos que acusou os ricos de deitar nos mantos dos pobres e de vender os pobres por um par de sandálias. Esta norma então foi feita para proteger os pobres. Quem pegar o manto de um pobre como penhor precisa devolvê-lo antes do pôr-do-sol, porque Deus é sensível para os clamores dos pobres e pode ser que nossa atitude irá provocar a ira de Deus.
No evangelho, temos Jesus como o novo Moisés resumindo toda a lei no amor por Deus. Os Fariseus são os mestres da lei porque eles têm a autoridade de interpretar e ensinar a lei. Em vez de simplificar a lei para que os mais simples da sociedade possam também entender as exigências da Lei, eles ficam complicando a lei e colocando regrinhas que deixam todos desanimados e desconfortáveis com a lei. Jesus hoje nos fala que toda a lei está pendurada no amor por Deus. “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma de todo o teu entendimento”. Este amor por Deus precisa de toda dedicação e atenção. O amor por Deus não é simplesmente oferecendo sacrifícios ou indo para Igreja e pagando dízimo, mas colocando a minha vida ao dispor Dele. Como que posso colocar a minha vida ao seu dispor? Aí vem a segunda parte do resumo de Jesus, “amará ao teu próximo como a ti mesmo”. O amor pelo próximo é a única prova do nosso amor por Deus. Agora, quem é o meu próximo? Não são somente aqueles que amam; aqueles que fazem parte da minha família ou da minha comunidade, mas cada pessoa que nós encontramos no caminho.
Quando eu consigo amar o próximo seja quem for, eu tenho a certeza que eu estou cumprindo o maior mandamento que é amor por Deus.

29° DOMINGO DO TEMPO COMUM (A)
No copa do mundo de 1986 que ocorreu no México, um dos jogos de quartas de finais, Argentina jogou contra a Inglaterra. Neste jogo, o Argentino, Diego Amando Maradona fez um gol com a mão sem o juiz perceber. Este gol consequentemente foi votado como o gol do centenário. Na entrevista após o jogo, o Maradona disse que foi a mão de Deus que fez aquele gol, e hoje, aquele gol é conhecido como o gol com a “mão de Deus”.
Luiz Suarez, o Uruguaio, também repetiu a historia de Maradona quando Uruguai jogou contra Gana na copa do mundo 2010 que aconteceu na África do Sul. Suarez não fez um gol com a mão, mas se tornou o goleiro e tirou a bola que estava entrando o gol dos Uruguaios. Suarez foi expulso do jogo, mas Gana também perdeu o pênalti e consequentemente perdeu o jogo para os Uruguaios. Luiz Suarez também falou que foi a mão de Deus que tirou a bola do gol dos Uruguaios.
Estes dois casos de Maradona e Suarez claramente são ilegais e não deve acontecer principalmente nos esportes para manter a paz entre os atletas e seus países. Mesmo assim, eles atribuíram seus comportamentos para a mão de Deus. Eu não estou dizendo que certamente foi a mão de Deus que agiu nestes casos, mas quando a mão de Deus está agindo, não há lugar para lógico ou raciocínio. A mão de Deus ou o lógico de Deus vai além do nosso raciocínio e por isso que às vezes, não conseguimos entender o seu jeito.
Por que tudo estas histórias de futebol? Porque a primeira leitura deste domingo fala sobre a mão de Deus. Muitas vezes, não percebemos a mão de Deus agindo em nossas vidas, precisamos de discernimento para perceber isso e somente aqueles que têm este dom como o profeta de Deus na primeira leitura percebem isso. Por muitos anos, Israel está na escravidão na Babilônia, cansados, não percebem nenhuma saída, não percebem o iminente fim dos seus problemas. Mas inesperadamente, surge no meio deles um profeta com as palavras consoladoras e expressões da esperança. Ele é inteligente, tem o dom de ler entre as linhas, ele vê nos eventos ou acontecimentos do dia, a mão de Deus agindo em favor do seu povo, Israel.
Quais eram os acontecimentos do dia? O texto pertence a um oráculo de investidura real, mas não de um rei de Israel. O oráculo se trata do rei dos persas, Ciro. Pérsia era uma pequena nação que se tornou grande e famosa com o rei Ciro. Ele conquistava lentamente as outras nações na época que Babilônia era poderosa, mas se tornou a última vitima da Pérsia. Depois de conquistar Babilônia, Ciro permitiu que cada nação que estava na escravidão na Babilônia voltasse para sua terra própria. Com este decreto, Israel voltou para sua terra e começou a reconstrução do Templo e da cidade de Jerusalém. O profeta então, vê nesses acontecimentos e o comportamento de Ciro, a mão de Deus agindo na história da humanidade e principalmente em favor do seu povo. “Tomei-o pela mão para submeter os povos ao seu domínio, dobrar o orgulho dos reis, abrir todas as portas à sua marcha, e para não deixar trancar os portões”. Este homem, Ciro não era judeu, mas foi usado por Deus para realizar a sua justiça para o seu povo e para todos.
É impressionante que Israel jamais chama qualquer pessoa de “ungido”. Este título é reservado somente para os reis e os profetas de Israel. Este título também significa o Messias, um título reservado para aquele que há de vir, que reinará sobre Israel nos últimos dias. É o único lugar no Antigo Testamento onde o titulo “ungido de Deus” é usado por um estrangeiro. Ele é ungido porque Deus lhe usará para convergir à história do mundo com seus desenhos por um pequeno grupo do povo capturado e escravizado.
Hoje, nós nos encontramos na mesma situação de Israel, vivendo num mundo estrangeiro, perdidos, sem saber o que fazer e parece Deus está longe, não toma interesse com a nossa situação. Quem então está dirigindo o nosso mundo sempre é a nossa pergunta. A leitura nos obriga e encoraja a abrir os nossos olhos, a melhorar o nosso discernimento espiritual para ver a mão de Deus agindo em nossas vidas.
A outra lição é que não podemos desprezar de ninguém em nossas vidas. Precisamos reconhecer a importância de cada pessoa que encontramos. Quem pensava que Deus iria escolher um estrangeiro para lidar com a restauração do seu povo? É do mesmo jeito, as pessoas que jamais esperamos, possam ser usadas como instrumentos da nossa salvação.
“Pois devolvam a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Estas são as palavras de Jesus no evangelho. O que Jesus quer dizer com isso? Infelizmente esta pronuncia foi interpretada em vários jeitos dependendo da situação da pessoa fazendo a interpretação. Os políticos usavam a pronuncia para dizer que os cristãos não devem se meter nos assuntos políticos. Os cristãos do outro lado também usavam as mesmas palavras para proibir os políticos se meterem nos assuntos religiosos e para justificar o porquê a Igreja pode ter propriedade. O cristão é uma pessoa que vive e faz parte da sociedade e deve contribuir para o bem da sociedade. Ele pratica a sua fé dentro da sociedade e sua fé deve permear todos os aspectos do seu ser; aspecto econômico, político e social. Então, quer dizer que há relação entre religião e sociedade.
Os fariseus e os do partido de Herodes querem saber a opinião de Jesus sobre o pagamento de imposto, mas também com o motivo de apanhá-lo. Vamos olhar bem o jeito deles; eles começam de elogiar Jesus. “Mestre, sabemos que es verdadeiro e que, de fato, ensinas o caminho de Deus. Não te deixas influenciar pela opinião dos outros, pois não julgas o homem pelas aparências”. Mesmo que o elogio deles é de verdade, a intenção deles é outra coisa. Será que nós somos diferentes destas pessoas que colocam a pergunta diante de Jesus, pois nós às vezes elogiamos pessoas, mas com qual motivo? Jesus não se deixa ser levado pelo elogio deles, mas analisa cada palavra deles e logo percebe que estão colocando uma armadilha no seu caminho. Responder sim iria ser uma traição das expectativas populares e a luta pela liberdade da dominação romana e responder não complicar a situação de Jesus e terminar na sua condenação. Então, Jesus pede que devolvam para César o que é de César e para Deus o que é de Deus. Jesus complica a situação para eles porque eles estão usando a moeda que tem a imagem de César que quer dizer eles mesmos comprometidos com o sistema, especialmente aqueles do partido de Herodes. Agora, devolver para César o que é de César significa devolver a moedas que têm a imagem dele. Isso pertence a César. Precisamos também devolver a Deus o que é de Deus. Então, o que nos temos que devolver, pois tudo já é dele. Do jeito que devolvemos a moeda a César porque tem a imagem dele, do mesmo jeito devolver a Deus aquilo que tem a imagem Dele. E que criatura tem a imagem de Deus. As primeiras páginas da Bíblia nos falam que Deus criou o ser humano na sua imagem e semelhança. O ser humano não pertence a ninguém além de Deus. Ninguém tem o direito de dominar, oprimir escravizar o outro, pois isso significar tentativa de roubar de Deus o que é dele.
O cristão deve entender que ele tem a obrigação moral e civil para contribuir a sua parte na construção da sociedade se isso significa pagar impostos. Ele pode criticar, sugerir, até se candidatar para qualquer posição, mas nunca esquece de ser um homem de exemplo para os outros.

28° DOMINGO DO TEMPO COMUM
Já encontramos muitas parábolas nas leituras destes últimos domingos e este domingo não será diferente dos outros. As leituras deste domingo principalmente a primeira leitura e o evangelho nos apresentam a imagem do banquete que fala de amizade e partilha, onde o próprio Deus marca sempre a sua presença.
A nossa primeira leitura faz parte do texto que é conhecido como o “Grande Apocalipse de Isaías”. O texto começa no versículo 24 a 27 e fala sobre o fim dos tempos. O Apocalipse é um jeito de escrever que surgiu mais tarde depois do tempo do Profeta e isso nos deixa um pouquinho desconfiados sobre a pessoa que escreveu essa parte do livro do Profeta Isaías. O texto também tem vários temas; como o julgamento final do universo, a instauração do reino de Deus, e com certeza, o banquete preparado pelo próprio Deus no monte Sião para todos.
Todos os dias encontramos pessoas em situações que parecem sem saídas, às vezes nós passamos por estas mesmas situações em algum momento de nossas vidas e consequentemente perdemos a esperança em tudo, inclusive em Deus. Quando isso acontece, precisamos buscar inspiração nas Sagradas Escrituras; e um dos textos que podem nos ajudar é a passagem da primeira leitura, pois apesar da fala sobre banquetes, festas, comidas e bebidas, a meta é a de deixar o mundo mais confiante em Deus, animar mais a comunidade e colocar esperança no povo. O povo de Deus tem a confiança de que vai triunfar sobre todos os poderes hostis ao homem, a Deus, e ao projeto de Deus.
Como será o fim dos tempos, que tipo de paraíso que às vezes apresentamos? Mesmo que as sagradas leituras sempre apresentem um paraíso fabuloso, onde há muito que comer e beber, o ser humano sempre fica se afastando deste tipo de paraíso. Hoje, Isaías apresenta um paraíso atraente, onde todos são convidados a participar do banquete do Senhor. Este banquete é o sinal de amizade, de partilha, de proteção divina e da fraternidade.
Na nossa situação sabemos muito o significado do banquete, pois de um jeito ou de outro, já convidamos outros para banquetes ou festas de aniversários, de casamentos, de inaugurações de casas ou empresas, etc. Quer dizer que convidamos com motivos, e Deus também está convidando o mundo para o banquete com um motivo. Qual é o motivo de Deus, porque este banquete?
Em primeiro lugar, é um banquete para celebrar a realeza de Deus. Antigamente eram somente os reis que conseguiam organizar banquetes como este que Isaías está descrevendo. Eles organizavam estes banquetes por motivos políticos, para criar alianças, fortalecer amizades e também para celebrar a sua vitória sobre seus inimigos. Então, Deus nos convida para celebrar sua realeza como Rei dos reis.
Em segundo lugar, Ele quer celebrar a sua vitória e a nossa vitória sobre o inimigo. Quem é este inimigo de Deus que está derrotado? È a morte. Esta vitória será o presente de Deus para cada um de nós. Quando falamos sobre a morte, não é necessariamente a morte física mas cada situação que prejudica a humanidade: tristeza, dor, vida sem sentido, fraquezas, guerras, brigas, doenças, marginalizações. Tudo isso será eliminado da face da terra, e a vida começará a ter sentido de novo.
A festa vai acontecer no monte Sião, colina sobre a qual está construída a cidade de Jerusalém. Lá é o ponto de encontro, pois é a casa do pai, o templo de Deus.
O Evangelho também vai pegar este tema do banquete com a parábola de Jesus falando sobre um banquete preparado por um rei no casamento de seu filho. Esta é a terceira parábola contada por Jesus em sequencia. Jesus está em Jerusalém, no local do templo, aonde se encontram os sumos sacerdotes e os anciões do povo , o centro do poder religioso, político e econômico. Desta vez, ele faz uma comparação entre o reino de Deus e uma festa de casamento. Como no domingo passado, Jesus contou a parábola derivada do cântico de Isaías sobre a vinha do amigo, ele usará de novo, a passagem do banquete messiânico do profeta, que é a primeira leitura deste domingo para desenvolver a sua parábola de hoje. Mas a parábola de Jesus nos parece severa, com muitas perguntas que nos levam a uma reflexão bem profunda. Será que o rei é obrigado a convidar todos para a festa do seu filho? Será que devemos cumprir um convite de qualquer jeito? Por que o rei não convidou a todos de uma só vez, e só convidou um grupo de pessoas? Será que o rei sabia que esse grupo iria recusar o seu convite? Se esse grupo não recusasse o convite do rei, como ficaria o destino desse povo que finalmente aceitou o convite do rei? E a atitude do rei contra o homem que não estava usando o traje de festa, Como que nós podemos explicar isto? Há várias perguntas que ainda podemos fazer, mas essas perguntas bastam para nos dizer que a parábola de Jesus é um pouquinho complicada e Mateus, o evangelista não nos ajuda quando ele junta as parábolas para transmitir uma mensagem para a sua comunidade. Claramente, Mateus coloca duas parábolas juntas; o banquete do rei e seus convidados é uma parábola e o homem sem o traje da festa é outra parábola.
Agora, o importante é tentar explicar o porque dos primeiros convidados não terem aceito o convite. Aceitar um convite significa comprometer-se. Claramente, acredito que até agora , já entendemos que o rei nessa história está representando o nosso Deus e o filho é Jesus Cristo. Aceitar o convite então quer dizer se comprometer com Deus e seus projetos. Essas pessoas não estão prontas para fazer isso. Eles estão conseguindo tudo sem nenhum compromisso com Deus, para eles não é necessário isso. Eles matam, roubam, enganam para conseguir o que querem. E não estão prontos para ceder tudo isso, só por causa de um convite.
O outro assunto é a preparação do rei. Por três vezes neste evangelho, o evangelista nos alerta sobre a aptidão do rei: “dizei aos convidados; já preparei… tudo está pronto. Vinde para a festa”. Como ficaria o sentimento da pessoa que faz tudo para agradar ao outro que chega só para criticar, resmungar, xingar? Este rei dedicou o seu tempo, gastou seu dinheiro, preparou uma comida bem gostosa, e tudo que os outros deveriam fazer era simplesmente comer e beber. Mas, ainda tinha problemas com isso. O que o rei recebeu em troca? Ele e seus empregados foram mal tratados. Agora o convite que era para poucas pessoas, se torna um convite para todos; ricos e pobres, brancos e negros, santos e pecadores. E isso é o significado da nossa igreja.
Falando sobre o homem sem traje de festa, ficamos com pena dele. Mas a pergunta é como ele conseguiu entrar na sala da festa sem o traje apropriado. Todos estão convidados, mas, quem entra na sala tem que estar preparado. Todos estão convidados para a vida eterna, inclusive os pecadores, mas eles têm que se arrepender dos seus pecados, precisam mudar seus comportamentos antes de entrar, senão Deus os jogará fora, na escuridão, onde tem choro e ranger de dentes.

27° Domingo do Tempo Comum
Comparações analógicas não estranham o povo de Israel, pois já são acostumados com as comparações nas sagradas escrituras. Israel às vezes é representada como a noiva de Deus, a esposa de Deus, a predileta de Deus, a amada de Deus. Então, a representação de Israel, por nosso Senhor, como uma vinha também não é estranha, mas o jeito que o profeta apresenta o retrato é impressionante.
A leitura fala sobre o canto da vinha do Senhor, um cântico que é bem feito ou fabricado como uma parábola para mostrar a decepção, desilusão de um proprietário sobre a sua vinha. Isaías fala sobre um amigo, que tem uma vinha muito importante. Porque esta vinha é muito importante, o que tem dentro desta vinha que a faz tão importante. O amigo de Isaías até tem orgulho de falar para o mundo sobre a sua vinha. Deve ter uma coisa que atrai a atenção do povo sobre esta vinha. Em primeiro lugar a vinha é de primeira classe, das mudas boas, importadas, que valem muito dinheiro. Em segundo lugar a vinha está numa terra boa e fértil, onde todo mundo pode ver a beleza da vinha. Em terceiro lugar , esta vinha tem um muro construído ao seu redor, bem protegido contra ladrões, animais selvagens ou qualquer tipo de problema. Por fim, o amigo do profeta está gastando muito dinheiro e a sua dedicação para esta vinha. Ele está investindo muito ; tanto em dinheiro como em dedicação e quem investe, faz assim para ganhar e não para perder.
Depois de tudo isso, o amigo agora está esperando os frutos do seu trabalho e todo mundo está de olho nele para participar, na sua alegria e felicidade. Vamos lembrar, que é uma história que Isaías está contando para um povo, e o povo também está esperando ansiosamente como Isaías vai terminar a história do seu amigo.
O dia chegou para colher os frutos, o amigo chega lá com toda alegria esperando conseguir frutos bons, doces, que podem produzir um bom vinho. E para sua surpresa, ao invés de conseguir bons frutos, ele conseguiu o contrário: frutos azedos. Que azar, tudo saiu o contrário do que ele imaginava, perdeu todo o seu dinheiro, perdeu tempo, e a lição que ele queria mostrar também não deu certo.
A pergunta de Isaías para seus ouvintes é o que o seu amigo não fez, o que o amigo deveria fazer para a vinha que ele não fez. E qual seria a resposta do povo? O proprietário deu toda a sua vida para a vinha e não merecia os frutos azedos, mas infelizmente só conseguiu frutos azedos.
A história de Isaías leva o povo para passar julgamento, como no caso de Daví e o profeta Natã. Davi passou o julgamento sem saber que ele era a vítima. Os ouvintes do profeta Isaías, também passam julgamento sem saber que eles são as vítimas. Agora a interpretação da história lhes esclarece aonde Isaías com o seu Cântico. Ele fala sobre um amigo e ninguém faz questão de saber quem é o amigo.
Ninguém sabe deste amigo. Quem é este amigo? Aonde fica a vinha? O que Isaías quer dizer com tudo isto? Ninguém sabe deste amigo, mas no versículo 6 da passagem, nós temos indicações que nos ajudam a presumir quem poderia ser este amigo de Isaías.

. Nenhum agricultor tem poder sobre as nuvens do céu. Para o povo da Bíblia, só Deus é que pode fazer isso. Então , a história não é tanto um cântico de um agricultor decepcionado com a sua vinha quanto a frustação de Deus em relação a sua noiva, Israel. Quer dizer que este amigo sobre quem Isaías está falando é Deus que deu tudo para o povo de Israel e estava esperando bons frutos do povo,e ele irá se decepcionar com o Povo.
Podemos dizer que a parábola de Isaías não terminou ainda. Inspirado pela história , Jesus adiciona outra dimensão para completar a história. Jesus nos ajuda a refletir bastante sobre os frutos produzidos. Por que frutos azedos ou invés de frutos bons? Por que injustiças ao invés de justiça? Iniquidades ao invés de boas obras? A vinha não tem desculpas, porque recebeu tudo e deve produzir os melhores frutos possíveis.
Jesus então chama a nossa atenção para outros fatores que podem também prejudicar o desenvolvimento da vinha e consequentemente explica o porquê dos muitos azedos. Jesus conta a parábola de um proprietário que plantou uma vinha, fez tudo à vinha e arrendou-a a vinhateiros e viajou. O tempo da colheita chega e ela manda servos para receber sua parte da colheita e eis, a surpresa! Uns apanharam, mataram outros. O mesmo aconteceu na segunda vez até que ele decidiu mandar seu filho pensando que eles o respeitarão, mas, a maior surpresa há de vir. Pegaram e levaram-no para matar.
Tanto na primeira leitura como no evangelho, a vinha está representando o povo de Israel e o proprietário é Deus. Os vinhateiros no evangelho são a liderança do povo. O povo de Israel sempre decepcionou Deus enquanto Deus fazia e ainda faz de tudo para proteger o seu povo. Os vinhateiros tem uma responsabilidade maior. O desenvolvimento total da vinha depende do trabalho do vinhateiro. Se ele tiver tempo e dedicação para a vinha e usar os recursos do proprietário num jeito adequado, a probabilidade do vinho produzir bons frutos é muito maior. Mas, desde o início até hoje, os vinhateiros muitas vezes deixam muito a desejar. Deus, ás vezes pedia paciência , não somente com os vinhateiros, mas também com os pastores. Ao invés de cuidar da vinha ou das ovelhas, eles só preocupavam-se com si mesmo.
Hoje nós podemos dizer que o que aconteceu com os vinhateiros no Evangelho poderá acontecer aos vinhateiros de hoje, se não realizarmos nosso papel como devemos. Deus está colocando muitos recursos, dedicando a sua vida para sua vinha, e nós temos empregos, graças a Ele e a sua vinha. Ele está esperando resultados; boas obras, justiça social e não os choros dos injustiçados, ele está esperando amor e não ódio. È isso que Deus está esperando de cada um de nós, senão perderemos o nosso emprego e ficaremos desempregados.
Lembremos que a nossa cidade é como uma vinha de Deus, onde Ele está dedicando seu tempo. Nós estamos recebendo muito das mãos de Deus, então logicamente Ele está esperando bons frutos de nosso lado. Quais são os frutos que estamos produzindo no momento? Será que Deus ficará feliz com os frutos produzidos pela nossa cidade? Será que a nossa cidade poderá dizer que ela tem a paz, o amor, a justiça e a serenidade? Será que a cidade conseguirá trazer felicidade ao povo, colocando alegria no rosto deles. Qual é a realidade da nossa cidade hoje? Será que há diferença entre o povo de hoje e o povo de Israel nas leituras deste domingo?
Jesus contou a sua parábola para nos mostrar a bondade de Deus e como Ele ama o seu povo. Ele não vai condenar o seu povo ao seu destino próprio, Ele vai dar mais chances para produzirmos os frutos adequados.
Agora, quem vai nos condenar são os nossos próprios frutos.

A FESTA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA
INTRODUÇÃO
Caríssimos irmãos e irmãs, hoje celebramos a festa da Assunção de Nossa Senhora, uma festa que recorda e proclama as maravilhas que Deus realiza em Maria, tornando-a sinal de profecia que projeta a vida da Igreja e daqueles que pertencem a Cristo como destinados a participar da gloria eterna. Celebrar esta festa da Nossa Senhora de Assunção é o reconhecimento da subida da nossa Mãe e da Igreja ao céu em corpo e alma, a manifestação da felicidade de todo o povo fiel e a assembléia dos anjos por tudo que Deus se realizou nela. Esta festa mostra a nossa solidariedade e interesse na mãe de Jesus que é também a mãe de todos os batizados e a rainha de todos os santos de Deus.
As nossas leituras de hoje estão cheias de símbolos que precisam um pouco de cuidado para entender. O autor da primeira leitura está usando uma forma de escrever que o povo de seu tempo entendia muito bem. Com muita facilidade, o Apocalipse explica na primeira leitura de maneira tão diferente a missão da Virgem Maria: “Então apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas” (cf. Ap.12,2). Os cristãos de seu tempo estavam sendo perseguidos, e este era um jeito de escrever para lhes consolar e encorajar sem os adversários sabendo o que estava acontecendo. Assim o povo ficou sabendo que o mal não tinha mais poder sobre eles. “Agora se realizou a salvação, a força e a realiza do nosso Deus e o poder do seu Cristo.”
Por causa do papel bem realizado por Maria e o fato de Maria tinha sido assunta ao céu, o Papa Pio XII teve toda alegria de definir e proclamar no dia 10 de novembro o dogma da Assunção de Maria. “Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso de sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma á gloria celeste”. Esta graça foi dada somente a Maria; e ela hoje participa da gloria de seu filho Jesus. Como Maria, conseguiremos de participar um dia na gloria de Deus, mergulharemos na eternidade de Deus, pois isso é o nosso destino.
Somos convidados hoje a contemplar Maria e as leituras nos ajudarão a fazer isso. Na primeira leitura, Maria parece tão longe de nós, ela não é nossa companheira porque ela vive uma vida diferente da nossa vida, uma vida sem problemas, sem dificuldades, sem duvidas, sem angústias. Mas no evangelho, nos achamos uma personalidade que é como a de nós. Maria precisava de fé para aceitar os planos de Deus por ela e a sua família, ela precisava de fé para superar os momentos difíceis da sua vida, ela não entendia coisas imediatamente como nós, ela às vezes pensava sobre coisas que foram ditas sobre o seu filho, ela também às vezes não entendia coisas que o filho fazia e dizia.
Maria na primeira leitura está nos dizendo que este lugar não é o nosso lugar e por isso somos convidados a contemplar o céu como nosso destino. Temos que dirigir nossos olhos para o céu porque não nascemos para viver aqui na terra para sempre. Como Paulo disse na segunda leitura, a primeira pessoa que entrou na glória do Pai foi Jesus e como Maria, nós que pertencemos a Cristo, entraremos nela também.
Caríssimos irmãos e irmãs, o que é mais importante aqui não é o céu, mas o modo da vida que nos conduz ao céu. A leitura nos apresenta três personagens; a mulher grávida, a serpente e o filho. Nestas personagens nós veremos como Deus fala e age, como nós somos convidados a agir.
A serpente sempre é um animal perigoso. Na Bíblia, este animal representa o mal, o pecado, a inimiga da vida. A serpente sempre vem quase invisível de nossos olhos, se rastejando no chão, se aproxima silenciosamente e quando menos esperamos, ataca e joga seu veneno em nosso sangue e quando este veneno mortal entra e se mistura com o nosso sangue, nos mata lentamente. Sangue também significa a vida. Então, o veneno aqui é o mal, o pecado, a maldade que entra a nossa vida e destrói a vida divina dentro de nós. Por isso que somos convidados a ter cuidado com a serpente porque brincando com ela é brincar com a nossa vida.
A mulher grávida nas Sagradas Leituras sempre significa aquela que gesta e gera a vida divina e nós somos acostumados a ver nela Maria. Mas a Bíblia também vê nela o símbolo do povo de Deus, daquele povo que pertence a Cristo. Então, é um povo que cria condições para que a vida divina desenvolva no meio do mundo e na sociedade. Assim como a mulher grávida gesta e gera a vida de Deus, da mesma forma, o povo de Deus gera a vida divina em nós. Nós temos que lutar para impedir o veneno do pecado, do mal, e da maldade se espalhe na sociedade. Temos esta responsabilidade de lutar contra o mal. O perigo de ser atacado pela serpente, pelo pecado, pelo mal, pela maldade… existe. Nós temos que ter cuidado com isso.
O filho da mulher grávida para nós representa Jesus Cristo, o Messias, aquele que vai salvar o mundo. O mal também sabe a missão do filho aqui na terra então todas as forças do mal estão esperando o nascimento dele para destruí-lo antes que seja tarde. O Filho desde o seu nascimento quer dizer a sua ressurreição da morte foi revelado como o Cristo, o Messias. Desde aquele momento, as forças do mal lutar contra ele, mas elas não conseguem porque o Pai o trouxe na sua gloria. Este é o nosso lugar, a gloria do Pai e Maria está nos dizendo que nós podemos conseguir chegar a este lugar mesmo com o diabo vagando no mundo querendo nos devorar. Ela conseguiu e nós podemos conseguir também.
O nosso mundo hoje é como um campo de batalha onde as forças da morte lutam contra as forças da vida e parece que às forças da morte estão dominando. Ódio, solidão, traições, medo, injustiças econômicas e sociais, doenças, tudo mostra que as forças da morte estão dominando. Daí o que Deus faz diante deste problema, será que Ele somente olha sem fazer nada, Ele nos deixa nas mãos do mal sem fazer nada? Maria hoje celebra a vitória da vida sobre a morte e nos fala que nós celebraremos a vitória da vida sobre a morte um dia.

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20 DOMINGO DO TEMPO COMUM
No dia que celebramos o vigésimo domingo do tempo comum, celebramos também o dia dos pais. Nesta Santa Missa, rezemos pelos Pais que tem a responsabilidade de criar suas famílias, que eles consigam as graças de Deus para continuar com a criação de Deus.
A liturgia deste domingo recorda a universalidade da salvação de Deus para o mundo, a salvação que deve começar de um lugar, de um povo que tem esta oportunidade para iniciar-la.
O tom do Evangelho de hoje é um pouco polêmico porque nós encontramos Jesus seguindo o comportamento do seu povo, agindo de uma maneira tão rude com a mulher Cananéia. Aonde Jesus quer chegar com este comportamento? Os discípulos estão bravos e querem que Jesus lhe conceda o seu pedido para que ela possa parar de gritar atrás deles. Isso me faz lembrar a passagem de Lucas que fala dos ensinamentos de Jesus sobre oração. Jesus fala, “Eu declaro a vocês: mesmo que o outro não se levante para dar os pães porque é um amigo seu, vai levantar-se ao menos por causa da amolação e dar tudo aquilo que o amigo necessita.” LC 11,8.
Em minha opinião, foi exatamente isso que aconteceu entre Jesus e a mulher Cananéia. Esta mulher sabe muito bem que Jesus não é simplesmente uma autoridade moral ou religiosa, mas ele é o Senhor, o filho de Davi que pode nos perdoar e nos curar das nossas enfermidades, quer dizer, que Jesus veio com o Projeto de guiar o rebanho de Deus. É esta sabedoria da mulher que encanta Jesus, e graças a sua sabedoria, ela participa no projeto de Jesus, ela faz parte dos filhos de Deus mesmo ela sendo conhecida como uma pagã.
O povo de Israel considerava os estrangeiros como pagãos, como pessoas impuras, pessoas contaminadas, pessoas que não conheciam Deus. Até que os mestres da lei ensinavam o povo a evitar de qualquer maneira os estrangeiros, pois muitas vezes os estrangeiros conseguiam desviar o povo de Israel de sua religião. Aqui a história de Jezebel contra Elias no livro dos Reis é um exemplo. Ela conseguiu introduzir em Israel o deus de seu País. Parece que todo mundo em Israel, inclusive o próprio marido Ahab que era o rei de Israel naquele momento foi seduzido a adorar Baal. A luta para tirar Baal de Israel agora sobrou para Elias. Josué também tem a mesma coisa para dizer ao povo de Israel “Se vocês acham que não é bom servir a Javé, escolham hoje a quem vocês querem servir… Eu e a minha família serviremos a Javé.” Então para evitar tudo isso, eles não queriam mais ter contato com os estrangeiros. O povo de Israel tinha uma mentalidade fechada, não permitiam estrangeiros no templo, por eram contaminados, impuros, pecadores, pagãos. Então, eles começaram a desprezar , marginalizar e tratavam os estrangeiros muito mal. Para eles, a cultura deles era A CULTURA e a religião deles era A RELIGIÃO, por que eles eram os prediletos, os filhos verdadeiros de Deus. Esta mentalidade vai mudando com a experiência do exílio, onde eles vão perceber que não são melhores que os estrangeiros, que a cultura deles não é melhor que as outras culturas e a religião deles também não é melhor que as outras religiões. Com o exílio eles vão se abrir para abraçar outras formas de viver, de apreciar outras pessoas, de olhar para o lado positivo dos estrangeiros, e todas aquelas barreiras que existiam entre eles e os estrangeiros serão quebradas. Não importa a sua tribo, nação, religião, cultura, temos os mesmos direitos de sermos filhos de Deus, por que Deus não faz diferença entre as pessoas. O mais importante é nós fazermos a vontade do Pai. O profeta na primeira leitura fala claramente que os estrangeiros que fazem a vontade de Deus serão salvos, serão acolhidos na casa do Pai, pois a casa do Pai é a casa de todos e não somente daqueles que são escolhidos. O critério para entrar na casa do Pai de agora em diante é fazer a sua vontade e não mais o fato de pertencermos a algum grupo, nação, tribo, uma cultura qualquer que seja.
Este problema ainda existia no tempo de Jesus, pois o povo de Israel não aprendeu muita coisa no exílio. Os mestres da lei ainda continuavam ensinando ao povo o desprezo pelos estrangeiros, por isso que ainda existiam brigas entre os israelitas e os samaritanos no tempo de Jesus. Por isso que a maneira de Jesus para com a mulher Cananéia era um pouco deslocada, mas também era de propósito, um exagero para zombar os mestres da lei e mais importante, ensinar seus discípulos que não podemos tratar os outros mal só porque são de outra religião, cultura, tribo ou nação. De fato, não podemos tratar outras pessoas com preconceitos.
Falando sobre tudo isto, o que nós podemos aprender da Liturgia de hoje? A nossa igreja é católica que quer dizer universal porque as portas da Igreja estão abertas para todo mundo, mas será que as portas da Igreja estão realmente abertas para todo mundo? É importante recordar que a Igreja também teve problemas como o povo de Israel no início da sua formulação. Às vezes os apóstolos brigavam entre si, e nem sabiam o que fazer; abrir as portas da Igreja para os estrangeiros ou não, espalhar a boa nova além das fronteiras de Jerusalém ou não.
Os Santos Padres da Igreja num ponto da história da Igreja afirmaram que fora da Igreja não há salvação. Até hoje nós tentamos explicar esta afirmação pelo lado positivo dizendo que a Igreja é o representante de Cristo, de fato é o corpo de Cristo, então quer dizer que a Igreja é Cristo. Portanto, fora de Cristo, não há salvação. Será que é isso mesmo que os Santos Padres da Igreja queriam dizer ou estavam tentando restringir a salvação só para a Igreja Católica?
Hoje o que acontece entre nós em nossas comunidades? Será que todo mundo é bem acolhido em nossas comunidades, como nós aceitamos pessoas de outras culturas, de outras religiões, de outras línguas que moram no nosso meio, como é a nossa convivência com esse povo?
A nossa cidade é uma cidade metropolitana, com várias culturas, nacionalidades, religiões e pessoas de várias mentalidades que podem enriquecer a cidade, mas isso vai depender da maneira que aceitamos uns aos outros.
Como podemos desenvolver esta cidade se a salvação é só para um grupo, se os filhos de Deus são somente membros de um grupo ou de uma Igreja?
Vamos avaliar mais uma vez as nossas atitudes para tirar tudo que é de distinção e preconceito para que possamos viver e conviver com os outros em paz e unidade.

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The first reading of the Second Sunday of Easter talked about the beginning of the first Christian Community after the resurrection of Jesus Christ . A community that was so different from the communities, that had extraordinary powers, that was one in heart and in Spirit. A community that brought all their goods together and shared among themselves according to the needs of each other. A community that left everybody amazed with mouths wide opened, because they didn’t know where this community came from.

I remember that on the Second Sunday of Easter, I said it didn’t mean that this Community didn’t have problems and that it was not so different from other communities. The only difference was that this community had inspiration from the Risen Christ and for that reason the members of the community knew how to resolve their problems without anybody outside getting to know about what was happening in there. The author also deliberately left out the problems of the community and talked about the positive aspects of this community just to show how an ideal Christian community with the story of the problem between the two groups that led to the institution of the diaconate.

What was the problem about? The community was made up of two groups of Jews: the Jews from Palestine and the Hellenists which were the Jews born outside Palestine, in other words with Greek origin. Even though they were both Jewish, there was the difference of language, culture and mentality. The real Jews had always considered foreigners as pagans and impure and for that reason did not have to mix up with them. Here is the case that they were living in the same community with people they considered pagans. Of course, they could have in a way despised the hellenists and tried to impose the customs and traditions to the Hellenists. Which the Hellenists wouldn’t have accepted and that was the source of the friction between the two groups. It seems this problem escalated with the distributions of food to the widows of the two groups with preference to the widows of the Jews from Jerusalem. This is a very big problem because it pains a lot to be treated as a second class person. Of course, it is always nice that in public places we treat some people with preference like the old age, pregnant women or women with children at the back, and the physically impaired, not in the case where we are all equals. This would have been amounted to discrimination and injustice on the part of the community. This was exactly what was happening in the first Christian community. Most of the times, we feel scandalized to hear that members of a family fight each other because of food, and yet see it as normal when they fight because of properties. What is the difference between food which is material and property which is also material?

The first reading of this Sunday has a lot to teach us because what is happening in the community, just like our own communities, was constituted of human beings and where we have two or three people gathered, there are bound to be problems. We don’t need to be frightened with the problems, more important for us is to look for solutions and ways to resolve the problems when they appear.

Another lesson for us is the attitude of the apostles. Besides having the capability of looking for solutions to the problems in the community, they are also able to recognize the ability of each and everyone in the community and for that reason are ready to share the work of the community with others. They know that they are not “all in all”; they have their own limitations and need to depend or rely on others at times. For their authority is understood as a service rendered to others, and Jesus Christ showed them this way when he washed the feet of his disciples. This is the only way that Jesus is giving to each one of us as we heard in the gospel reading “I am the way, the truth and the life…” which way?  The way to service the truth of love that produces equality and fraternity that leads us to eternal life. Jesus says He has to walk on this way, but when all is finished, he will come back and take us to where he is. Who walks on this path with Jesus will never be lost but have life in abundance.

Jesus assures us that in his father’s house, there are many rooms. What is he trying to imply? We have to understand this statement in relation to the first reading about the services we render in our communities. The many rooms are no different from the various ministries we have in our communities, the various ways he serves others in our communities. There is a lot of work in the community for each and every one of us; we really do not need to sit down unconcerned. We are invited to participate actively in our various communities.

Yes, we always cry that the rate of unemployment is so great in the civil society. This can only be possible in the civil society but inside our various Christian communities, there is a lot of work for it one of us because, here it is not the prestige, the salary that matters, but the service rendered. That is way I see it as important the exhortation of the document on sacred liturgy “Sacrosantum Concilium” of the second Vatican council. It calls on all the faithful to participate actively in all the liturgical celebrations and the celebrations should have an impact on our daily lives. We cannot continue participating in the celebrations like outsiders, like people who do not have interest in what is going on, we have to be active but at the same time contemplative.

The faithful should be instructed by the word of God, nourished by word through the Eucharist, giving thanks to God, learn to sacrifice ourselves, so that the church might progress in unity with God  and her own self.

QUINTO DOMINGO DA PÁSCOA

A primeira leitura do segundo domingo da Páscoa falou sobre o surgimento da primeira comunidade cristã após a ressurreição de Jesus. Uma comunidade que era tão diferente das outras em todos os sentidos; comunidade que tinha poderes para realizar milagres, qualidades, era uma só no coração, e uma só na alma. Uma comunidade que colocava todos os seus bens em comum e nada de mal acontecia. Uma comunidade que deixava todos espantados, boquiabertos, porque eles não sabiam de onde vinha esta comunidade.

Eu me lembro que naquele domingo, falei que não era que esta comunidade não tinha problemas, pois esta comunidade não era tão diferente das outras, a única diferença era ser conduzida pelo Cristo ressuscitado e por isto os membros sabiam resolver seus problemas sem que ninguém fora da comunidade ficasse sabendo. O autor também falou só sobre as coisas boas para mostrar como deve ser uma comunidade ideal e agora para mostrar que esta comunidade teve problemas ele conta a história das brigas dentro da comunidade que provocou a instituição do diaconato.

Qual era o problema? Esta comunidade era uma comunidade dos judeus, mas  judeus de duas origens: os judeus de Jerusalém ou palestina e os judeus de origem grega. Mesmo ambos sendo judeus, eles eram muitos diferentes por causa da cultura, da língua e da mentalidade. Para os judeus de Jerusalém, os gregos eram pagãos, impuros e, portanto não tinha que se misturar com eles e de repente tinham judeus de origem grega vivendo na mesma comunidade com os judeus de Jerusalém. Os judeus de Jerusalém às vezes seguiam as tradições do seu povo, desprezavam a cultura grega e ainda pior, queriam obrigar os judeus de origem grega a seguir suas tradições como usar a língua aramaica ao invés da língua grega. Isto já era muito pesado para os judeus de origem grega e neste ponto começaram as brigas. A briga continuou até o ponto de distribuição de alimentos para as viúvas dos dois grupos. O grupo de judeus de origem grega que era minoria se queixou que eles estavam tratando as viúvas de Jerusalém com preferência. Este é um grande problema por que dói muito quando a comunidade começa a tratar algumas pessoas preferencialmente e deixam as outras de lado. Claro que é bom que em lugares públicos como ônibus, bancos, algumas pessoas como os idosos, mães com crianças de colo, gestantes, deficientes sejam tratados preferencialmente, mas não quando todos são iguais. Esta seria uma grande discriminação por parte da comunidade, e era isso mesmo o que acontecia dentro daquela comunidade. Muitas vezes, ficamos escandalizados de escutar que membros da família brigam por causa de comida, mas qual é a diferença entre comida que é material e proprietário que também é material, porque hoje em dia muitas famílias estão brigando por causa de proprietários.

Este trecho da primeira leitura tem muitas coisas a nos ensinar, porque o que está acontecendo nesta comunidade ao mesmo tempo que escandaloso é também normal. A nossa igreja,  a nossa comunidade se constitui de seres humanos que já tiveram problemas maiores e ainda vão ter problemas, brigas e dificuldades. Não precisamos ficar assustados quando isso acontece, por que é normal que cada comunidade experimente tudo isso. O mais importante é que tenhamos pessoas como os apóstolos que podem achar soluções para estes problemas.

A outra lição que nós podemos aprender é a atitude dos apóstolos. Além de ter a capacidade de buscar soluções para os problemas da comunidade, eles também têm os olhos para ver o valor dos membros comunidade, tentando partilhar as tarefas da comunidade com os outros. Eles não assumem todas as tarefas e trabalhos da comunidade, mas dão a oportunidade para outros também prestarem serviços. Para eles a autoridade é entendida como função de serviço aos outros e Jesus claramente mostrou isso quando ele lavou os pés de seus discípulos. Este é o único caminho que Jesus está dando para nós, como nós ouvimos no evangelho “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.  Que caminho?  O caminho do serviço, a verdade do amor que produz igualdade e fraternidade que nos conduz a vida eterna. Jesus está dizendo que ele tem que andar neste caminho, mas quando tudo está acabado, ele volta a nos levar para onde Ele está.

Jesus nos assegura que dentro da casa do Pai, há muitas moradas. O que Ele quer dizer com isto? Nós temos que entender isso em relação à primeira leitura que fala sobre os serviços e ministérios da comunidade. Estas moradas são os vários ministérios dentro da comunidade, várias maneiras de servirmos uns aos outros. Não precisamos ficar sentados com mãos e pernas cruzadas. Somos chamados a participar ativamente nas atividades da comunidade.

Sim, na sociedade civil, choramos sobre desemprego, mas dentro da comunidade precisamos da ajuda de cada um, da contribuição de cada pessoa por que aqui não é o prestigio, a autoridade e o lucro que importam, mas sim os serviços. Por isso o Concílio Vaticano II, com o documento “Sacrosanto Concilium”, o documento da sagrada liturgia, exorta os fiéis da igreja sobre a participação ativa nas celebrações dos sacramentos na liturgia. Esta exortação deve ser entendida em termos da relação entre a celebração e a nossa vida cotidiana. Não podemos continuar assistindo a liturgia eucarística e os outros sacramentos como estranhos, expectadores mudos ou pessoas que não entendem nada das celebrações. Nós temos que participar na ação sagrada, consciente de onde nós estamos, ativa e piedosamente, de fato, a participação tem que ser plena e frutuosa.

Que os fiéis sejam instruídos pela palavra de Deus, alimentando-se a mesa de eucaristia, dando graças a Deus. Aprendam a oferecer a si mesmos e deste jeito a igreja progrida na unidade com Deus e entre si.

GOOD SHEPHERD SUNDAY

The fourth Sunday of Easter is also known as the “Good Shepherd” Sunday. Last  Sunday we talked about the disciples of Emmaus who were lost or diverted from the way of the Lord and the Lord had to lead then back to the sheepfold and for that reason I said the theme of the “Good Shepherd” is also found in the gospel of Luke and not only in the gospel of John. That notwithstanding, the theme is clearly seen in John where Jesus emphatically declares himself as the “Good Shepherd”.

This theme is principal to John and he presents this theme to show how Jesus loves the world. In fact the theme of the “Good Shepherd” awakens and nourishes our faith in Christ, the Son of God, so that we may have live and have life in abundance. John puts this message in the very middle and at the very end of his gospel. This Sunday is also knows as vocation Sunday because of its relations to the  theme of the “Good Shepherd” which reminds us of the  role of a guide, a leader,  a person in authority, a person who serves and gives up his life that the other way have life. So, during this day, let us remember to pray for all those who are exercising in one way or the other authority over others. Let us also remember to pray for the Church, our own catechists, leaders of our Communities, both ordinary and extraordinary ministers of the church, and the religious. Even though we find ourselves as shepherds, we know that the unique and true shepherd is Jesus Christ and we are the sheep.

To understand the gospel of this Sunday especially the parable aspect, then we have to go back to the Old Testament where the theme is much used. Jesus was narrating this parable to the leadership at his time, making a contrast between his style of leadership and that of the others, but it seems they did not really understand what he wanted to send across.

The image of the “Good Shepherd” is been used to describe the leadership of the people in the Old Testament especially the kings but God is also seen as a shepherd who leads, defends and feeds his people. In the Old Testament, the shepherds are the political and religious leaders and the flock is the people that belong exclusively to God. The function of the shepherds is to take care of the flock that is to protect, feed, serve and love to the point of risking their lives for the sake the flock. Unfortunately, it was not happening in this way, they were instead taking care of their personal interests. So, through the prophet Ezekiel, God admonished the shepherds; “You drink the milk, wear the wool, kill the sheep and refuse to take care of the flock”. These were the defects of the shepherds that infuriated God, because He could not bear it any longer losing his flock because of the irresponsibility of the shepherds.  And so he promised to take care of flock himself as we hear in Ezekiel 34,15.

Today, Jesus is presenting himself as the “Good Shepherd” the “door” and the “door keeper”. Like God in the Old Testament, Jesus is also admonishing the leaders of his time, but they don’t understand the meaning of the parable because at the time of Jesus, the shepherd did not mean anything. The shepherds lived a wild life, very aggressive, and always fought wild animals that attacked their sheep. The shepherd was not welcome in the town and had no say in public. The life of the shepherd was a real mess and very difficult .This reminds me one of a tribe in West Africa called the “Fulani”. This is a nomadic tribe that is always on the move from one place to another looking for food to feed their animals. It is also a tribe being despised by many in West Africa and at times it seems understandable why the tribe is being despised. They most of the times allow the animals to destroy the farms f others. I cannot even tell in how many cases that they have been involved in thefts, raping of women and the rest. What happens to this tribe is not so different from what was happening to the shepherds at the time of Jesus. And so the use of the image of the shepherd and the role they played at the birth of Jesus will go a long way to help change the mentality of the people about the shepherd.

The real shepherd is the one who does everything to help the flock grow and Jesus is saying that he is the true shepherd since this is the meaning of the “Good Shepherd”. The “Good shepherd” implies the true shepherd who knows his flock and calls each by name, leads them out of the sheepfold to places where they can find food and drink. The Lord, our shepherd is always ready to lead us, but then there is one difficulty on own part, since the Lord himself says that there are many shepherds who enter the sheepfold just to steal, to kill and to satisfy their interests. Most of the times, we have the problem of identifying the voice of the true shepherd. We therefore need to pay much attention in order to identify his voice. How can we identify his voice, if we don’t listen to him, if we don’t converse with him, walk with him?  We will not have any problem identifying his voice, if were allow ourselves to be led by him.

The Lord says he is the door, the only door where the sheep and their shepherds enter and exit. He will not allow anybody at all to enter the sheepfold. The one who wants to enter the sheepfold must be like him, full of love for the flock and this is a very big responsibility, to give up your life for the well being of the flock. Today, there is nobody who says he does not in any way have any responsibility and so, how are we taking care of our subjects? Like members of a family? I don’t want to go far by asking how the political authorities are functioning in my community, but how my family is functioning. How is my contribution towards the growth of my family, towards the growth of my community? As a catechist, a minister, a group leader, how am I my functioning? Am I leading my people as Jesus would have done to his flock?

When we begin to look for ways to cheat on others, to satisfy our interests, remember that we are not different from the shepherds who only drink the milk, wear the wool, kill the fat sheep and refuse to take care of the flock. But when we are able to show love and care to our families and communities, then we are on the same path as Jesus, we are true shepherds, the shepherds that Jesus needs to continue with his mission which is the project of God.

DOMINGO DO BOM PASTOR

Hoje celebramos o quarto  domingo da Páscoa, mas este domingo também é conhecido como o domingo do “Bom Pastor”. Com os discípulos de Emaús perdidos ou desviados do caminho do Senhor, o próprio Jesus de repente se aproxima deles, a fim de conduzi-los de volta ao rebanho. Foi exatamente isso que nós ouvimos no terceiro domingo da Páscoa. Então este tema do “Bom Pastor” não é somente encontrado no evangelho de João, todavia, o tema é muito claro aqui no evangelho de João onde Jesus claramente fala que ele é o “Bom Pastor”.

O tema do “Bom Pastor” é um tema principal no evangelho de João e o evangelista apresenta este tema para mostrar como Jesus nos ama. Este tema vem despertando e alimentando a nossa fé em Jesus Cristo, o Filho de Deus, a fim de que tenhamos a vida, e a vida em abundância. Ele coloca esta mensagem também bem no meio e no fim do evangelho. Este domingo também é conhecido como domingo de vocação. Domingo de vocação porque o tema do Bom Pastor nos recorda sobre o papel do guia, de líder, de quem está em autoridade, a serviço e coloca a sua vida para ajudar os outros. Então, nós da nossa igreja; catequistas, animadores das comunidades, ministros da igreja, os religiosos e cada pessoa de uma maneira ou de outra estamos contribuindo para o desenvolvimento da igreja. Somos também pastores, mas o verdadeiro Pastor é Jesus e nós somos o seu rebanho. Para entender o evangelho de hoje especialmente a parábola de Jesus temos que voltar para o Antigo testamento  onde esta imagem é usada frequentemente. Jesus estava contando esta parábola para as lideranças políticas fazendo uma comparação entre a sua liderança e a liderança deles. Mas será que eles entenderam o que Jesus queria dizer com tudo isso?

No Antigo Testamento, esta imagem do pastor é bem conhecida e usada pelos líderes do povo especialmente os reis, mas Deus também foi comparado ao pastor que conduz,  defende e alimenta o seu povo. No Antigo Testamento, os pastores são as autoridades políticas e o rebanho é o povo que pertence a Deus. A função dos pastores é cuidar do rebanho em todos os sentidos: proteger, alimentar, servir, amar e até entregar suas vidas pelo rebanho. Infelizmente, os pastores não estavam fazendo isso, em vez de cuidar o rebanho, eles se preocupavam com seus próprios interesses, em vez de servir o rebanho, eles se aproveitavam do rebanho. Através do profeta Ezequiel, escutamos o Deus falar sobre estes pastores, “Vocês bebem o leite, vestem a lã, matam as ovelhas gordas, mas não cuidam do rebanho.” Foram estes defeitos dos pastores que provocaram a ira de Deus, porque Ele não aguentava mais perder o seu rebanho por causa da irresponsabilidade dos pastores e prometeu tirar o seu rebanho da mão destes pastores. No versículo 15 do capítulo 34 de Ezequiel, Deus fala: “Eu mesmo conduzirei as minhas ovelhas para o pasto e as farei repousar.”

E hoje, Jesus está se apresentando como o “Bom Pastor”, como a “Porta” e o “Porteiro” do redil.

Como Deus no Antigo Testamento, Jesus está fazendo a mesma coisa com os chefes do seu tempo: os mestres da lei, os fariseus e os demais. Eles não entenderam bem esta parábola de Jesus, por que naquele tempo o Pastor não valia nada. O Pastor vivia uma vida selvagem, muito agressiva, lutavam contra animais selvagens que atacavam o seu rebanho, o pastor não era acolhido dentro da cidade e o seu testemunho não valia nada no tribunal. A vida do pastor era muito difícil mesmo. Isso me faz lembrar uma tribo lá na região da África Ocidental conhecida como “Fulani”, uma tribo nômade que só cuidava das ovelhas. Parece que o sonho de cada pessoa que nasce dentro desta tribo é ser pastor um dia. Eles ficam viajando de um lado da região para outro, procurando pastagens para seus animais. Agora esta tribo é bem desprezada por todos naquela região e às vezes dá para entender o motivo do desprezo. Eles fazem todo tipo de coisa no mato, às vezes deixam os animais destruir as plantações dos outros, eles entram na cidade e roubam o que encontram pela frente. Às vezes mulheres a procura de lenha entram no mato e são violentadas por eles. Então entendemos porque esta tribo é desprezada nesta região e o que acontece com esta tribo não é tão diferente do que acontecia com os pastores na época de Jesus. A maneira de pensarmos sobre os pastores já não é mais a mesma do que o povo pensava na época de Jesus.

O uso de Jesus na imagem de pastor e o papel dos pastores no nascimento de Jesus vão ajudar muito na mudança de pensamento sobre os pastores. O pastor verdadeiro é aquele que faz tudo para ajudar seu rebanho e Jesus está falando que ele é este Pastor, pois isso é o significado do “Bom Pastor”. O “Bom Pastor” aqui quer dizer: o verdadeiro pastor que conhece as suas ovelhas por nome, chama cada uma pelo nome e as conduz para fora do redil, para lugares onde encontram pastagens e água. O Senhor que é nosso pastor está disposto a nos conduzir sempre, mas há uma dificuldade do nosso lado, porque como o Senhor mesmo disse há pastores que entram só para matar, roubar e aproveitar do rebanho. Então, nós temos que prestar muita atenção para perceber qual é a voz do “Bom Pastor”.  Há muitas vozes entrando nos nossos ouvidos, mas qual é a verdadeira voz do Senhor? Se nós prestarmos atenção nas suas palavras, se nós sempre o escutar falando, se nós sempre andamos com ele, seguirmos seus passos, conversarmos com ele, não teremos problemas de perceber a voz de nosso pastor e não seremos conduzidos no caminho errado.

Jesus fala que ele também é a porta, a única porta onde as ovelhas e seus pastores entram e saem. Quem quer entrar no redil tem que passar por ele. Ele não vai deixar qualquer pessoa entrar no redil, por causa de seu amor pelo rebanho. Qualquer pessoa que entra no redil tem que ser como Jesus, um verdadeiro pastor. É uma responsabilidade grande de ser um verdadeiro pastor, pois tem que entregar a sua vida pelo bem-estar do rebanho. Mas será que isto acontece hoje? Quando falamos sobre os pastores de hoje, muitas pessoas pensam que eles estão fora do assunto, mas será? Cada pessoa que de um jeito ou de outro, que tem autoridade sobre os demais é um pastor, e como nós estamos cuidando do nosso rebanho, eu não vou dizer que nós vamos olhar para as autoridades que estão governando o nosso povo, que ás vezes até colocam dinheiro na cueca ou buscam maneiras de se aproveitar das contribuições do povo, mas dentro da nossa família, onde o pai é o pastor, como está? Será que o pai está buscando seus interesses próprios ou ele está procurando o bem-estar da família, como catequista, ministro, animador da comunidade, será que posso dizer que estpu conduzindo meu povo como Jesus faria com seu rebanho? Quando começamos nos aproveitar das situações para satisfazermos interesses próprios, vamos lembrar que não somos diferentes dos pastores que bebem o leite vestem lã, matam as ovelhas e não cuidam do rebanho, mas quando nós conseguimos dar amor ao nosso rebanho, ao ponto de entregar nossas vidas por ele, então estamos andando no caminho certo, nós somos os verdadeiros pastores que Jesus precisa para continuar com sua missão que é o projeto de Deus.

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Third Easter Sunday

We are already in the third week of Easter with the resurrection and apparitions of Jesus to his disciples still very fresh in our minds. All the evangelists have something to say about the difficulties of the apostles in coming to terms with the resurrection of Jesus and his entry into the glory of God the father. It was not so easy for them as we sometimes think, since they had to go through a lot of difficulties and conflicts of ideas within each and everyone within community.

With all certainty, one clear difficulty that marked the lives of the apostles was their lack of faith. The gospel of last Sunday spoke about the apostle Thomas who wanted to see the Risen Lord with his own eyes before believing in the resurrection. This was not just a problem of only Thomas, but all the disciples. In many occasions, they met the Lord, but could not recognize him. For instance, when Mary Magdalene saw him, she mistook him to be the gardener; Peter felt he was a fisherman who was trying to help him out. As we will hear in the gospel of today, the two disciples feel he is also travelling on the same way and therefore a colleague. This is just to say that it was so difficult for the apostles to get to the point of saying that indeed the Lord has risen. It was a long process, full of doubts and fear to the point that they sometimes felt that they were seeing a ghost. Importantly, they also felt the sentiments of joy and happiness in the midst of all these difficulties, seeing and hearing others talk about the apparitions of Jesus.

Today the gospel talks about another experience of the disciples after the death of Jesus. This is the experience of the two disciples on their way to Emmaus after the death of Jesus. When we pay a bit of attention to this text from Luke, we will realize the happiness and relief we feel in our hearts, full of hope and life because the story of the women who went to the tomb seems to be confirmed. This text which does not appear in the others gospels, in my opinion is one of the beautiful texts we have in all the gospels, two disciples on their way to Emmaus in a very sad mood. Desperate and depressed accompanied by frustration with what happened to Jesus of Nazareth, the one they felt was going to liberate them from the hands of the Romans. All of Sudden, the Lords appears from nowhere and walks with them on the same route. In fact, this is a very beautiful passage from the gospel of Luke, but then it also raises a lot of eye brows.

There are a lot of questions that come to mind after hearing the gospel, for instance; where is Emmaus, and is there any geographical place with this name Emmaus very close to Jerusalem? Today, there are two “Emmauses” which I suppose is meant to attract tourists, but then which is the real Emmaus where the disciples were going?  Could it also be just an idea of the evangelist to catequize his community?

Why is it that the two disciples left immediately Jerusalem without trying to first of all verify the truth of the story of the women?

Why didn´t they realize the Lord in the person of the stranger who was travelling with them? And why is it that Luke does not mention the name of the other disciple; it is that he has forgotten or it is intentional?

It is important to realize that this evangelist Luke is a Catequist with a Catequetic message for his community. He is showing us the presence of Jesus among us, each and every time we meet in our community celebrations, the presence of Jesus in the world taking part in our troubles and always in solidarity with us. Luke also wants to show the presence of Jesus in the proclamation of the word; where we find meaning for our lives. Finally, the evangelist is saying that brotherliness and sharing our bread especially with those in need are the attitudes which a Christian must develop in his life.

Most of the times, when we talk about the theme of the “Good shepherd”, our minds go back to the gospel of John, but this theme is also clear in the text of our gospel reading. The two disciples were completely lost or diverted from the way the Lord has always showed them. They were running away from the problems of the community as most of us often do. The community always needs us, especially when there are problems within the community and we must learn to be part of the community in all circumstance. How many times have we disappointed our communities? Anytime we find ourselves in such situation, let us remember that we are like these two disciples running away from their community. At the very moment that the two were diverting, the Lord appeared and led then back to the community, to the sheepfold like lost sheep.

As mentioned above, one of the difficulties of this gospel text is the omission of the name of one of the disciples. Luke mentions the name of Cleofas in passing, a name which is well known in the early church not just because of his contributions to the development of the church, but more importantly his relation with Jesus. He is the uncle of Jesus, since he is a brother to Joseph, the father of Jesus. About the other disciple, Luke says nothing which leaves everyone in doubt about the identity of this disciple. But this attitude of Luke is not so strange because we have the same problem in John who is found of talking about the disciple Jesus loved. The evangelists do not provide names, so that we can occupy the places of these disciples. So this disciple who was on the way with his friend Cleofas could be you, could be me or any other person of the community. We also need to be on the way, travel with the Lord, allow the Lord to teach us, allow our hearts to burn with his knowledge , so that we might also recognize him in his word and in the breaking of bread.

Finally, I am so amazed with the knowledge of the disciples about Jesus, about the scriptures and the happenings in Jerusalem. But then, they lack understanding which is a problem to almost all of us. After relating the story of Jesus, they stop at his death as if to say that is the end. With that they have no way to continue with the story of the Lord, but then the Lord appears in their midst to show them that the story still continues because he has defeated  death and placed it at its rightful place.

We also need to recognize the Lord, but is only those who walk on the way of troubles of human kind in the search of justice and truth, in solidarity and sharing with others what we have and what we are. The one who knows how to share his bread with his bother will certainly will recognize the Lord!

3° Domingo da Páscoa

Ainda estamos diante da ressurreição de Jesus e de suas aparições aos discípulos. Todos os evangelistas de suas maneiras diferentes nos contam como os apóstolos vieram a acreditar na ressurreição de Jesus e a sua entrada na Glória de Deus Pai.  Não foi uma coisa simples como às vezes imaginamos, era uma luta espiritual, um conflito muito maior dentro de cada discípulo e da comunidade inteira.

Claramente uma coisa que marcou os seguidores de Jesus após a ressurreição foi a falta de fé. Semana passada nós ouvimos a história de Tomé o Dídimo que queria ver o senhor com as marcas dos pregos antes de acreditar na ressurreição; segundo o Senhor: “Bem-aventurados os que crerem sem terem visto.” Nas muitas ocasiões, eles encontraram o Senhor, mas não perceberam que era o Senhor. Maria Madalena pensou que era o jardineiro quando ela viu o Cristo Ressuscitado, Pedro pensou que era um pescador que estava tentando ensinar ele enquanto era o Senhor e como nós ouvimos do evangelho de hoje, os dois discípulos no caminho para Emaús estão pensando que ele também está viajando com eles, quer dizer um colega no caminho. Foi muito difícil para os discípulos chegarem até este ponto de dizer que verdadeiramente o Senhor ressuscitou. Foi um processo comprido, cheio de dúvidas, de sustos, de medo, às vezes pensando que eles estavam vendo um fantasma, e o mais importante, eles também ficavam com os sentimentos de alegria e felicidade, vendo e ouvindo outros falarem sobre as aparições de Jesus após a sua morte.

Hoje o evangelho nos fala sobre outra experiência dos discípulos após a morte de Jesus. A experiência dos dois discípulos que estavam no caminho para Emaús. Quando nós prestamos atenção neste trecho do evangelho de Lucas ficamos felizes, nos sentimos aliviados, cheios de esperança e vida porque parece a história das mulheres que foram ao túmulo está sendo confirmada. Este trecho que é particular do Evangelista Lucas, em minha opinião, é uma das passagens mais belas em todos os evangelhos; os discípulos caminhando entristecidos, amargurados e deprimidos pela enorme frustração da morte de Jesus (desesperados) e de repente o próprio Jesus aparece no caminho, andando com eles. De fato é uma belíssima passagem do evangelho de Lucas, mas também deixa muito a desejar.

Depois de ler o evangelho, ficamos felizes, mas logo aparecem as perguntas; onde fica Emaús, será que realmente tinha um lugar como Emaús?  Hoje em dia perto de Jerusalém, há dois lugares conhecidos como Emaús, talvez por motivo de turismo, mas qual é a verdadeira Emaús? Destes dois lugares onde se acha a verdadeira Emaús? Será que este lugar realmente existia ou é só uma ideia do evangelista para caracterizar a sua comunidade? Por que os dois discípulos deixaram Jerusalém imediatamente depois de tudo que aconteceu? Por que não ficaram para verificar a veracidade das aparições de Jesus? Por que eles não perceberam a pessoa de Jesus no colega que estava viajando com eles? E o mais importante porque Lucas não fala sobre o nome do outro discípulo, será que ele esqueceu ou é algo proposital?

O evangelista Lucas é um catequista, a mensagem dele é catequética, ele está dando catequese e nós temos que entender que Lucas está salientando a presença de Jesus no meio de nós, cada vez que nos unimos nas celebrações comunitárias, a presença de Jesus entra no mundo solidarizando-se com nossos problemas participando nas nossas lutas. Ele sempre participa conosco em nossas atividades. Lucas também quer mostrar a presença de Jesus no anúncio da palavra; onde nós achamos o sentido para nossas vidas. E no final, o evangelista está dizendo que a fraternidade, partilhar o pão com o nosso próximo, especialmente os mais necessitados, é uma atitude que o Cristão deve desenvolver.

Muitas vezes quando nós falamos sobre o tema do “Bom Pastor”, nós pensamos no evangelho de João, mas este tema também é claro aqui no evangelho de Lucas. Os dois discípulos estavam perdidos ou desviados do caminho que Jesus lhes mostrou.

Eles estavam fugindo dos problemas da comunidade como muitos de nós. No momento que a comunidade mais precisava de nós, foi o momento que nós decepcionamos a comunidade. Quando a comunidade está bem, sim nós somos parte da comunidade; mas quando a comunidade está passando por problemas, daí não somos parte da comunidade. Mas quando eles estavam desviando, Jesus entrou no meio deles e lhes conduziu de volta à comunidade. E é da mesma maneira que Jesus vai nos conduzindo de volta ao rebanho como ovelhas perdidas.

Uma das dificuldades que nós encontramos neste evangelho é a omissão do nome de um dos dois discípulos. Lucas nos fala sobre o Cléofas que era bem conhecido na comunidade cristã porque ele era tio de Jesus, irmão de José, pai de Jesus. Mas sobre o outro discípulo, ele não fala nada e assim nós ficamos em dúvida sobre a identidade deste discípulo. Esta atitude de Lucas não é estranha porque nós encontramos a mesma atitude no evangelista João que sempre fala sobre o discípulo que Jesus mais amava. Os evangelistas não colocam o nome para que possamos ocupar estes lugares dos discípulos. Então este discípulo que estava no caminho com o amigo Cleofas indo para Emaús pode ser eu e pode ser cada pessoa da comunidade. Nós precisamos também estar no caminho, viajar com Jesus e deixar Jesus nos ensinar para que os nossos corações ardam a fim de conhecermos o Senhor na sua palavra e a partilha do pão.

No final, eu fico muito espantado com o conhecimento dos discípulos sobre a pessoa de Jesus, sobre as escrituras e sobre os acontecimentos em Jerusalém. Só há um pequeno problema, que é um problema de cada pessoa. Depois de contar tudo sobre Jesus, eles param na sua morte, pois com a sua morte não existe mais espaço para continuar. A morte é o fim de todos os seres inclusive Jesus, mas o Senhor quer mostrar que ele veio para colocar a morte no seu próprio lugar, a morte não tem mais poder sobre nós justamente por causa da vitória de Jesus sobre a morte.

Precisamos reconhecer o Senhor, mas é só aquele que percorre o caminho dos problemas do homem na busca da justiça e verdade, na solidariedade e partilha com os outros. Quem sabe como partilhar o pão com o irmão necessitado reconhece o Senhor.

Segundo Domingo da Páscoa

O testemunho de João Evangelista nos deixa maravilhados. Ele é o contemplativo, o orante, tendo encontrado o Senhor, não o guarda para si, mas o comunica. Evangelizar é o fruto mais belo da oração. Sempre que comunicamos a nossa experiência de Deus nós rezamos. A linguagem do evangelista é a comunicação de sua experiência. Não transmite uma doutrina, mas uma vida. Nós só podemos falar daquilo que ouvimos ou daquilo que vimos ou daquilo que conhecemos. Os discípulos, na sua missão de evangelização, de proclamar o Cristo Ressuscitado sempre destacaram a oportunidade de terem visto o Senhor. Na primeira leitura de João, eles salientam; “o que vimos e ouvimos, nós também anunciamos a fim de que também vós vivais em comunhão conosco”. E Jô fala; “conhecia-te só de ouvido; mas agora, viram-te meus olhos”. Conhecer o Senhor de vista é muito importante, porque o próprio Jesus falou que há muitas pessoas que queriam ver este dia, mas não conseguiram. Este dia trata-se não apenas de um dia, mas da pessoa de Jesus Cristo. Mas será que estas pessoas não serão salvas?  Serão, porque acreditaram em Jesus antes que ele nasceu. A preocupação de Jesus é a nossa fé e não importa o como nós conseguimos a fé, o importante é que nós temos fé em Jesus e a sua ressurreição. Por isso que ele proclama;

“Bem- aventurados os que creram sem terem visto.” Estas palavras do Senhor são muito apropriadas para nós, o povo de hoje. Benditos aqueles que podem reconhecer a voz do mestre nas palavras que ouvimos todos os dias nas nossas celebrações comunitárias. Mas, os  povos não estão satisfeitos só com as palavras, eles também querem ver sinais concretos que vão provar diante da dúvida que o Espírito de Jesus está presente no mundo. Mas, hoje,  que sinal queremos ver,  que sinal o mundo quer ver? É só o sinal de amor entre nós que pode mostrar para o mundo que realmente, temos fé no Cristo Ressuscitado.

A primeira leitura diz que, “com grandes sinais de poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor”. O que foram ‘grandes sinais de poder’ e como eles mostraram estes ‘grandes sinais de poder’? Com certeza, eles não estavam gritando e usando linguagem agressivos e ofensivos contra seus inimigos, pelo contrario, o testemunho deles foi eficaz, poderoso porque foi feito com coragem.

Eles se declararam sem medo como discípulos de Jesus Cristo e proclamando que Jesus ressuscitou, ignorando desaforos, ameaças e castigos. Mas, este não era a principal qualidade dos seus poderes. A principal qualidade do poder deles era certamente esta nova vida da comunidade dos primeiros Cristãos.

Esta comunidade cristã era completamente diferente das outras comunidades e tinha duas características extraordinárias dentro desta comunidade. Primeiramente, esta comunidade era uma só no coração e uma só na alma e segunda, ninguém considerava como próprias as coisas que possuíam, porque tudo entre eles era posto em comum. A comunidade que tem estas características é imediatamente reconhecida porque coisas que são impossíveis em outras comunidades são possíveis nesta comunidade. Então todo mundo estava perguntando, qual comunidade é essa e de onde vem esta vida extraordinária? A resposta é bem clara, nós vivemos assim porque Jesus Cristo está ressuscitado. Esta nova vida foi a evidencia forte que os apóstolos e a comunidade inteira davam para o mundo inteiro. Era a presença de uma nova comunidade inspirada pelos sentimentos de fraternidade e comunhão. O Cristo Ressuscitado não foi visível ao mundo inteiro, mas esta comunidade que nasceu do Espírito do Senhor foi visível ao mundo inteiro.

Hoje, como nós vivemos juntos nas comunidades? Podemos comparar nossas comunidades com esta primeira comunidade cristã? O mundo está cheio de ameaças, conflitos, problemas de drogas, pobrezas e guerras. Então como podemos comparar nossas comunidades com esta primeira comunidade cristã? Hoje todos nós queremos ganhar propriedades próprias, nossa linguagem é só ‘meu e minha’, não sabemos o que significa ‘nossa ou nosso’. O problema é individualismo que está destruindo e matando nossas comunidades

Como cristãos especialmente católicos, temos que seguir os passos desta primeira comunidade cristã para mostrar o mundo que ainda podemos viver junto como irmãos e irmãs, como uma família sem dificuldades e problemas. Não é que esta primeira comunidade cristã não tinha problemas, com certeza, eles tinham, mas eles também souberam como resolver estes problemas. Não é fácil, mas com Deus nada é impossível.

Com fé na ressurreição de Jesus Cristo, nossas comunidades podem ser diferentes das outras comunidades. Mas hoje nós também temos este mesmo problema de Tomé. Queremos ver antes de acreditarmos. Parece uma filosofia da vida que temos; vemos antes de acreditar, sem o ver sem o acreditar. Onde está nossa fé se queremos ver antes de acreditar? Como Jesus falou para Tomé, “felizes as que acreditaram sem ter visto”. Hoje somos povos cheios de dúvidas, não acreditamos mais no poder de Deus e queremos usar só nossos poderes próprios. Por que não temos problemas em nossas famílias e comunidades? Este também está promovendo inseguranças em nossas comunidades.

A ressurreição de Jesus Cristo é a fonte principal de nossas vidas e só com fé na ressurreição de Jesus que podemos construir uma comunidade cristã.

Easter 2nd Sunday

The testimony of John Evangelist leaves us in the state of wonder because as a contemplative who met the Lord, he decides not to keep him for himself but to share his joy with others. Evangelization, they say, is the nicest fruit of prayer because anytime we communicate or share our experiences of God, we are in fact praying. It’s the same thing the Evangelist is doing; he shares his experience and therefore prays. We can only talk about what we have heard, seen or experienced and so the disciples in their mission of proclaiming the good news always stressed the fact of them seeing the Lord. In the first letter of John they state “ what we have seen and heard we announce to you also, so that you will join with us in the fellowship that we have with Father and with his son Jesus Christ”. (1Jn 1,3) And Job and his humility also has this to say; “ In the past I knew only what others had told me, but now I have seen you with my own eyes.”  Job 42,5. It therefore seems that to know the Lord by sight is very important because the Lord himself once said that there are many people wanted to see this say but have not be able, in other words he wants to say that there are many people in the past who wanted to see him but have not been able to do so. Does that mean that these people will not be saved? Far from that, because the worry of the Lord is not who has seen him and who hasn´t seen him, but our faith. It is does not matter how we came by our faith, more important is that we have faith in the Lord and his resurrection and that is why he says “Blessed are those who have not seen and yet believe”. These words of the Lord are very important for us today. Blessed are those who are able to recognize the voice of the master in the words we hear every day in our celebrations. The problem is that we are always not satisfied with only words, we always want to see concrete signs, proofs of the Spirit of God living among us. But as the Lord says “ what sign” can be given to this generation?” What sign does the world need today?  The  love that exists between us is the only sign we can give to the world. That is the only way we can demonstrate to the world that the Lord is risen and we  testify to this with our faith.

The first reading says that through the miracles and signs worked by the apostles, they gave testimony to the risen Christ.  What were the miracles and great signs and how did they do it? With certainty they were not going around shouting in the top of their voices with  aggressive and offensive languages, but on the contrary, an unimaginable and strong testimony made with courage that nobody could avoid. They had declared themselves public without fear as the Disciples of Christ, proclaiming his resurrection and ignoring all insults and threats. But this was not even the principal aspect found in the great signs shown by the disciples, the principal aspect is found in the new life that the community of disciples had adopted. This community was completely different from other communities. It was a community with two principal characteristics.

In the first place the community was one in heart and in spirit and secondly, they had common property, nothing belonged to anyone in spirit and belonged to all. A community that has these characteristics is immediately recognized because things that seem impossible in other communities are possible in this community. And that is why everybody was asking which community is this and what is the secret behind this extraordinary life? And the answer is very clear, we live like this because Jesus Christ is risen from the dead. This new life was the strongest testimony that the apostles and the rest of the community gave to the whole world. It was the presence of a new community inspired by the sentiments of brotherhood and community life. Christ was not seen by the whole world after his resurrection, but this community was seen by the whole world.

How is my community toady, can I compare my community to this first Christian community. Let us break this “community” down into families and then this question can be more appropriate. How is my family today? A family that is one in heart and in Spirit? A family that comes about its members, a family that lives in peace?

It is not that this first Christian community didn’t have problems and difficulties. They had, but they also knew how to solve their problems . They always relied on the help of God. It will certainly be difficult for us too, but with God all is possible.  So how can our family live by the characteristics of this first Christian community. We will really need to put a stop to our individualistic ways of behaving and try to appreciate the presence of the others in my life. With our faith in that resurrection of Christ our family can be a very different family from the others, we only need to believe in his resurrection and the difference will be clear. Like Thomas, we most  of the times want to see before we believe, then where lies our faith. Going back to the words of the Lord “ happy are those who have not seen and yet believe”.

Today we are full of doubts, we don’t believe any longer in the power of God , we don’t trust any longer in him and we want to go our ways. So why wouldn’t there be problems in our families and communities? Trust in the Lord, trust in his resurrection because that is the source of life, the source of fraternity, the source of love and the source of salvation.

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